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Crônica
 
Uma viagem aos porões do meu interior...
Por: Viviane Nascimento

Uma viagem aos porões do meu interior...
(Vivian Nascimento)


Hoje acordei com um desejo incontrolável de viajar...
Fiz as malas e parti...
Levo poucas coisas em minha mala: algumas lembranças, alguns sonhos, pequenos desejos, algumas lágrimas e uns sorrisos que guardei pra quando me faltar. Levo também um pouco de coragem para persistir quando os caminhos me apresentarem barreiras, obstáculos.
Vou indo, sairei pela porta da frente e entrarei pela janela, não quero ser “vista” ao chegar...
Antes que me perguntem para onde vou , direi, viajo ao porão que há em mim...

Nossa!!! Estou chegando, e daqui já avisto muita poeira, teias de aranha... A visão ignota que tenho me assusta, está escuro, mas continuo, quero saber o que há “lá dentro”... A janela está entreaberta, empurro-a lentamente para ter acesso ao interior do porão, sinto calafrios, tudo é muito estranho...
Continuo caminhando...
Sinto que se emaranham em mim algumas teias. São aquelas que avistei pelas janelas. Tento “livrar-me” delas a todo custo, após muito esforço consigo...
Parei pra refletir e pensei: nossa porque este lugar está assim?
Então me lembrei das vezes em que por algumas razões me abandonei e percebi a situação como consequência daquele abandono. O abandono de mim mesma.
Olhei adiante e vi algo que me chamou a atenção, eram “cacos” pequenos que pareciam de vidros. Fiquei curiosa. Levantei, e com cuidado para não me ferir, fui vê-los. Ao chegar perto vi que nada mais eram que pedaços do meu coração, o qual por vezes ferido foi fracionado. De tão pequenos os cacos davam a entender que despedaçados daquela maneira não mais voltariam a bater aquele que antes “era” talvez um coração. Mas senti pulsá-lo naquele instante dentro de mim, desfeita do pensamento causado por aquela visão...

Curioso...
Em meio aquilo tudo, mesmo estando escuro, frestas (pequenas) de uma misteriosa luz quebravam um pouco a escuridão que havia ali.

Levantei e segui...
Olho ao lado e vejo em um cubículo algumas coisas abandonadas, umas em embrulhos bonitos, intocados, outras em pacotes entreabertos, todas jogadas ao chão.
Me aproximei, bati um pouco a poeira e comecei a abri-los. Qual não foi a surpresa quando ao tirá-los um a um dos pacotes e arrumá-los em um cantinho no chão, vi que aqueles eram os meus sonhos... Deixados pelos caminhos em determinado momento da minha vida.
Aqueles em embrulhos eram os que Deus sonhou pra mim, mas não tive coragem de realizá-los. Fui fraca.
Os que estavam em pacotes entreabertos foram os que tentei realizar, mas que por alguma razão ou razão alguma, não fui até o fim.
Por uns instantes me senti “covarde”, quis voltar. Naquela hora as frestas de luz ficaram mais fortes e aquela pontinha de coragem que havia em minha mala me fez prosseguir.
Deparei-me com madeiras um pouco pesadas e algumas tralhas que me impediam de adentrar a próxima porta... E agora?
Sentei-me um pouco para descansar, repor as forças.
Levantei-me, e com um esforço desmedido comecei a retirar do caminho aqueles obstáculos... Consegui enfim.
Entendi que aquelas madeiras simbolizavam as tempestades que por vezes molharam meu chão de açúcar e quando veio o sol já não havia quase nada de mim...
Ao adentrar a porta senti-me forte outra vez, vi de novo e com mais intensidade o brilhar daquele sol que tocava suavemente meu rosto e secava as feriadas da minha alma... Que sensação gostosa aquela...
Pensei: já posso voltar recomeçar do lugar de onde hoje parti trazendo comigo esta mala quase vazia; percorri campos planejados, e entrei por portas escuras que me trouxeram luz; levo comigo agora uma bagagem leve que não tem preço.
Mas uma voz ecoou naquele lugar inóspito “habitado” apenas pela minha passagem instantânea...
Dizia: ainda não é o fim!!!
E a luz que a mim se revelou em pequenas frestas agora toma conta do porão e mais uma porta se abre, desta vez sem minha intervenção...
Ao abrir-se me revela os degraus que subi até alcançar aquele estágio da caminhada...
Os obstáculos que sem perceber venci...
Os sonhos que aos poucos fui reconstruindo...
As pegadas deixadas no caminho que me levou a reconstrução do castelo dos meus sonhos...
A luz que havia no fim do túnel...
Revelou-me que aquelas frestas eram o sinal da presença constante de Deus ao meu lado...
Mas ainda precisava adentrar por mais uma porta, a última. Aquela que me pôs diante de tantas revelações.
Onde me levaria?
Descobri. Me levou ao lugar de onde parti. Voltei sem precisar percorrer os mesmos caminhos outra vez.
De volta estou a minha casa. Sei que viajar foi preciso.
Desfiz as malas.
Respirei fundo, me senti mais leve... Encerro aqui a minha viagem... Abandonei na parte escura daquele porão, não meus sonhos, minha alegria, meus sorrisos, minha força. Deixei lá, tudo aquilo que me transportava ao passado impedindo-me de viver e ver a beleza que há no presente, nos sonhos que ainda tenho e que continuarão a ser sonhados até o dia em que finalmente serão alcançados.
Agora, um descanso merecido, vou deitar, fechar os olhos e dormir... Sonhar novos sonhos...
Ao acordar, viver a realidade que tenho em mãos antes que ela escoe por entre os dedos como gotas de orvalho...



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