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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Crônica
 
Terra prometida
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Terra prometida


Os ensinamentos bíblicos citam que após 40 anos de peregrinação pelo deserto, desde que saíram do Egito, os judeus chegaram à Terra Prometida. A trajetória errante de Moisés, durante esse tempo, é contada no Livro do Êxodo. Mas essas provas de fidelidade a Deus seriam recompensadas pelos benefícios que os frutos da nova terra proporcionariam. Quis o destino, porém, que ele nunca pisasse nela. Sua missão terminou no alto do Monte Nebo, na Planície de Moabe, próximo a Canaã.
Passados séculos deste episódio, entremeado de outro sofrimento chamado Holocausto, esse povo vive em guerra na região conhecida como Faixa de Gaza. Mas o período entre a chegada deles e a dispersão pelas diversas regiões do planeta, especialmente na Europa, não é muito comentado nos livros de História. Durante a Segunda Guerra Mundial, devido à perseguição sofrida pelos nazistas, o tormento deste povo voltou às manchetes. Assim, a partir de 1948, vive-se este conflito nesta região.
Inúmeras tentativas para garantir a paz e evitar as agressões mútuas entre israelenses e palestinos já fracassaram. Ultimamente a mídia estampou cenas de horrores 24 horas por dia. Representantes dos dois povos justificam os ataques e se acusam frequentemente. A ONU tenta costurar um acordo que garanta uma mudança de atitude de ambos os lados. Enfim, todos estão empenhados em buscar uma solução. Todos? Será que os fornecedores de armas também?
Sabe-se que a guerra é um negócio. Mas isso não é de hoje. Há muitos séculos, os povos expandiam seus domínios conquistando os territórios que melhor atendiam aos seus interesses. E quanto maior a sua extensão, mais poder o conquistador adquiria. Então, para manter o que foi conquistado e para novas conquistas eram necessários recursos, como em qualquer empreendimento. As armas e os equipamentos de guerra, portanto, nunca deixaram de ser importantes e fabricados.
Daí os termos usados – estratégia, batalha, força-tarefa etc. – quando se trata de vencer um concorrente. Sim porque na guerra só existe um vencedor – aquele que fica com tudo do outro. Neste vale-tudo cada oponente luta com as armas que achar mais eficiente. Da superioridade numérica à disposição individual; do voluntarismo à astúcia; da razão ao idealismo. Quem não se lembra da inesquecível artimanha com o Cavalo de Tróia? Pois é. Em tempos de guerra as regras mudam.
Graças ao recurso da tecnologia, através da mídia, todos os acontecimentos são vistos em tempo real. Ao longo desses 40 anos de rivalidade, hostilidade, ódio, barbaridade e insensatez, esta faixa de terra tornou-se símbolo de conflitos e desrespeito aos mais elementares direitos humanos. Virou até sinônimo de violência, insensibilidade, desvalorização da vida – o último lugar para se viver em harmonia. Como nenhum dos lados cede, vive-se em permanente estado de tensão.
Quando ainda existia a União Soviética, que sustentava todo o regime socialista, o mundo era bipolar em termos de forças. Para contrabalançar o apoio dos Estados Unidos a Israel, os palestinos contavam com a ajuda Soviética. Havia um equilíbrio e um respeito maior entre esses oponentes. Casos isolados eram ações dos grupos terroristas que colocavam o fanatismo acima dos acordos diplomáticos. Agora, com o mundo sendo comandado por uma única potência, a versão é outra.
Mas as armas fabricadas e não utilizadas na época da Guerra Fria, que custaram uma fortuna, apareceram nesses conflitos. Alguém está ganhando um bom dinheiro com a venda delas. À parte as especulações, a verdade é que esta matança interessa a algumas pessoas. Os coitados dos inocentes - civis e crianças -, cujos olhos registram as desgraças e os corações guardam essas dores, que se transformarão em ódio, nem sabem que a vida deles está nas mãos de comerciantes ambiciosos.
Como alguém tem de ser responsabilizado, nomeia-se o Hammas, o Mossad, as divergências religiosas, o direito de posse da terra, a briga pela água escassa na região, enfim, o que interessa é colocar armas nas mãos dos dois lados... e continuar fornecendo munição. Afinal, guerra é um negócio como qualquer um – e precisa dar lucro para se manter. Quanto à terra prometida, um sonho milenar dos judeus, os fomentadores do conflito apostam que ela é exatamente onde está ocorrendo tudo isso.


J R Ichihara
18/01/2009

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