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Augusto de Sênior (Amauri Carius Ferreira)
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NO MAR (ÁLVARES DE AZEVEDO) - ALEGRIA NA
Por: Augusto de Sênior (Amauri Carius Ferreira)

Era de noite: — dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração,
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração!

Ah! que véu de palidez
Da langue face na tez!
Como teus seios revoltos
Te palpitavam sonhando!
Como eu cismava beijando
Teus negros cabelos soltos!

Sonhavas? — eu não dormia;
A minh’alma se embebia
Em tua alma pensativa!
E tremias, bela amante,
A meus beijos, semelhante
Às folhas da sensitivas!

E que noite! que luar!
E que ardentias no mar!
E que perfumes no vento!
Que vida que se bebia
Na noite que parecia
Suspirar de sentimento!

Minha rola, ó minha flor,
Ó madresilva de amor,
Como eras saudosa então!
Como pálida sorrias
E no meu peito dormias
Aos ais do meu coração!

E que noite! que luar!
Como a brisa a soluçar
Se desmaiava de amor!
Como toda evaporava
Perfumes que respirava
Nas laranjeiras em flor!

Suspiravas? que suspiro!
Ai que ainda me deliro
Entrevendo a imagem tua
Ao fresco da viração,
Aos ais do meu coração,
Embalada na falua!

Como virgem que desmaia,
Dormia a onda na praia!
Tua alma de sonhos cheia
Era tão pura, dormente,
Como a vaga transparente
Sobre seu leito de areia!

Era de noite — dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração;
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração.

(Obras, 1853, V. I, "Lira dos vinte anos" - 2ª parte)


*”As estrelas brilham no céu, e a brisa da noite vaga docemente entre as flores: sonha, canta e suspira.” GEORG SAND.
Tradução: Coleção L&PM Pocket nº 118, pág. 15.

___________________________________________________________________________________________


Poesia agradável, de fácil leitura, sonora, estrofes musicais.

Cinquenta e quatro versos (cada uma das linhas gráficas) divididos em nove sextinas (estrofes de seis versos).

Com o seguinte esquema de rimas: o primeiro verso rima com o segundo, o terceiro verso rima com o sexto verso e, o quaro verso rima com o quinto verso.

São versos redondilhos (maiores), ou seja, sete sílabas poéticas.

Vejamos a escansão (divisão em sílabas sonoras) da primeira estrofe:

"E-ra-de-noi-te-dor-mi-/as,
Do-so-nho-nas-me-lo-di-/as,
Ao-fres-co-da-vi-ra-ção-/
Em-ba-la-da-na-fa-lu-/a,
Ao-fri-o-cla-rão-da-lu-/a,
Aos-ais-do-meu-co-ra-ção!/"

Em todas as sextinas existe uma palavra de felicidade:

Primeira: coração;

Segunda: beijando;

Terceira: beijos;

Quarta: perfumes;

Quinta: flor;

Sexta; amor;

Sétima: coração;

Oitava: sonhos;

Nona: coração.

Nas profundezas textuais, percebemos como tema central o mar (falua - pequena embarcação, viração - brisa amena, vento suave; ondas, praia, areia, etc.).

O poeta olha sua amada (verdade ou ficção?...), uma mulher de seios revoltos (analogia com as ondas), cabelos negros e soltos, perfume de laranjeiras em flor, etc.

As rimas produzem uma sensação agradável, podemos situar a poesia entre as mais belas e intrigante do Período Romântico da Literatura brasileira.

Augusto de Sênior.
(Amauri Carius Ferreira)



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