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Luiz Roberto Pires Domingues
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Crônica
 
Uma Política Suja e Sorrateira
Por: Luiz Roberto Pires Domingues

A Lei Ordinária nº 12.527, sancionada pela Presidenta da República em 18 de novembro de 2011, a lei de acesso à informação, e que institui a transparência na Administração Pública, é rigorosamente ignorada pelos governantes desta belíssima cidade das Olimpíadas de 2016, e de seu Estado. Não sabem que eles apenas representam o povo carioca e fluminense, e devem, sim, a eles, povo, as respostas que precisam ser dadas, sob pena de haver uma sorrateira razão para escamotear dados que devem ser do conhecimento de todos. De todos. São informações públicas, decorrentes de gastos do dinheiro público. Do nosso dinheiro.

A imoralidade que se abateu nesta Jornada Mundial da Juventude de 2013 foi flagrante, principalmente quando as chuvas normais, diga-se de passagem, que caíram na cidade transformaram o terreno de Guaratiba, onde se encerrariam as atividades religiosas, em um grande lamaçal, por incompetência ou corrupção, inviabilizando qualquer atividade nos dois últimos dias do evento, onde seriam realizadas a vigília (dia 27) e a missa de encerramento da JMJ pelo Papa, no domingo (dia 28). A necessidade de transferência para Copacabana da programação religiosa prevista mostrou a face encoberta da possível ausência de coração limpo nas ações do prefeito da cidade, que se negou a dizer, até agora, quanto foi gasto ali naquele terreno pantanoso, e a quem ele pertence. Foi um desrespeito incomensurável ao povo carioca.

O descumprimento do que determina a lei deveria ser suficiente para demonstrar a má-fé do governante que tenta escamotear alguma trapaça ou interesse, que devem ficar ocultos. Por que razão uma autoridade pública teria interesse em esconder a razão dos atos que praticou no exercício das suas atividades políticas na condução dos negócios da cidade? Existe algo de podre no Reino da Dinamarca. Muito podre ...

O terreno foi cedido por dois empresários que a Prefeitura não quis revelar. Por quê? A imagem dos nossos políticos pouco diferem, estejam eles ou não aqui, ou em qualquer outro lugar deste nosso Brasil Varonil, com raríssimas exceções.

A culpa de tudo isso foi da chuva, e não da imprevidência e da falta de previsão competente por parte do governo municipal. Eles foram perfeitos. Construíram numa área de 1,7 milhão de metros quadrados, o Campus Fidei, dividida em 22 lotes, com um palco de 75 metros de largura, com 15 postos médicos, 4.400 banheiros, 32 telões, 52 torres de som e 83 torres de segurança, parece, sem gastar um tostão. Uma preciosidade financeira. Neste quadro, fizeram um planejamento de primeiro mundo, com todas as previsões técnicas possíveis, numa demonstração de total competência administrativa (para se gastar dinheiro).

Aliás esta foi a terceira falha municipal da visita do Papa Francisco à cidade do Rio de Janeiro, depois de uma chegada em que ele acabou engarrafado no Centro, e um caos nos transportes, quando da abertura do evento, com o metrô paralisado por duas horas. Uma pintura. Já estamos no ponto para a Copa do Mundo no próximo ano, e para as Olimpíadas em 2016.

Foi tudo perfeito. Se alguém desejasse conseguir coisa pior para esta Jornada Mundial da juventude não teria sido tão competente assim. Se todas essas mazelas foram planejadas minuciosamente, foram elas muito bem planejadas e executadas à perfeição e com maestria. São Pedro ajudou bastante (impedindo que alguém do povo pudesse ficar surpreendidamente atolado no lamaçal, de forma irresponsável).

Não fossem tais preciosidades que tanto abrilhantaram a estada do Papa no Rio, talvez ele não tivesse visto, também, as chagas da Cidade das Olimpíadas espalhadas pelos mais de seiscentos morros de que ela é dotada, numa demonstração clara e evidente de que o desenvolvimento social e a desigualdade também estão sendo tratadas com muito carinho, e aperfeiçoadas ao máximo, para que, na próxima visita do Papa a esta cidade, possa ele encontrar um lamaçal mais intenso, não em Guaratiba, mas na vida das pessoas marginalizadas nas favelas, com quem ele teve oportunidade de estar nesta jornada.

O Papa vai levar da cidade do Rio de Janeiro, a cidade das Olimpíadas de 2016, uma ótima recordação. Excelente! E uma ótima impressão de seus governantes, especialmente de que eles são absolutamente cegos e surdos...

Luiz Roberto Pires Domingues


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