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Artigo
 
O filho do ferroviário - Parte III
Por: Antonio Jorge Moura

Foi o amigo Zé Silva quem deu o toque:
- Numa farmácia da Nilo Peçanha, perto da Feira do Cortume, tem uma menina bonitinha, de família, que eu quero que você conheça.
Os dois foram até a farmácia, entraram e na frente de uma balconista Zé Silva parou. A cumprimentou e ela respondeu educadamente.
- Quero lhe apresentar um amigo, Laert, para que vocês se conheçam.
Depois da apresentação, Laert ficou de voltar às 6 da tarde quando a mocinha saía do trabalho para acompanhá-la até em casa e, em seguida, saiu com Zé Silva, que também trabalhava na padaria. Já tinha quase dez anos que trabalhava na entrega e feitura de pão, e os dois tinham outros planos. Zé Silva queria abrir uma padaria em Mata de São João e chamara Laert para sócio. Mas o amigo não queria saber do interior do Estado. Seu interesse era abrir um negócio, trazer a mãe e das irmãs, mas nada de sair de Salvador. Depois casar e criar filhos.
A balconista da farmácia chamava-se Regina e morava com a mãe e duas irmãs no Largo do Tanque. Laert a levou até perto de casa, no Sarapião, um desvio da Ladeira do Peru. Depois que a deixou, pensou em pedir suas contas na padaria e abrir um negócio em Santa Luzia. Pensou que poderia começar vendendo pão, bolacha e outros produtos da padaria e, aos poucos, ir crescendo.
No dia seguinte, na entrega de pão, pode ir observando Santa Luzia e decidiu alugar uma casa na rua Voluntários da Praia, esquina da Baixa do Cacau, para começar seu negócio. Defronte tinha um "porto" onde atracavam saveiros do Recôncavo abarrotados de mercadorias. Ali tinha chances dele expandir os negócios.
Na volta da entrega dos pães, já decidido a abrir seu próprio negócio, foi conversar com o espanhol dono da padaria vizinho da ferragem de Oitaven, que se prontificou a pagar uma indenização pelos seus mais de dez anos de trabalho e, assim, ajudá-lo a abrir a nova casa comercial. Feitos os acertos e depois de ir conversar com outros comerciantes da Calçada, foi ver Regina na farmácia para contar a novidade.
Nesse dia a esperou sair do trabalho, a levou para casa e começaram a namorar. Na casa dela conheceu a futura sogra, Dona Maria, uma negona forte que disse ter sido vendedora de taboleiro, sobretudo de cocada e acarajé, na porta da Fábrica dos Fiaes. Conheceu também as irmãs dela, a mais velha Judith, que tinha dois filhos, e Lourdes, que tinha um casal. E soube que ela tinha mais um irmão, casado, que morava em Itapagipe.
Voltou cedo à padaria porque estava na expectativa de chegar o dia seguinte, receber o dinheiro que o espanhol tinha prometido e ir à Baixa do Cacau conversar com o dono da casa de esquina, o português Albertino, que havia se prontificado a ajudá-lo na organização da casa comercial.
Albertino morava em uma casa grande, na esquina oposta junto ao atracadouro de saveiros. Tinha um armazém, porém estava mais interessado em aumentar o numero de casas de aluguel que possuía para fazer o subúrbio progredir. Tinha um filho, Antonio e três sobrinhos, Madeira, Luis e Joaquim, e se preocupava com o futuro deles.
Depois de ver por dentro a casa que seria transformada em armazém, conversou com alguns mestres de saveiro que traziam banana, jaca, carvão e madeiras variadas do Recôncavo. Se interessou por bananas porque era alimento e tinha saída mais fácil. Acertou com Albertino comprar um balcão de armazém que o português tinha usado e foi tratar com o espanhol da Calçada a primeira partida de pães e bolachas. Antes pediu a um mestre de saveiro para lhe entregar no dia seguinte duas pencas de banana.
No dia seguinte o velho Albertino já tinha armado o balcão e Laert podia começar a vender. As pencas de banana já tinham sido colocadas na porta pelo mestre de saveiro. Depois de pagar, o novo comerciante pegou uma faca para cortar as pencas em dúzias. E arranjou um rolo de arame para pendurar as bananas. Logo depois chegaram os pães e bolachas para ele vender. Só iria pagar no dia seguinte, quando o pessoal da padaria fosse fazer nova entrega. Assim começou a vida do novo comerciante

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