A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

Luiz Roberto Pires Domingues ☼
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Crônica
 
Incultura ou Irracionalidade?
Por: Luiz Roberto Pires Domingues ☼

A miséria cultural no seu sentido amplo e a falta de princípios morais são fatores que muito entristecem uma nação, e não lhes dá nenhuma perspectiva de um futuro melhor. E é assim que vejo este nosso povo brasileiro, em geral, diante da ocorrência de fatos incontestáveis.

O recente episódio do Superior Tribunal de Justiça Desportiva com o caso da Portuguesa e do Flamengo trazem à baila, sem necessidade, uma discussão totalmente desnecessária e desgastante para o futebol brasileiro.

As normas que regulam determinada atividade devem ser debatidas e aprovadas previamente à sua entrada em vigor, momento em que, ocorrido, sana de vez todas os debates anteriores, e estabelecem regras que serão aplicadas doravante a um grupo que esteja realmente de boa-fé, e querendo, de fato, o bem do esporte e da competição futebolística.

Tanto a Portuguesa como o Flamengo infringiram o regulamento do campeonato brasileiro de 2013, ao escalarem para jogar jogadores punidos e julgados pelos tribunais desportivos brasileiros, e, portanto, sem condições de jogo. Sabiam disso os clubes, e o fizeram por acreditarem plenamente na impunidade. Associam eles as normas desportivas às norma de uma sociedade em geral, em que o povo acata ou não o seu comando, como se fora algo inteiramente opcional.

Cometeram a irregularidade, e souberam do resultado do julgamento. Pelo menos deveriam estar presentes e saber, e não se esconder atrás de interpretações outras, dadas ao apagar das luzes de um campeonato tido como o maior do planeta. Não é, mas é tido pela imprensa brasileira.

Ora, se a Portuguesa e o Flamengo usaram da artimanha de escalar para jogar jogadores que se encontravam em situação inteiramente irregular, diante do regulamento em vigor (amplamente aplicado até então pelo STJD, sem qualquer discussão), qual a razão de querer, neste momento, dar uma interpretação a uma lei que já vige há anos, sem que houvesse qualquer tipo de problema até então? É querer bagunçar o coreto. Se a regra existe, e prevê punição pelo seu descumprimento, não há a menor chance de tentar deixar de aplicá-la, sob o manto do “desconhecimento oficial” do resultado de um julgamento, como se isso fosse de fato um aspecto relevante para encobrir as incompetências e a má-fé de dirigentes que querem se aproveitar do tumulto, para se beneficiarem. Esses clubes foram mal. Sabiam disso, mas acreditaram na impunidade. Ela não veio, e o resultado foi desastroso. Mas, os clubes sabiam. E mesmo assim arriscaram. O julgamento é público, e os advogados representantes dos clubes estavam lá, ou deveriam estar. Souberam da punição, e quiseram se fazer de pobres coitadinhos. Esqueceram que no passado desligavam o fax do clube, para não receber a comunicação da entidade sobre a eventual punição, a fim de não cumprirem o que de fato sabiam que tinham de cumprir. Com isso escalavam o jogador, sob o manto de uma decisão que não souberam oficialmente, e burlavam de má-fé um sistema que foi criado para pessoas bem intencionadas e de boa-fé.

Assim, numa tentativa de impedir a aplicação de uma norma legal, correta diga-se de passagem, a um caso concreto de irregularidade que realmente ocorreu, busca o infrator se omitir de saber o resultado, como se isso fosse um salvo conduto para fazer o que bem quiser ao arrepio das normas legais. É bem brasileiro isso. É uma questão de moralidade, coisa pouco difundida no âmbito do futebol.

Não há o que contestar em relação à regra. Ela existe e prevê uma punição. De fato, a irregularidade ocorreu, e ela foi aplicada. Fez muito bem o STJD em aplicá-la como sempre o fez em casos como estes. Agiu bem e deu, como sempre dá, uma lição à justiça comum que, por vezes, distorce uma norma legal, para dar uma interpretação pessoal que mais causa tumulto, do que tranquilidade à sociedade. O STJD tem suas regras e cabe ao poder judiciário respeitá-las.

Não há por que juízes, sem isenção, se investirem numa área que, em princípio, não lhes cabe falar, segundo a própria Constituição Federal, a não ser que um caso esdrúxulo e aberrante dê causa a um socorro no âmbito civil, fora da justiça desportiva.

Fez bem o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, e esperamos que ao final vença o futebol com as regras de seu regulamento acatadas por todos, nem que para isso um clube perca os benefícios que eventualmente os tenha conquistado no campo. As regras valem para todos, e o descumprimento delas por um ou alguns clubes não pode passar em vão, sob pena de estarmos sendo desleais com os que as cumpriram, ferindo o princípio clássico da isonomia.

Se assim fosse, teríamos que apagar totalmente o campeonato brasileiro realizado em 2013, porque vários outros clubes deixaram de escalar jogadores também punidos, de acordo com o mesmo sistema de informação, e se prejudicaram, pois o resultado do jogo, com a presença de cada um, poderia ser outro bem diferente do que foi.

Luiz Roberto Pires Domingues

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: QUZB (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.