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João Márcio F. Cruz
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Crônica
 
O Arquiteto do Futuro
Por: João Márcio F. Cruz

O arquiteto do futuro

Que mundo é esse onde os pássaros deixaram de sentirem-se seguros na nossa presença?
Que cidades são essas que bloqueiam a luz do sol mas abrem espaço para os tolos e medíocres?
Que ruas estreitas são essas, de onde vieram, para limitar nosso horizonte e espremer a subjetividade sobre atividade autômatas e inúteis?

Para onde foram os trens que nos levavam para uma passeio meio a natureza? Quem trocou os cavalos em seus galopes nômades pelas paisagens cantadas pelos trovadores, pelos mil cavalos dos motores que nos cegam na velocidade?
Que paredes quadradas, retangulares, escravocratas, são essas que expulsaram os capitéis jônicos e coríntions tornando ásperas nossas mãos?

Arranha céus substituíram nossos lares, cheios de amor e colo, mas não converteu o conforto físico em conforto para as almas. Protegidas do frio e da chuva, continuam expostas a solidão e ao medo de viver. Dentro desses ricos e volumosos artefatos da matemática e da física, muitas neuroses e suicídios processam-se.
Para onde foram nossas crianças? Agora, precisam brincar nos quintais da própria imaginação, já que balas estão invadindo seus castelos e reinos encantados, arrancando sangue e desilusões de seus corpos juvenis?!
Os animais vivem engaiolados, sobre jaulas ou caprichos de humanos que encarceram tanto quanto qualquer corrente ou coleira.

A fumaça do progresso cegou-nos e ensurdeceu-nos para as beleza da natureza. Que lugar é esse que escondeu a noite de estrelas com rastros de nuvens escuras e tóxicas? O homem criou venenos, orgulha-se dele mas desaprendeu a viver.
O vento não circula entre nós, choca-se contra a vidraça e coagula-se em pestes e miasmas deletérios.
Os rios, translúcidos e espelhos do sol, ficaram opacos, e convertidos em transporte de lixo, deixaram de nutrir os leitos para assassinar a vida em suas funduras.
Para onde foram, meu Deus, as árvores que compartilhavam o oxigênio? Para onde foram sua sombra e seu arejamento, suavizando essa aridez urbana? Foram convertidas em papel e fóssil moderno, como prova de tolice e ambição desmedida.

Onde estão os arquitetos desse mundo hostil, traidores de Vitrúvio, que insistiram em erguer cidades mas nunca estudaram história, astronomia, medicina ou arte?!
Por acaso, é suficiente uma fita métrica e equações álgebras para construir um lar?
Se faz amor, esperança e espiritualidade humana, com matemática e física, apenas?
Qual faculdade formou-se esse doutos ignorantes que leram tanto, leram tanto que ficaram burros?
Estúpidos que deixaram o cidadão insensível a sua dor, por isso, conformados com sua triste sina, de quem pensa ser civilizado quando as cidades desumanizaram-se no exato momento que o homem esqueceu suas origens e esclerosou-se em suas vaidade, sentindo-se superior ao planeta, a vida.

Dentro e fora deixou de estabelecer limites de amor humano para serem muros de isolamento e indiferença abjeta.
Será que alguém, nessa cidade, pode ouvir meu grito? Bramido de quem já andou por uma cidade de verdade e soube guardar suas lembranças.

Mas não há ninguém para escutar. Dentro de cidades utilitárias, até as pessoas tornam-se meros utilitários, sem ouvidos, sem reação, sem sonhos, sem alma.





João Márcio
Autor do livro Os Quatro Pilares da Educação


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