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Artigo
 
O Brasil lhe agradece, Felipão
Por: Mauro Pitanga

O fato da Copa do Mundo de Futebol está sendo realizada no Brasil, provocou inúmeros questionamentos sobre sua relevância em nosso território. Os movimentos populares, ocorridos em várias partes do país, pelo “não vai ter copa” tentavam ecoar na mente e nos corações, proposições sobre a importância de se aplicar em outras demandas os bilhões de reais gastos com a Copa da FIFA 2014, além de chamar à atenção para o que foi deixado de ganhar pela isenção de tributação à FIFA.

Enquanto muitos brasileiros enxergavam essas distorções sociais, entre o real e o sonho, outros (a maioria) apostavam suas emoções em mais uma festividade. Afinal, temos tantas coisas para esquecer! Tantas realidades amargas! Tantos desencontros conosco mesmo! Tantos descaminhos! Por que não pular mais um carnaval fora de época? Diziam.

A minoria, ao contrário, asseverava não! Não à Copa, não à FIFA. Enxergava outras prioridades: saúde, segurança, educação, moradia, saneamento básico, obras de infraestrutura, emprego, combate à inflação, e por aí vai. Não queria viver a vida como se o mundo fosse terminar amanhã. Pensava na sua posteridade, num Brasil melhor para os que ainda estão crescendo, e para outros que virão. Queria fazer como a Suécia e a Suíça, que disseram não aos eventos esportivos internacionais em seus territórios, porque tinham outras prioridades. Entre os empolgados com a Copa e os insurgentes, venceram os primeiros. Será? Lembrei agora do que escrevi em outro artigo:

O fato do Brasil ser um país festivo, que encontra razão de comemoração em tudo, mascara a realidade dos fatos ao mesmo tempo que testifica sua mediocridade. (PITANGA, 2014).

A política brasileira reflete o que somos. Queremos dar jeitinho em tudo, queremos ser o que ainda não somos, acreditamos que somos merecedores de algo que não trabalhamos para conquistarmos, nos consideramos mais dignos do que os demais; mesmo vendo que o talento do outro é maior. Queremos acreditar que a garra vale mais do que a técnica, do que os estudos. Queremos pra nós o que é do outro. Mesmo "jogando" mal. Não brasileiros e brasileiros, não é verdade, não se enganem, não pertencemos ao 'terceiro mundo' por um acaso. E não venham colocar mais uma culpa nos Estados Unidos da América, como estamos acostumados a fazer, por favor. O problema somos nós. Nós somos nosso maior inimigo.

Até hoje à tarde o circo ainda estava montado por completo, repórteres apostavam numa zebra, na vitória do Brasil sobre a Alemanha. Acreditando que o passado pudesse trazer os espíritos dos mais ilustres dos jogadores para ajudar. Mas não é dos detalhes do futebol que quero falar, não me interessa o excesso de serviço psicológico para os atletas, os desacertos do técnico e da comissão técnica, e, sim, dos ensinamentos dessa derrota. Chamamos de técnico quem não é técnico; chamamos de professor quem não é professor; chamamos de especialista, verdadeiros charlatões; chamamos de mestres, verdadeiros embusteiros; chamamos de Vossa Excelência parte da escória desse país.

O primeiro golpe dessa Copa veio das mãos daquela que foi eleita para cuidar do Brasil, para ser a gestora dessa nação, a presidente Dilma Rousseff, quando, através de Decreto, isentou a FIFA de pagamentos de vários tributos. Na Lei 12.350 de 2010, alterada em 2014, aparece a palavra ‘isenta’ 32 vezes. O presidente do STF, Joaquim Barbosa, foi a única pessoa pública a se manifestar contra, e a dizer que seria o povo brasileiro que pagaria essa conta. E não tenha dúvida de que será.

No final do jogo, Davi Luiz pediu desculpas ao povo. Disse que [diante de tantas tristezas vividas pelos brasileiros], queria dar pelo menos essa alegria ao povo. Não Davi Luiz, você está enganado, a vitória produziria mais torpor na nação. Você, seus companheiros e Felipão, ainda que inconscientemente, deram um chute na hipnose. O povo brasileiro não está amadurecido para viver entre a diversão e o dever.

Em outubro próximo, teremos uma chance de amenizar essas derrotas que estamos sofrendo, que saibamos extirpar parte desses cânceres que vêm corroendo o Brasil e nossos sonhos, a exemplo do “emprego irregular de verbas ou rendas públicas“ - art. 315; da “Prevaricação” - art. 319; da “Condescendência criminosa” - art. 320; do “Peculato” - art. 312 e 313; do “Excesso de exação” – art. 316 § 1º; da “Corrupção passiva” – art. 317; sem falar dos conchavos, da falta de investimentos, do abandono estatal, das alianças espúrias e oportunistas, da má gestão da coisa pública, dentre outras mazelas. Isso, sim, será uma goleada.



M. P.

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