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Argeu Argondizo Filho
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Crônica
 
Tempo
Por: Argeu Argondizo Filho

Final de tarde de domingo. Não sei se passa ou para o tempo a me desafiar, a caçoar de mim, sentindo-se ele - é o que percebo - ostentador da maior de todas as verdades, sendo que é ele mesmo a única de todas elas. Inexorável, nos dá a sentença, vira-se e sai. Se tivemos a sorte de tê-lo aproveitado ao menos um pouco a ponto de ter hoje a capacidade de entender sentenças banais, podemos perceber que em poucos aspectos somos capazes de mudar. A pessoa triste que nos tornamos, se nos tornamos, é a pessoa triste que nos acompanhará até o final de nossos dias, escondendo-se por breves momentos de súbita mas volátil boa fé. Passados estes, volta o tempo a nos agredir e declamar nossa incapacidade de nos alcançarmos ou àquele que sonhamos um dia ser. Aquele que quisemos e por breves, cada vez mais, momentos, insistimos ainda hoje em ser. A cara do meu tempo é a cara da solidão. É a cara da certeza de que mesmo acompanhado de rios de pessoas, continuo só por quase não ter minha própria companhia. Tempo, senhor de tudo passou e lavou sentimentos. Como um rio de muitas curvas, também deixou alguns deles enroscados pelas margens que só fazem atrapalhar o livre fluxo da vida. De tanto olhar o rio, de tanto conversar com o tempo já aprendi a mais dura de todas as lições: não há retorno. Sim, as águas já passaram. Perdi a chance. Envelheci. Olho hoje pela minha janela as ruas desertas de meu bairro nesse final de domingo e sinto que minha alma faz parte desse cenário desolado. Uma música ao fundo, vinda lá de longe e ouvida bem de perto por outras pessoas me lembra, porém, que nem tudo está perdido.

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