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Agenor Figueira Rodrigues Filho
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O HOMEM QUE CORREU DE MULHER
Por: Agenor Figueira Rodrigues Filho


O professor de Matemática distribuiu as provas de avaliação mensal e Agenor ficou muito satisfeito com a nota que obteve, tirou sete, na prova anterior tirara três. O professor deu a aula, mas, na semana seguinte, ele pediu as provas para ele lançar na pauta, Agenor informou que não tinha mais a prova e disse que tirara nota nove. O professor chamou-o de mentiroso, porque não tinha dado nota nove a ninguém. Agenor ofendeu-se com a acusação de mentiroso e chamou o professor de irresponsável, porque tinha o dever de lançar as notas na pauta e depois distribuir as provas. O tempo esquentou, foram ambos para a secretaria e, como o diretor não estava, a decisão foi adiada.
Esse incidente atrasou Agenor, pois, quando ele saiu, já não havia nenhum aluno no colégio, as ruas estavam desertas e ele tinha que apressar o passo para pegar o último ônibus da linha que chamavam de “Sereno”. Quando Agenor estava chegando ao ponto do ônibus viu uma mendiga se acomodando em um terreno baldio. Ele pensou: – Estou tão p... da vida que eu topava transar com essa mulher. Parece que ela captou o pensamento dele, olhou-o, juntou os trapinhos que estavam no chão, colocou-os dentro da trouxinha e veio na direção do Agenor, ele apertou o passo e ela também, passou a correr no estilo maratonista, ela também.
Ele pensou em dar uma corrida de pique, mas desistiu, pois, se ela também desse uma corrida atrás dele pelas ruas desertas, poderia ser preso, caso a polícia aparecesse. Veio o ônibus, ele fez sinal para o motorista pedindo meia trava, ela fez sinal para o motorista parar e ele parou.
No ônibus, havia o motorista, o cobrador e um passageiro, que também era aluno do curso noturno. Agenor sentou-se ao lado do único passageiro e ela muita irritada pediu que ele sentasse ao seu lado. Quem estava no ônibus ficou muito espantado com a cena e, quando veio o cobrador, ela exigiu que Agenor pagasse sua passagem e ele o fez. A mulher perguntou ao motorista se o ônibus passava na praia de Ramos, ele disse que não e, se aqui estava muito frio, imagine na praia.
O motorista disse que ia dar uma chance aos namorados e apagou as luzes internas do ônibus. A mendiga assanhada levantou-se do banco e puxou Agenor pelo braço exigindo que ele fosse sentar-se ao seu lado, mas ele se recusava terminantemente, irritou-se e chamou-a de velha A mulher ficou revoltada e disse que eles eram da mesma idade e que velha era mãe dele.
O ônibus corria todo apagado no seu interior, só os faróis acessos, não se via ninguém na rua, tudo que Agenor desejava era que ele chegasse ao seu ponto de desembarque. Em certo momento, o motorista disse que acabara a cortesia para os namorados e acendeu as luzes do interior do veículo. Ela disse que o Agenor era um bobo e que não soubera aproveitar a colher de chá que o motorista dera.
Enfim, o ônibus estava chegando ao ponto que Agenor desembarcaria, ele pediu que o motorista na próxima esquina desse meia-trava e que não parasse o carro. Ele pulou do veículo em movimento e da rua viu a mulher puxando a campainha exigindo parada imediata.
No dia seguinte, Agenor foi para o colégio refletindo sobre duas coisas desagradáveis que aconteceram em pouco tempo: o aborrecimento com o professor e o constrangimento com essa pobre mulher. Bem, quanto à mulher, já era coisa do passado, apenas restava um sentimento desagradável de ter ofendido a uma pessoa humilde que ele não queria, mas não podia ser de outra maneira. Quanto ao professor, ele não fora suficientemente zeloso com seu arquivo, em conseqüência, queria atribuir-lhe três numa prova que tirara sete e, em contrapartida, alegou que tirara nove. Ele e o professor se desentenderam e Agenor ofendeu-o, certamente, seria suspenso. Com a cabeça cheia de pensamentos desagradáveis, ele sentiu que não estava em condições de, naquele dia, enfrentar o desdobramento da crise no colégio, resolveu, então, ir ao cinema. Quando saiu do cinema, percebeu que já era tarde, mais ou menos a mesma hora que saíra do colégio na noite anterior. Corria o risco de encontrar a mendiga e viajar no ônibus sereno.
As ruas estavam igualmente desertas e frias, como na noite anterior. Apesar de não querer ir no mesmo ônibus era necessário apertar o passo, ruim com ele, pior sem ele. Quando estava se aproximando do terreno baldio, onde encontrou a mendiga, atravessou para o outro lado da rua e seguiu bem rente à parede.
Tendo vencido o primeiro obstáculo, restava enfrentar o “Sereno” e sua turma. Eis que ele surge na curva; ao aproximar-se, o motorista ligou os sobre Agenor, em seguida levanto-os e quando começou a encostar piscando-os. Ao embarcar Agenor viu que eram as mesmas pessoas da outra viagem, mesmo antes de se sentar o motorista anuncia: olha aí o homem que correu de mulher. Agenor respondeu que não era uma mulher, mas uma mendiga. O motorista disse que para ele estava muito boa. Em seguida pergunta ao cobrador o que ele faria se ela desse aquele bolão para ele. O cobrador disse que casaria com ela de véu, grinalda e flor de laranjeira. Agenor comentou que o cobrador estava no nível dela, que seria um bom casamento para os dois. Este reclamou do comentário e Agenor defendeu-se dizendo que estava concordando com ele.
A seguir o motorista pergunta ao estudante o que faria se ganhasse aquele bolão da mulheraça. Ele comentou que tinha que sobrar para ele, mas não tinha nada a declarar. O motorista chega à conclusão que todos os estudantes são frouxos e Agenor conclui que todos os rodoviários são otários. O cobrador sugere que ficassem calados porque, na altura do campeonato, o silêncio seria precioso e assim foi até o final da viagem.
No dia seguinte teria que enfrentar o professor de Matemática e, certamente, ficaria com a nota três e, ainda, seria suspenso. O professor iniciou a aula avisando que achara os seus apontamentos relativos às notas da prova do mês e avisou que leria as notas daqueles que não tinham mais a prova. Quando leu Agenor nota sete, o aluno levantou o dedo polegar em sinal que estava ok. Nem o nove que Agenor queria nem o três que o professor pensava. E o resto ficou no esquecimento.

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