A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

 
Artigo
 
O filho do ferroviário - Parte V
Por: Antonio Jorge Moura

Laert, o filho do ferroviário de Alagoinhas, não se abalou com a injustiça da polícia política do governo de prendê-lo sob alegação de que estava estimulando a invasão de manguezais da Enseada dos Tainheiros, na década de 40 do século passado, que originou a Invasão de Alagados. Foram erguidas milhares de palafitas nos manguezais localizados no mar dos bairros de Uruguai, Jardim Cruzeiro, Massaranduba, Ribeira e os subúrbios de Santa Luzia e Lobato que só foram transformadas em bairro e urbanizadas pela empresa Alagados Melhoramentos AS (Amesa) no segundo governo de Antonio Carlos Magalhães.
Ele só colaborara com os mestres de saveiro do Recôncavo que atravessavam a Baía de Todos os Santos com madeiras e atracavam na Enseada. Afinal, só queriam entregá-las a um comerciante que se encarregasse de vendê-las a granel a quem desejasse adquirir, seja para construir palafitas, seja para erguer casa popular em terra firme. Laert abrira um mercado novo de comércio em Santa Luzia. Tanto que adquiria terreno na Entrada do Cacau para montar depósito de material de construção e carvão vegetal que os mestres de saveiro também traziam do Recôncavo.
Ele estava morando num quarto dos fundos do armazém. O grande veículo de comunicação da época era o rádio, que tornou-se companheiro inseparável do novo comerciante. Só que Laert não se limitou a ouvir música, acompanhar as rádio-novelas e saber das notícias mais quentes. Aproveitava para ouvir a BBC de Londres e ir educando a audição para o inglês, língua embolada que se falava na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na II Guerra Mundial, achava que os ingleses e norte-americanos venceriam os nazistas alemãs e os imperialistas japoneses. Com educação formal até o terceiro ano do antigo curso primário, ele não só aprendeu a ouvir como a ler e a falar em inglês.
Se preparando para casar com Regina, comprou terreno na rua Voluntários da Pátria, em Santa Luzia, defronte da Vista Maré, no mesmo correr do seu armazém, para construir casa grande para a família igualmente grande que planejava ter. Depois do casório na Igreja do Rosário, no Bogarim, não aceitou que ela se envolvesse diretamente nos negócios comerciais. A deixou livre para criar os filhos, montar ateliê de costureira em casa e passar a freqüentar a Igreja Católica. Regina fora influenciada pela religião católica da família do pai, de origem espanhola.
Fez amizade com a Professora Angelina, diretora e professora da Escola Paroquial dos Mares, na Baixa do Cacau. Além dos Mares, ela ia às missas nas igrejas católicas da Lapinha e Abrigo do Povo, no bairro da Liberdade, no Colégio Bom Jesus, na Calçada, e do Largo do Peru, próximo à Fazenda Grande. A filharada começou a se formar em 1946, quando nasceu Vera. Depois vieram Raimundo, Laert Júnior, Mariluce, Antonio Jorge, Regina Lúcia, Maria Suzana, Cláudia, Paulo Sérgio, Solange e o caçula José Roberto.
A mãe Maria da Luz deixou a casa da Ladeira do Sarapião com as duas outras filhas e foi morar com Regina para ajudá-la a criar os filhos. Foi capaz até de deixar sem atendimento as "obrigações" como "yaô" da tradição afrodescendente. Mas manteve a tradição de vestir saia cumprida e bata. Toda semana uma das sobrinhas, Dilza, chamada "Preta", filha de Lourdes, que era cabeleleira, se deslocava até Santa Luzia para "fazer" o cabelo de Dona Maria. Eram tranças semelhante às usadas hoje pelas mulheres negras e até por negros brasileiros, só que interligadas com "ligas" de papel-jornal.
Laert já tinha com condições financeiras para trazer até Salvador a mãe viúva e as irmãs que moravam em Alagoionhas. A mais velha Dagmar havia se casado com Nonô e ficou. Vieram a mãe Anita e as irmãs Ismênia e Noêmia, esta já casada com Aurelino. Ele colocou todos em uma casa no subúrbio do Lobato e convidou o cunhado Aurelino para tomar conta de um depósito de material de construção que iria abrir no Jardim Cruzeiro, aproveitando o suprimento de madeira dos mestres de saveiro do Recôncavo e a expansão de Alagados, que continuava a crescer.

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: WGPC (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.