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João Márcio F. Cruz
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Crônica
 
Meu primeiro e último amor - lembranças de um velho adolescente
Por: João Márcio F. Cruz

Meu primeiro e último amor - LEMBRANÇAS DE UM VELHO ADOLESCENTE


Era o primeiro encontro. Cheguei uma hora antes para decorar meu discurso. Preparei um poema de Fernando Pessoa, treinei o olhar, testei o tom da voz, ajeitei a blusa, acochei o cinto e coloquei um pouco mais de perfume. Na hora marcada, ou seja, dez minutos de atraso, ela chegou. Estava linda. De macacão azul, era uma menina mulher. Seu cheiro invadiu meu corpo e fiquei com vontade de abraça-la, antes mesmo de falar qualquer coisa mas a prudência não me deixou. Cumprimentamo-nos e sentamos. Todo o meu discurso foi por água baixo. Uma coisa é preparar-se para a vida, outra coisa é quando estamos cara a cara diante dela. Sua mão, tão macia, segurou a minha. Seu cabeço solto denotava que estava disponível. Eu tremia por dentro mas não demonstrava. Era amor demais para uma pessoa aguentar! Eu ensaiei algumas palavras bonitas. Tudo bobagem. Diante do outro, não são necessárias. Existia um silêncio lindo entre nós. Conversamos durante alguns minutos sem falar nada. Então, um som de fundo aguçou-me os sentidos.

Seus lábios estavam úmidos. Eu levantei seu cabelo para libertar seu pescoço. Uma pele branquinha e lisa, com alguns sinais juvenis. Eu engoli a seco. Ela também. Ela pediu para fechar a janela. Levantou-se. Eu aproveitei para fechar o botão da minha blusa. Ela voltou. Sem demoras, nos beijamos. Comungamos do mesmo hálito. As línguas enrolaram-se, tocaram os dentes, sugaram-se oferecendo o líquido do prazer. Eu mordi seus lábios. Ela gemeu e fechou os olhos. Segurei suas mãos. Ela me abraçou. Seus seios, eriçados, tocaram meu peito. Eu levantei-a e coloquei em meu colo. Beijei-a com força e ternura. Ela se entregou e beijou meu pescoço. Mordeu meu queixo. Com minha mão direita, segurei seu quadril e pressionei-a contra meu púbis. Minha mão esquerda segurou suas costas, empurrando-a sobre mim. Ela soltou as sandálias. Seus pés enroscados nos meus pés não mostraram qualquer timidez.

Aquela boca, eu poderia ter beijado pelo resto da noite mas o relógio conspirou contra nós. Duas horas se passaram e tivemos que ir embora. Nunca senti um amor tão grande, sem qualquer conluio sexual. Eu perguntei se poderia vê-la novamente. Ela sorriu discretamente, olhou para baixo, protegendo-se sob seu cabelo marrom e disse sim. Eu ainda dei-lhe um beijo de despedida e sussurrei em seu ouvido: - eu quero você! Ela respondeu: - eu também. Por fim, deu-me um abraço muito forte, para grudar meu cheiro em seu corpo e nos despedimos. Aquele foi um dia maravilhoso! Que pena que foi o último. No outro dia, o ônibus que ela viajava de casa para a faculdade virou e todos morreram. Ela foi levada para o hospital mas já chegou morta. Um pedaço de mim morreu com ela.

Depois disso, pensei em alertar as pessoas. É preciso amar as pessoas como se não houvesse um amanhã, porque as vezes não há...

Com certeza, vou encontrar outra pessoa. Vou casar, ter filhos mas nunca mais encontrarei aquela que me fez sentir que vale a pena viver, mesmo sendo apenas um ser humano. Onde quer que você esteja, nesse momento, muito obrigado. Foram suficientes alguns minutos de amor verdadeiro para me devolver esperança, para voltar a acreditar na vida, no amor.

Daquele que ainda anseia encontrar-te, algum dia, em algum lugar...






João Márcio F. Cruz
Autor do livro Os Quatro Pilares da Educação

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