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Angela Maria Pinkfloydiana
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Crônica
 
O Advogado.
Por: Angela Maria Pinkfloydiana

Amanheceu chovendo forte na primeira segunda feira do mês, ele invocou toda sua hombridade e puxou as cobertas quentes, lavou o rosto e foi para a sua lida diária. Era um advogado de renome e tinha um escritório respeitado. Estava indo muito bem na profissão, mas lembrava os tempos áureos da faculdade onde esperanças e ambições andavam de mãos dadas. Toda sua familia era do ramo e ele não chocou a eles quando disse que um advogado com uma pasta pode roubar mais que cem ladrões com metralhadoras. Era a mais pura verdade e negar isso era como viver sob o véu da hipocrisia. Esqueceu os idos do passado e foi ao trabalho em seu escritório. Atendia gratuitamente as segundas feiras, era uma forma de aliviar sua consciência pesada. Mas esse dia era muito divertido para ele, pobres são sempre uma piada juridicamente. É um tal de mulheres bonitas e jovens requerendo pensões alimentícias, boas senhoras e seus filhinhos furtadores viciados em crack, enfim, um prato cheio para seu senso crítico. Mas uma moça chamou sua atenção assim que ele entrou na ante sala, não pelo seu olhar forte, sua boca carmim de cupido , nem seu corpo faceiro de morena rosa. O que prendeu sua atenção foi o fato de ela chorar para si mesma, não deixando transparecer como fazem as mães evangélicas de filhos desviados . Olhou de relance mais uma vez para suas belas pernas e entrou na sua sala. Não a atendeu primeiro como era seu ímpeto, mas esperava ansioso o momento de saber quem era ela. Quando duas longas horas depois ela sentou em sua mesa, ele achou que era um caso de pensão como de costume, mas a moça olhou para ele com seus olhos de corça sérios e disse: eu vim aqui para agradecer ao senhor ter ganho a causa que foi julgada semana passada, graças ao senhor a minha e mais nove famílias foram despejadas do lugar onde meus avós nasceram. Espero que o senhor saiba que vamos para a rua, mas que temos mais caráter e culhão que o senhor e suas abotoaduras de ouro. Aquilo calou fundo, orador veemente, acostumado a grandes tribunas, não conseguiu falar nada. Foi pego de surpresa. A moça levantou-se lhe lançando um olhar de fogo e saiu batendo a porta com tanta força que quebrou o trinco. Ele decidiu parar por ali. Entrou no seu audi a8 e pensou calmamente no assunto, ele não estava errado, era uma ação de posse de terras de uma grande usina e o juiz julgou como achou justo, apesar de ser o padrinho de seu único filho. Espantou esses pensamentos da cabeça e enquanto passava pela periferia, com suas palafitas e favelas para chegar ao fórum da cidade vizinha, para mais uma tarde de audiências que já estavam devidamente encaminhadas, resolveu que iria tirar umas férias na Europa com sua família, afinal a advocacia moderna anda realmente muito estressante..

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