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Marco Antonio Ladeia de Almeida Araújo
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Crônica
 
A Ética: pessoal e intransferível
Por: Marco Antonio Ladeia de Almeida Araújo

A vida sempre foi e continuará sendo o grande motivo impulsionador das ações humanas, a FINALIDADE objetiva, embora muitas vezes esse motivo seja o seu próprio predador. Isto só ocorre em virtude da idiossincrasia egocentrista latente que todo ser carrega dentro de si - por motivo da própria vida individual e materializada humana necessitar ensimesmar-se - afim de que possa descobrir suas necessidades e habilidades, capazes de fazê-la perpetuar-se enquanto dura, estar sempre sendo desrespeitada pela convivência em sociedade e suas psicopatias decorrentes desse desrespeito: bilionários, serial killers...

A capacidade de transformar o habitat complexificou estruturalmente o humano (que até esse momento vivia bem mais atento a suas individualidades, porém sem um uso racional das mesmas), demonstrou a sua habilidade em manter-se vivo, modificando desta maneira a estrutura social até então estabelecida, acentuando a necessidade de estreitamento dos elos pessoais para que se consumasse a FINALIDADE de perpetuação vital, que passa desde então a prescindir da estrutura social. Transformou o humano em um especializado animal social forçando-o a ser humano. Impôs-lhe a necessidade da adoção de posturas que possibilitassem a continuação da sociedade, "mal" necessário à perpetuação desde que assumiu o poder de transformação a sua volta.

O instinto de sobrevivência e seu desmembramento no medo de não atender à finalidade primordial de todo ser - manter-se vivo -, até então, quase que totalmente atento ao egocentro, também acompanha essa específica complexificação estrutural. O homem agora passa a ter um medo que não tinha antes, o medo social, pois já não mais está tão atento a si mesmo quanto em tempos de animalidade. Por motivo de pacificação social ele cede um espaço dentro de si, já que a sociedade demonstrou-se necessária a vida humana, aumentando e especificando assim, o medo intrínseco à sobrevivência, visto que a partir da necessidade social, algo alheio a sua individualidade passa a fazer parte de sua vida, e o estranho causa certo temor, até porque só se pode saber o que você pode fazer, não sendo possível a sapiência da vontade alheia, ocasionando desta forma um suspense constante. É a sombra psicológica da sociedade. Este é o primeiro traço característico da máscara humana, situado em suas entranhas, ou seja, promotor dos caracteres exteriorizados, que, quando distante da sua finalidade de sobrevivência, exacerbado pelas diferenças naturais humanas utilizadas erroneamente como forma de poder, não direcionado à igualdade interior e ao termo médio aristotélico, o torna refém de "si mesmo" através da adoção de características distanciadoras de quem realmente se é e geradoras de soluções desequalizadoras e chocantes com os dois componentes essenciais à vida: liberdade e igualdade, o que há de comum e semelhante a todos os seres vivos. Estas características que devem sempre estar de acordo com o medo "bom" (impulsionador da sobrevivência) consubstanciam juntamente com as idiossincrasias e habilidades pessoais determinantes da finalidade subjetiva - ambas acessadas através: do auto-conhecimento, que em tempos de capitalismo consumista muitas vezes é vendido em análises psicoterapeutas; e do distanciamento do conhecimento apresentado, afim de uma interiorização objetiva da realidade - a engrenagem modelo da ética existencial, capaz de promover o acesso à VERDADE, que em virtude das diferenças naturais humanas é PESSOAL e INTRANSFERÍVEL, de caráter egocêntrico com revestimento humanístico, no que tange a relações interpessoais indispensáveis pela convivência social, e em prol da FINALIDADE existente em todo ser vivo.

Finalidade primordial de perpetuação

A vida em sua imensa magnitude (latu sensu) necessita manter-se viva, perpetuar-se, precisa de meios capazes de possibilitar a experiência finitiva de seus atuais e futuros elementos constitutivos (o homem, os animais "irracionais", os vegetais, a água...). Esta é sua finalidade primordial já que todas as demais destinações vitais (por ex. o laboro) derivam da necessidade à sua atenção, além de existirem para sua concretização.

Toda e qualquer existência material viva surge com alguma finalidade, com algo a que se destine. A destinação intrínseca e primordial que ao mesmo tempo a capacitará e será seu fim, é a manutenção da própria vida, já que empiricamente torna-se difícil e até mesmo triste, diante da beleza e da força da vida, a imaginação do surgimento seguido de um imediato e posterior desaparecimento. Diante da complexidade existencial, interpretações sofistas a essa máxima e simplórias em essência, no mínimo, apresentar-se-iam ignorantes, pois a realidade empírica, as leis naturais físicas de ação e reação, ou seja, a própria vida nos impor através de seus fatos insofismáveis esta constatação.

É por motivo desta primeira destinação que a vida evolui e busca soluções capazes de proporcionar-lhe uma maior efetividade, e, ou, eficácia existencial: a fotossíntese, a razão, a agricultura, a sociedade, a ciência... É tão só para perpetuar-se, tanto subjetivamente quanto objetivamente, pois é centelha constituinte da vida maior, que o homem trabalha, alimenta-se, socializa-se, casa, procria e ama. E é a união destas atitudes subjetivas de manutenção da vida individualizada que proporciona a continuação do ciclo existencial que necessita perpetuar-se, visto inimaginável ser o fim da vida.

As ações ao longo do espaço-temporal sempre foram e serão travestimentos dessa primordial finalidade vital de perpetuação, desta vontade intrínseca a todo ser vivo de continuar vivo enquanto dura e inconscientemente de possibilitar a existência da própria existência, da vida latu sensu.

Pena a razão humana ainda ser tão razão a ponto de não racionalizar a necessidade de trazer ao consciente e posteriormente ao inconsciente coletivo o caráter objetivo da manutenção vital subjetiva capaz de proporcionar a FINALIDADE PRIMORDIAL DE PERPETUAÇÃO VITAL em sentido amplo a qual deve atender seus dotes basilares de igualdade e liberdade a fim de conseguir seu maior grau efetivo, culminando ao fim da odisséia na tão sonhada e perseguida paz.

O surgimento da razão

A vida ao passar dos tempos tem-se apresentado maniqueísticamente: externamente diferenciada e igualizada em seu interior. Demonstra-se diferente, porém, objetiva a semelhança (o bem comum). Tem explicitado sempre a outra forma de comunicação que não a racional: o sentimento de vida livre e igual, capaz de possibilitar à perpetuação, se utilizado como caminho condutor direcionado pela razão.

A utilização dos extremos, muito em decorrência, do medo patológico, é a grande produtora dos conflitos e da desigualdade social. O humano em tempos de animalidade utilizava muito mais seu lado sentimental que o ser humano atualmente "U.S.A.", embora esta utilização nem sempre estivesse atenta a seu fim - a vida - e em decorrência deixava de equalizar a força bruta do seu sentimento subjetivo com a razão (ainda não aperfeiçoada), gerando soluções as quais iam de encontro ao sentimento vital, livre e igual objetivo, aplicável erga omnes ("contra" todos - usando a técnica de distanciamento do conhecimento e prestando atenção à finalidade do que se está impondo contra todos, esse "contra" passa a ser a favor, demonstrando o quão ilusória é a realidade, circunstancial a verdade, o agora, tudo o mais é no máximo verossimilhança, e a necessidade de atenção à essência do conhecimento, assim como a vida nos impõe a necessidade de atenção à sua essência: a continuação vital), ferindo muitas vezes seus elementos constitutivos.

A vida começa a demonstrar a necessidade de seu objetivo: ela mesma "(egocentrismo)" e impõe ao humano (centelha da vida absoluta) a precisão da vida social e a utilização do meio-ambiente em atenção ao seu fim, dando-lhe a razão. Com a possibilidade de transformação exterior, o homem começa a exercitar a racionalidade, e com a especialização desta, conseqüente da prática, e da evolução em sentido amplo, passa a usá-la não de forma objetiva como deveria, mas subjetiva e egoisticamente, em detrimento ao sentimento (o caminho já esquecido e que nem mais possui a desgastada aplicação subjetiva dos tempos animalescos), esquecendo a finalidade do seu aparecimento - a proporcionabilidade de atingimento do fim maior de continuação vital - instaurando assim a era da razão, onde esta é estabelecida com status de verdade dogmática e único elemento capaz de levar à felicidade e cura das enfermidades.

O egoísmo psicopático, racionalmente expressado, proveniente desse medo primitivo potencializado por: sociedade; diferenças naturais utilizadas como poder; não direcionamento à igualdade interior; não uso do termo médio aristotélico - o caráter objetivo (em prol do coletivo), capacitador da pacificação social, exterminador do maniqueísmo aparente (pois, somos todos, energia materializada humana, necessitamos de manutenção do ciclo vital) - instalado nos animais sociais, proporciona ao ser humano a desequalização das energias vitais, fazendo-o chocar-se com seu objetivo: a vida, e com os objetivos desta: liberdade e igualdade (caracteres essenciais à máxima efetivação da perpetuação), ao adotar soluções como a propriedade privada.

Mais uma vez a vida começa a impor a urgência de atenção ao seu fim. A ciência demonstrou-se falha, é possível clonar, mas é ainda mais necessário o avanço tecnológico que proporcione o desaparecimento de Bushs, Husseins, terremotos, maremotos, destruição da camada de ozônio, fome, egoísmo, medo social enfermo que tem na igualdade o seu calcanhar de Aquiles, falta de dignidade da pessoa humana, propriedade privada, desigualdade social, violência urbana, capitalismo consumista... As circunstâncias estão mais uma vez impondo nova especialização ao humano, já não há mais lugar para os maniqueísmos animalescos (sentimentais) e racionais - os extremos são desequalizadores, necessário se faz o termo médio objetivo - os quais desembocaram em todos os vícios acima citados. É preciso atenção ao fim cabal da vida, ela mesma!, o seu objetivo, e para sua consecução, a adoção de uma nova postura da vida humana, a qual tenha uma aplicação onde não caibam mais subjetivismos em suas relações, e seja capaz de fazer do sentimento o seu trilho e da razão o seu guia. A vida grita por atenção à sua finalidade! A ciência não descobrirá um remédio ou uma solução possibilitadora do fim dessas enfermidades, esta solução é a própria continuação vital e a postura exigida para sua concretização, a postura de atenção à finalidade latu sensu (vida ampla) e stricto sensu (vida individualizada), sendo que as duas vertentes estão ligadas intimamente sendo a segunda dependente do objetivo da primeira para que haja realmente uma felicidade equânime capaz de gerar a paz social.

O mau uso da razão nas relações humanas distanciou o homem do seu fim, fez dela trilho em lugar de guia, extrapolando seu campo de ação, que como todos os campos de ações possíveis e imagináveis dentro das relações humanas deve atender ao objetivismo intrínseco a todo ser vivo: a sua destinação, a qual fundamenta a sua existência, pois se algo existe não existe simplesmente por existir, este algo tem a sua finalidade. Tudo que é vivo tem como finalidade primordial a manutenção da sua vida. O humano como ser social e especificado necessita de uma forma para que seja possível a manutenção da sua existência, mas uma forma objetiva, que além de mantê-lo vivo particularmente possibilite a manutenção da vida latu sensu: o laboro, que diferencia-se do trabalho porque não visa a acumulação de alguma forma de riqueza material para a manutenção vital, visa tão somente a manutenção. O laboro, porém, devido às diferenças naturais, deve atender à finalidade particular de cada ser, atentando às idiossincrasias e às habilidades pessoais decorrentes da interiorização do conhecimento ao longo da vida, e não aos vícios contidos no sistema induzidores à vivência de uma finalidade distante da sua, já que essa deva ser construída em cima das singularidades pessoais. Esta é a primeira etapa a ser percorrida rumo à felicidade, onde o inconsciente deixa de ser um peso e passa a ser um atrativo. A segunda atenta à vivência desta primeira fase existencial, como ela se desdobra em relações interpessoais e como estas devem ser vivenciadas (modelo pessoal e intransferível da máscara social) em afinidade com os objetivos da primeira fase para que as engrenagens encaixem-se, e não, sobreponham-se.

Máscara social pessoal e intransferível

O humano é um ser social, e para isso necessita distinguir-se racionalmente, a fim de proteger-se: para a manutenção da própria vida, através da criação de uma personalidade; e atento a evitar confusões que possam atrapalhar a convivência social. A forma mais acabada para a concretização desses dois propósitos encontra-se no "eu", ego, persona, máscara social, e demais conceitos conexos a esse fim imposto pela vida e potencializado pelas intempéries e obstáculos a serem rompidos pela continuação da existência natural.

É comum a adoção de posicionamentos e até mesmo atitudes incongruentes com o sentimento que se tem para consigo mesmo, o qual deve ser o manancial natural do ego, capacitador à existência pacífica, e distanciador da enfermidade, pois é a expressão da verdadeira consciência individual, e não a razão pura como prega a cultura "ocidental".

Como já foi mencionado no corpo do texto, o ego nasce com duas finalidades principais e basilares a sua existência: segurança e convivência social. Por segurança, o "animal" se individualiza, adota uma postura com determinadas características como sendo todas suas, estabelece uma barreira ao próximo, ao diferente, mostra-se e espera o respeito pretendido com o personagem apresentado, enfim, procura amenizar o medo instintivo, o primeiro de todos: o medo de não sobreviver, o qual vive a - na - sombra humana. Porém, na tentativa de passar pelas intempéries com o mínimo de prejuízo, o humano esforça-se bastante, e por este motivo, adota características que fazem-no sentir-se "mais seguro", contudo características as quais levam-no a vivência do que não se é, a se desrespeitar, a corromper-se, e a gerar uma série de incongruências. Por convivência social, imposição da vida aos humanos devido ao aumento populacional e conseqüente necessidade de manutenção vital (necessidade maior de qualquer ser), o humano adota posicionamentos, os quais, não teria, caso vivesse só: evitando possíveis embates entre pessoas; forjando ser o que não é; tentando tapar carências geralmente decorrentes de algum fator aborrecedor da igualdade ou liberdade; etc... Dessa forma adiciona ao seu eu caracteres não condizentes nem com suas idiossincrasias, nem com suas habilidades conexas a suas individualidades decorrentes da socialização (que serão os parâmetros da descoberta do, e adequação ao, laboro, instrumento da concretização da manutenção vital), tampouco atentas à igualdade e liberdade, binômio concretizador da vida feliz e pacífica, formando também, desta maneira, uma leva de incongruências na mente humana. Os choques são conseqüências dum inchaço no eu: duma não atenção à finalidade da adoção de características; e também da eleição de valores incongruentes com a máscara original, proporcionadora da felicidade.

O ego é algo que se forma com o passar do tempo, à medida que a pessoa vai se socializando. É reflexo dos seus moldes primários, de suas experiências secundárias e da emoção gerada por essas duas etapas. É como as pessoas se apresentam, ainda mais, como acabam acreditando ser, visto a repetição de determinados valores constantemente acabar se tornando uma característica assimilada a - pela - persona, por mais que não condiga nem com as idiossincrasias e habilidades conexas a estas singularidades. Disto decorrem as incongruências da personalidade, a vontade de respirar enquanto se bloqueia as vias respiratórias, o caminho extremamente maniqueísta seguido pela alma humana, enfim: caminhar em sentido avesso ao da vida.

A máscara ou persona, sendo um conjunto de características eleitas, ou afloradas, subjetivamente, e muitas vezes, erroneamente impostas pelos socializadores, com o fim de convivência social, deve ser construída em prol dessa convivência e atentar à sua finalidade (finalidade do convívio): a continuação vital, que como visto tem duas etapas: a manutenção vital (finalidade primordial) através do laboro (o qual deve estar sempre afinado com as individualidades possibilitadoras da vivência da finalidade pessoal e intransferível); e a vivência dessa finalidade (continuação; exercício) em consonância com o termo médio (proporcionador da pacificação e castrador dos extremismos) que irá ser o meio capaz de equalizar a aplicação dessas individualidades, a fim de se evitar os conflitos decorrentes de algum mal causado pela não observância à finalidade de criação de uma máscara - perpetuação através da convivência social, a qual deve ser pacífica, para que consiga sua maior efetividade

Sendo assim, é necessário o respeito a adoção de uma persona atenta ao laboro adequado a suas singularidades e sapiente da existência, no outro, de um ser igual em essência, que merece assim como o adotante de tais características, de liberdade para estabelecer suas individualidades (direitos) e de igualdade para manutenção da paz social (deveres; solo desenvolvedor da felicidade).

Engrenagem modelo da ética existencial

É: no conteúdo, olhar-se mais, ensimesmar-se, transvalorar-se assim como citou Nietzsche e descobrir nesse mergulho o seu EU mensageiro da eficácia plena das virtudes pessoais; e expressar-se, ou revestir-se do caminho afirmado pela ética aristotélica, aliada aos questionamentos socráticos, adicionados a uma reminiscência explicitada por Platão, porém esta, com um mundo não ideal, e sim mutável - condizente com o termo médio contido na já citada ética aristotélica -, que está vivo e precisa de ar puro para respirar da melhor forma possível, catalisado pela felicidade verdadeira - a que acontece. É libertar-se para, atendendo, efetivar, a racionalização do sentimento (finalidade da razão) da essencial igualdade existencial, concretizando o caminho a ser trilhado por cada pessoa em prol da manutenção e perpetuação vital, é seguir a ÉTICA PESSOAL E INTRANSFERíVEL.

Marco Antonio Ladeia de Almeida Araújo
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 01/08/2007

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