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Agenor Figueira Rodrigues Filho
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ANTEVENDO O FUTURO
Por: Agenor Figueira Rodrigues Filho


Eu estava saturado de moças que só pensavam em casar. Aos dezoitos anos, no final da adolescência, resolvi me relacionar com mulheres mais velhas, que não pensavam em casamento. Junto com mais três colegas de um curso noturno, passamos a ir a cabarés depois da última aula de sexta-feira.
Nós dançávamos, bebíamos e conversávamos com as mulheres. Tudo era muito bom, eu gostava de tudo, principalmente das mulheres. Eram mais maduras não insinuavam virtudes para conseguir casamento e, para minha surpresa, conversavam bem, além de serem bem-educadas. Eu estava feliz com esse programa. Até que um dia, conheci uma linda moça de vestido branco com bolinhas vermelhas e que tinha um olhar mais lindo do que ela. Logo na primeira conversa que tivemos, fiquei impressionado com sua simplicidade, sinceridade e autenticidade. No dia seguinte, começamos a namorar. Senti que namorava uma pessoa de caráter muito firme e modesta.
Trabalhávamos na mesma empresa, e nossas seções eram próximas. Freqüentemente eu ouvia referências elogiosas a ela e à sua família. Nessa mesma ocasião eu ingressara na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (conhecida como Ence). Estava muito feliz, certo de que tinha a companheira ideal para constituir uma família e no caminho certo de uma profissão capaz de mantê-la com dignidade. Mas o curso começou a não dar certo: o estudo de algumas matérias começou a acumular por falta de tempo e de outras coisas, eu nada entendia, parecia que o professor falava grego.
Regina era o nome da bela moça. Após cinco meses de namoro, ela começou a ficar diferente comigo. Dava-me pouca atenção, às vezes era ríspida. Eu não estava acostumado com isso. Eu não fizera nada para que ela mudasse tanto o tratamento. A coisa foi piorando tanto que o nosso relacionamento se tornou insuportável. Fiquei com a impressão ou certeza de que ela estava gostando de outro. Se fosse isso, ela não era minha, era de outro. Não houve alternativa senão romper0mos o namoro.
Se o namoro ia mal, o estudo ia pior. Não havia outra solução senão trancar matrícula. Se fizesse as provas, tiraria zero em todas as matérias. Foram-se dois ideais: o casamento, que tinha tudo para da certo e a profissão que seria minha redenção econômica e social. Vieram-me dois pensamentos negativos: incapacidade para o estudo e para o amor.
Depois de trancar a matrícula fui para um bar. Pedi um chope e fiquei bem relaxado na cadeira, pensando na vida. O que fazer? Custou-me, perceber que havia duas moças bonitas lanchando e conversando. Resolvi prestar atenção na conversa delas. Fiquei sabendo que elas eram alunas do último ano da Faculdade Nacional de Filosofia (conhecida pela sigla de FNFi) e que davam aulas nos cursos preparatórios para o vestibular da própria Faculdade. Pensei: “Duas vencedoras e um derrotado!” Elas disseram que iam para a faculdade e pediram a conta; eu as segui. A Ence e a FNFi ficavam pertinho uma da outra, era só atravessar a rua.
No hall do prédio havia murais indicando os cursos existentes e os respectivos programas. Quando eu os examinava, escutei uma voz feminina me chamando de colega e perguntando se eu precisava de ajuda. Eram as duas que estavam no bar. Aceitei o oferecimento e disse que procurava o curso de Jornalismo. Nós o localizamos no mural, e elas me acompanharam até o diretório acadêmico para fazer a matrícula no preparatório.
O ambiente da faculdade tinha um astral muito elevado, fez-me bem entrar lá na companhia de pessoas tão gentis. Foi o suficiente para dissipar a tristeza e devolver minha esperança de ascensão social e econômica através do estudo. Juntando tudo o que havia de bom na faculdade, veio o melhor: passei no vestibular e restaurei minha auto-estima, minha alegria e minha esperança.
Embora trabalhasse perto da Regina, havia meses que eu não a via porque eu trabalhava à noite e ela de dia. Eu saía às seis horas da manhã e ela chegava às sete horas. Um dia ela chegou mais cedo. Como estávamos de mal, não nos cumprimentamos, mas ela me olhou com aquele olhar bonito. Sorri-lhe discretamente e meus amigos disseram que eu fiquei vermelho. Na fábrica havia muitos fofoqueiros e incentivei-os a tomar conta dela. Nunca nenhum dos fofoqueiros a viu em companhia de outro namorado, viam-na sempre só.
Eu tinha medo de que ela arranjasse outro. Mas não podia misturar namoro com estudo, pois da outra vez que agi assim perdi a Regina e a escola. Dessa vez, eu ficaria com a Faculdade (ela era casadoira) e casei-me com ela até que o diploma nos separou. Foram quatro anos bem casados com a FNFi e de mal com a Regina.
Enfim, após a colação de grau e entrega do diploma, separei-me da FNFi. Infelizmente, logo depois dessa vitória, minha mãe faleceu. Eu e minha família entramos em uma fase de muita tristeza, quando foi celebrada a missa de sétimo dia, Regina compareceu e sentou-se ao meu lado.
Após a missa, acompanhei-a até sua casa. Durante a caminhada falei do quanto fiquei feliz com sua presença em um momento de tanto sofrimento. Ela me olhou com aquele olhar bonito e disse que a intenção era me dar um apoio, que, embora nós não nos falássemos, ela gostava de mim e não tinha cabimento nós estarmos de mal. Andamos, lado a lado, ambos pensando. Até que interrompi o silêncio, propondo que retornássemos o namoro. Ela levantou o lindo olhar para o céu, voltou-o para mim e disse que sim, mas era necessário dar um tempo. Após alguns meses, encontramo-nos em outra missa e recomeçamos o namoro. Casamo-nos e, três ano depois, fomos pais de trigêmeos.
Nossa vida sempre foi harmoniosa, vencemos muitas dificuldades, e os filhos estão bem encaminhados, graças ao brilhante desempenho escolar que tiveram.
Olhando no túnel do tempo, eu vejo a moça de lindo olhar trajando um vestido branco de bolinhas vermelhas. Naquela época, eu já sabia que nós éramos capazes de constituir a bela família que temos.

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