A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

Argeu Argondizo Filho
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Crônica
 
Pensamentos de um cinquentão.
Por: Argeu Argondizo Filho

De repente uma insperada clareza me faz olhar atentamente em volta. De todos os rostos que podia avistar de onde estava, o meu era, sem dúvida, o mais velho. Não pouco. Cerca de 20 anos separavam minha geração daquela que lá estava para ouvir, dançar e se emocionar com a mesma música que eu. Sentimentos confusos, à partir desse instante, passam a me tirar daquela espécie de transe em que a banda, com suas guitarras, vozes, baixo, bateria e luzes me colocava. Passo a me sentir numa espécie de meio de caminho no qual era difícil a decisão entre o continuar em frente e o retroceder. Sabia muito bem quais seriam as consequências de escolher qualquer um deles. Nenhum dos lados que decidisse seguir me colocaria em situação confortável, ao menos em um primeiro momento. Ir significaria fracasso, entrega, aceitação forçada de uma incapacidade de me colocar como pessoa. Ficar me deixaria sob as luzes, agora frias, do palco e sob os olhares e julgamentos dos mais jovens. Ao menos era essa a sensação que tinha naquele preciso momento.
Baixo levemente os olhos para o copo que segurava nas mãos no mesmo instante em que a banda anuncia um intervalo. Tomo mais um gole. O copo se esvazia. Penso que não posso me demorar muito para decidir. Peço mais uma bebida.
Estou sentado em um dos bancos do balcão, atrás do qual ergue-se majestosa uma parede de madeira, vidro e espelhos, fracamente iluminada por luzes amareladas, repleta de garrafas de todas as cores e formatos possíveis. Bastante acolhedor aquele espaço entre o palco e o bar. Atrás de mim as "bartenders" não paravam um segundo sequer. Lábios e unhas pintados de preto, cabelos presos atrás da cabeça formando um "rabo de cavalo" e roupas dignas de se subir ao palco em um show de "heavy metal". Um vigor enorme as colocava em movimento constante, quase frenético à fim de atender a todos. Uma delas, da qual não me lembro bem o nome, me entrega o pedido. Scotch com gelo. Três pedras. (continua)

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: bcPV (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.