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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Crônica
 
Geração privilegiada
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Geração privilegiada

Ser negro neste mundo não é nenhum privilégio. Nos Estados Unidos e na África do Sul, então, com a segregação racial, era muito difícil. Mas as mudanças acontecem e obrigaram que esses conflitos fossem resolvidos de outra maneira. Foi preciso ousadia e exposição dos grupos como Black Power, do líder Nelson Mandela, do pastor Martin Luther King e de outros exemplos de luta.
Até os anos 1960 a discriminação racial era muito forte entre os norte-americanos. Mas foi nesta época que se consagraram os negros que foram noticias no mundo: Cassius Clay, Louis Armstrong e Sidney Poitier, no esporte, na música e no cinema. Esses casos isolados, entretanto, não evitavam a marginalização que as pessoas de cor sofriam no dia-a-dia. Ser negro era ser inferior!
Mas foi exatamente nos Estados Unidos, marcado por violentas manifestações de racismo, como a Ku Klux Kan, que um negro chegou ao posto mais importante do país - o de presidente da república. Esse evento foi celebrado no mundo todo, como um exemplo de democracia, do direito de escolher alguém independentemente da cor da pele. Afinal, Malcolm X também lutou muito por isso.
Barack Obama não é apenas o primeiro presidente negro eleito pelos Estados Unidos. Ele sintetiza séculos de luta por igualdade de oportunidades de uma raça, mostrada pela história da maioria dos países desenvolvidos. Sua vitória foi festejada em todos os lugares onde existe discriminação ou preconceito de cor. Se a situação econômica do país não é boa... a política é ótima.
Esse fato teve uma repercussão muito maior que a eleição de Nelson Mandela. Após décadas de prisão na África do Sul, devido ao regime do apartheid, ele tornou-se presidente deste país. Talvez isso tenha contribuído para viabilizar a chegada deste outro negro à presidência de um país que, apesar de democrata, discrimina e mantém um visível preconceito contra as pessoas de cor.
O assassinato de Luther King, em 1968, que ousou ter um sonho onde branco e negro podia conviver pacificamente, despertou para uma consciência acima das diferenças raciais. Mas este ano também foi diferente pelas diversas manifestações de insatisfação que ocorriam no mundo. Até no nosso país ele ficou marcado como aquele que nunca acabou. Os sobreviventes viram as mudanças.
Quem viu os horrores da Segunda Guerra Mundial, com uma cortina de ferro separando o capitalismo do socialismo, impondo às pessoas um regime independentemente da vontade individual, hoje pode se sentir um privilegiado. Ver a queda do Muro de Berlim – e de alguns regimes opressores – enfraqueceu a ascensão de alguns ditadores no mundo. Além de permitir a opção por ideias diferentes.
Ainda convivemos com extrema pobreza na África, mas vemos a enorme mobilidade socioeconômica na China, que tomou da Alemanha o posto de terceira maior economia do planeta. Se lá o regime ainda é ditatorial, o desenvolvimento beneficiou milhões de pessoas. Na Índia, outro país extremamente pobre, ainda sob o regime de castas, também vemos uma ascensão das pessoas.
No Brasil, o nosso cidadão mundialmente conhecido, o atleta do século Pelé, também negro, não conseguiu poder suficiente para mudar muita coisa na sociedade. Apenas serve como referência e exemplo para uma escalada na ascensão social. Mas vencemos o preconceito sobre a exigência, indispensável, de uma formação acadêmica para ocupar a presidência da república, elegendo o Lula.
Nas áreas da ciência e da tecnologia nunca se viu tanto avanço. Aos poucos se vê os resultados nos transplantes de órgãos, há poucos tempos inimagináveis, como uma ocorrência rotineira. A nanotecnologia, o estudo com as células tronco e a inteligência artificial nos aproxima cada vez mais de um mundo onde os recursos científicos atenderão quase todas as nossas necessidades.
Muitos poderão questionar sobre a degradação do meio ambiente, a fome e a miséria, as catástrofes devido ao desequilíbrio ecológico, a falta de perspectiva para milhares de pessoas, a violência por causa do trafico de drogas, a perpetuação da corrupção. E não deixam de ter razão, mas são situações pontuais que podem mudar. Para isso, basta combater com inteligência esses passivos.
Se os erros cometidos serviram para aperfeiçoar os métodos utilizados para se atingir um objetivo, o aprendizado é interminável e as pessoas sempre tiram grandes lições após conviver com adversidades, podemos dizer que a geração que presenciou tudo o que foi dito anteriormente é indiscutivelmente privilegiada. Ela teve a oportunidade de viver o antes, o durante e o depois dos fatos.

J R Ichihara
25/01/2009

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