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Artigo
 
Tem algum homem honesto aí?
Por: Mauro Pitanga

Se fôssemos eleger um tema, sobre o qual pudéssemos tecer alguns comentários positivos e comoventes, que abarcam toda a coletividade, e que foi capítulo na imprensa nacional nos últimos quinze anos, e que não fossem políticas de esmolas por parte do governo federal, e cuja iniciativa não tivesse convergido ou descambado para a corrupção e roubalheira, qual seria este tema?

Nem mesmo o futebol e o carnaval são categorias que merecem destaques, tamanha é a degradação de ambos. Seja pela falta de espetáculo, ou pela sagração da violência das torcidas, no caso da primeira; seja pela dependência e pelo vínculo da segunda ao “Establishment” nacional e internacional que visa transformar esse país numa ilha do Havaí em dia de festa ou numa praia caribenha. Ou como disse Olavo de Carvalho transforma-lo “num socialismo meia-bomba”. Isso sem falar de ligações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo escolas de samba.

No século V, oitenta anos aproximadamente depois de Sócrates ser uma voz de incômodo à sociedade ateniense, um filósofo, pouco conhecido entre nós, chamado Diógenes de Sinope, perambulava pelas ruas de Atenas procurando homens que pudessem ser dignos, primeiro de si próprios, depois da sociedade. Seu alvo eram aqueles que representavam a política ateniense. Diz-se que Diógenes andava pelas ruas carregando uma lamparina, mesmo em dia claro, em tom jocoso e de cinismo, procurando algum homem honesto. Ele gritava bem alto: tem algum homem honesto aí? Você viu algum homem honesto aí? E, embora a busca fosse diária e constante, conta-se que ele não encontrava o que procurava. Estava em falta já naqueles dias.

Indo contra a lógica do sentido do olfato, mas pedindo licença poética para o seu uso arbitrário: o Brasil fede de norte a sul. O último recinto, no qual deveria prevalecer a ética e a razoabilidade acabou de ruir na quinzena passada. O natural da expectativa humana é esperar que os bons exemplos sigam o fluxo de cima para baixo, não de baixo para cima. É contraproducente. Daí Jesus de Nazaré ter admoestado aos fariseus: “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. (Lc 12:48). Estamos abandonados em um barco à deriva. Estamos pior do que Diógenes. Ele gritava na rua e às multidões. Gritamos nós à quem?

O problema do Brasil não é tanto o econômico, mas o cultural ou o moral. Digo cultural e moral, e não ético, porque a moral de um povo é construída no curso da sua história, e a ética será reflexo dessa cultura, desse costume. Acostumamos com a nossa moral e com a nossa falta de ética. No Brasil o edifício da moral foi desmantelado para a construção de uma falsa moral que tenta encerrar-se em figuras políticas e em bandeiras de agremiações político-partidárias. Portanto, querem nos fazer crer que o amoral deve ser a ordem do dia e que devamos nos acostumar com essa política rasteira - rendendo-lhes honras. E isso não é situação que nasce com o governo Lula, contudo, é notável que de lá para cá esse fisiologismo raso tem se agravado, o que torna nossa situação debilmente crônica. O nivelamento está baixando mais ainda.

Em 2004, numa palestra dada à O.A.B. de São Paulo, Olavo de Carvalho afirmou que o Brasil não chegaria a 2010 como um país independe. Ele estava errado? Evidente que não. Agora digo eu: o Brasil não chegará a 2020 como um país soberano, com um povo bem instruído e com as desigualdades diminuídas, enquanto não trocar o projeto de dominação político-partidário pelo projeto de país soberano, rico e sem corrupção. A formatação desse projeto implica o distanciamento dos países de viés socialista ou bolivarianos, porque esses são contraditórios desde a concepção. Vale dizer: estamos a falar de distanciamento político-ideológico, não econômico. Um posicionamento não tem nada a ver com o outro.

A cooptação e a corrupção dão as cartas para o aumento da agremiação. Velhas táticas de favorecimentos. A corrupção é um termo genérico. Estamos falando de crimes em espécie, tipificados no Código Penal, como “Emprego irregular de verbas ou rendas públicas“ - art. 315; “Prevaricação” - art. 319; “Condescendência criminosa” - art. 320; “Peculato” - art. 312 e 313; “Excesso de exação” – art. 316 § 1º; “Corrupção passiva” – art. 317, dentre outros. O preço da corrupção no Brasil chega a R$ 69 bilhões de reais por ano. Contíguos ao Brasil, países bolivarianos, africanos, alguns da Ásia Central, do Leste da Ásia e do Oriente Médio lideram o ranking da corrupção no mundo. Historicamente onde a democracia é pouco consolidada, ou a impunidade é a regra do jogo.

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