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Angela Maria Pinkfloydiana
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Crônica
 
Bibi.
Por: Angela Maria Pinkfloydiana

Bibi balançava o rabinho ansiosa , enquanto sentia o doce perfume importado da sua dona se aproximando enquanto ela subia as escadas. Sabia que quanto mais festa fizesse, mais beijinhos retribuísse a sua dona cheirosa, maior seria a possibilidade de ganhar um presuntinho em meio ao café da tarde .Era uma cadelinha linda, muito dengosa e bem consciente da sua fofura e do seu poder de agradar as pessoas.Por isso mesmo sabia dos seus direitos: Todo sábado, lá ia ela: banho, tosa, lacinhos e muito mino, só o que precisava fornecer em troca era preencher o vazio no coração de seus donos.Sua "mãe " era uma dona de casa entediada, uma mulher linda,esposa de um marido rico e frio.Não tiveram filhos, ele queria estabilidade e ela não queria engordar.Então ele não se importou de pagar umas centenas de reais por Bibi num pet shop do bairro de classe média onde moravam num apartamento pequeno, mas bem localizado, podia-se ouvir o marido complementar . Ele como um advogado inteligente achou uma boa saída para acalentar o instinto maternal da esposa .Mas eram felizes, na sua rotina .Bibi era a estrela da casa, tinha o melhor alimento, o preço da sua ração era digno do quilo de uma boa carne para um almoço de domingo de qualquer família feliz do subúrbio . Mas Bibi não era feliz, sentia inveja dos cachorros da rua, que ela via enquanto passeava no carro com seus donos, cabeça pra fora da janela, pelos ao vento,batia uma vontade louca de rasgar os sacos de lixo nas esquinas das ruas, roer o resto dos ossos em meio as cascas das verduras, latir alto, correr sem coleiras de grife, fazer pipi na rua, livre, solta.Mas sabia que essa não era a sua realidade, sabia que ela era obrigada a fazer gracinhas , viver de aparências, estar sempre linda e cheirosa, virar de barriga pra cima e lamber os pés macios das amigas de sua "mãe".Pensava isso nas horas que passava no salão, arrumando os pelos , cuidando das unhas e fingindo ser feliz.Exatamente como sua dona.Criador e criatura abafando seus instintos animais.

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