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Conto
 
E se eu fosse um livro
Por: Mark Brunkow

E se eu fosse um livro

Eu seria um livro de capa dura, grosso, daqueles que param em pé. Não seria um best seller, não seria muito conhecido. Seria daqueles que ficam escondidos na prateleira e que são pouco lidos, aqueles normalmente empoeirados e esquecidos ignorado pela maioria das pessoas. Com certeza seria julgado pela capa e por isso mesmo menosprezado.
Mas aos poucos afortunados que se prestassem ou se atrevessem a lê-lo seria um deleite. Ficariam encantados com a simplicidade e beleza encerradas em suas linhas mal traçadas e cheias de verdades e dúvidas concretas. Seria como descobrir em uma viela pouco movimentada um pequeno restaurante com comida simples e deliciosa e que somente seria recomendado a poucos e sinceros amigos. Seria como apreciar um bom vinho em companhia agradável, seria descobrir um prazer simples. Um segredo intimo, quase obsceno.
Ao me lerem descobririam uma história cheia de magia e realidade, alegrias e tristezas felicidade e dor como toda história humana em sua jornada. Seriam apresentados a batalhas épicas travadas contra dragões diários gigantescos e aterrorizantes de dúvidas e incertezas envoltos em brumas de mistérios cotidianos. Veriam vitórias magníficas de mãos dadas a derrotas épicas em um constante e cíclico aprendizado moldando assim a ferro e fogo o caráter humano.
Encontrariam amores ocultos que são descobertos ao poucos como devem ser, sem alarde, mas de maneira extremamente excitante. Encontrariam rotas de fugas mirabolantes para paraísos distantes que ocultam sentimentos presentes. Paixões secretas que norteiam vidas concretas. Descobririam que a vida sem amor e a música seria um erro.
Lugares comuns estariam presentes, não poderiam faltar “sempre te amarei”, “nunca falharei com você”, “não, você não engordou”, “nunca broxei, isso nunca aconteceu comigo” entre outras inverdades necessárias para uma boa trama e enredo empolgante. Sem muito sexo, mas muito erotismo e sensualidade.
Haveria morte, pois ela faz parte da vida. Não a morte doida e sofrida a morte necessária àquela que nos lembra de nossa condição humana mais básica. Que somos apenas passageiros nessa história e que novos personagens necessitam aparecer para continuar contando nossa história. Que nossos atos é que nos definem e que nossa conduta é que ecoara quando não mais estivermos aqui.

A leitura decorreria devagar, preguiçosa mesmo, mas não uma preguiça pecaminosa, uma preguiça com gosto de não querer que acabe de saudade antecipada para manter ao máximo possível a inevitável descoberta do final.

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