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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Crônica
 
É hora da onça beber água
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

É hora da onça beber água


Depois do discurso de posse, espera-se ação. O eleitor consciente sabe que muitas promessas de campanhas traziam certos exageros, mas queria ver mudanças na gestão municipal. Afinal, os impostos – um dos mais altos do mundo – devem retornar sob a forma de benefícios. Então, senhores prefeitos, mãos à obra! Quem prometeu o impossível terá dificuldades para explicar o porquê das coisas não acontecer conforme pactuado. Já o reeleito precisa mostrar mais serviços porque não pode culpar o antecessor.
Agora, com o abacaxi nas mãos para descascar, os novos empossados vão conhecer com profundidade os problemas, as dificuldades, os obstáculos. Não apenas na gestão financeira, mas naquilo que depende dos acordos políticos, das exigências da oposição em troca de apoio, de tudo que envolve os meandros desse meio cheio de armadilhas e infidelidades próprias do ser humano. Além dos obstáculos naturais, consequência de erros da gestão anterior, teme-se pelo leilão dos cargos devido às coligações.
Mas a vida continua e as cidades não podem parar. Alguns gestores já anunciaram medidas no ato da posse; outros ainda estão compondo suas equipes. Já o contribuinte insatisfeito não quer saber de nada disso. Para ele essa história dos cem primeiros dias é conversa para boi dormir. Quer ver resultado imediato, mudanças visíveis, o chamado “choque de gestão”. Por isso, decidiu mudar o comando acreditando que o eleito vai administrar oferecendo melhores serviços públicos para a população, nas áreas mais carentes.
Devido à situação mundial da crise, que começou nos Estados Unidos e abraçou o mundo, provavelmente as medidas serão de contenção de despesas, reavaliação dos investimentos previstos e adequação da máquina pública à nova realidade. Então, os impacientes devem se controlar um pouco até a situação se tornar mais clara e sinalizar qual o melhor caminho a seguir sem maiores riscos com relação a acidentes de percurso. O momento exige cautela porque, quem sabe, o pior ainda não aconteceu.
Não sabemos ao certo como se chegou aos cem dias para poder avaliar o desempenho de um novo governo – municipal, estadual e federal -, nem se isso é justo para todas as situações. Mas é o que usualmente se aplica nos países considerados democratas. Só que algumas ações, especialmente as de emergência, fogem a esta regra. Portanto, espera-se dos gestores que estejam preparados para enfrentar, com ponderação, todos os imprevistos que aparecerão como conseqüência da crise globalizada.
Afirmar, com absoluta segurança, que estamos imunes aos efeitos dessa crise é pretensioso e muito otimista. Claro que não fomos atingidos como alguns países, mas também não estamos blindados como certas autoridades tentam nos convencer através da mídia. Os efeitos da globalização se espalham por todos os continentes, independentemente do grau de confiabilidade de cada país. Desta forma, o maior ou menor impacto dependerá da situação que cada um se encontrava no momento que a bomba estourou.
Assim, os nossos prefeitos têm uma tarefa hercúlea pela frente. Mas isso não deixa de ser um desafio para mostrar competência, determinação, liderança e bom senso para vencer dificuldades. Quem estiver mais consciente da situação e escolheu uma equipe com boa qualificação poderá ter um desempenho melhor. Aqueles que pensaram que os problemas são insignificantes – nada que uma boa conversa não resolva – podem esperar uma enxurrada de críticas e cobranças. Daí... Chegou a hora da onça beber água!
O fato é que acabou a festa e o trabalho já começou. Arregaçar as mangas, cortar na própria carne, quando for preciso, tomar medidas desagradáveis, mas necessárias, visando o bem-estar futuro de todos. Enfim, entender que a situação é igual aos tempos de guerra – de luta pela sobrevivência. Esquecer o marketing da campanha e encarar a fera com muita determinação. Conquistar o apoio popular e conseguir aglutinar a força política, também é muito importante. Ah! E algo fundamental: que o objetivo seja comum!
Estudiosos confirmam que esta é a maior crise desde a quebradeira na Bolsa de Valores dos Estados Unidos, em 1929. Não cabe discutir nem mensurar sobre a veracidade disso, mas que a situação é muito séria... isso ninguém mais discute. Então, como todo grande problema, as medidas preventivas ou corretivas deverão ser proporcionalmente, rigorosas, determinadas, contínuas e sem tréguas. Aos recém-empossados, desejamos sorte e sucesso, esperando que saibam enfrentar esta crise com inteligência e sabedoria.


J R Ichihara
05/01/2009

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