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Angela Maria Pinkfloydiana
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Crônica
 
O menino Pedro.
Por: Angela Maria Pinkfloydiana

Pedro nasceu em um lar desfeito na periferia de uma grande cidade. Sua mãe trabalhava fazendo faxinas e vendendo cosméticos de revistas nas horas vagas, e ele tinha dois irmãos menores que cuidava durante o dia Nunca conheceu seu verdadeiro pai. Sua mãe não gostava de falar sobre isso e só dizia que ele foi feito num momento de descuido com um homem que não a amou e sumiu. Foi criado como filho pelo pai de seus irmãos, que abandonou sua mãe quando conheceu uma mulher mais nova com quem foi morar no bairro vizinho. No começo ele sempre os visitava mais as novidades da moça o absorveram por completo e ele acabou sumindo. Mas a vida continuou para eles, sua mãe logo arranjou um novo namorado com o qual passava os finais de semana, os obrigando a ficar com sua avó que Pedro não gostava porque ela fumava e falava palavrões. Não que Pedro fosse santo, já tinha doze anos e por mais que se mantivesse arredio acabava se relacionando com os outros moleques da rua, se não fizesse isso acabaria apanhando. Ele sabia que era desse jeito mesmo. Sempre era ridicularizado pelos meninos viciados em Crack porque pedia pro seu Nestor da padaria lhe dar o jornal de ontem. Mas não se importava com as chacotas porque sabia que estava conhecendo o mundo através daquelas folhas amassadas. Mas no fundo não gostava do jeito baixo da favela. Ele achava que merecia mudar de ares e ser como os meninos que vão para escola de ônibus e fazem lanches nas cantinas, então decidiu que iria se esmerar mais e estudar com afinco para ser um doutor. Médico ou advogado? Queria saber o que seu pai gostaria que fosse e pensou em sua mãe, que queria que ele aprendesse com o padrasto como ser pedreiro. Não, disse para si mesmo eu vou ser doutor, e foi no meio desse devaneio que apareceu um ônibus embalado na ladeira que não conseguiu fazer a curva e acertou a mangueira aonde o mulatinho lia o jornal. O motorista desesperado tentou em vão socorrer o menino. Ele estava voltando para aquela linha depois de muitos anos afastado e não reconheceu as curvas da ladeira e nem o rosto de seu filho.

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