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Crônica
 
Gosto De Sal
Por: Paulo Elias

Eva e Levi eram um casal de irmãos que se gostavam muito.
Levi era do tipo aventureiro e sonhador, enquanto que Eva era estudiosa e prática. Vindo de família humilde, ambos não tinham tudo que desejavam mas reconheciam o empenho de seus pais em lhes dar a melhor educação possível. Sendo assim, cada um a seu modo, resolveram que iriam vencer na vida para tirar os pais da pobreza. Eva dedicava-se quase que fanaticamente aos estudos, percebendo que só através do conhecimento poderia galgar um patamar melhor em sua vida e na dos seus. Começou a afastar-se dos amigos e dos parentes próximos e dedicava todo seu tempo a leitura de livros dos mais diversos assuntos...
Levi por sua vez, acreditava que as oportunidades estavam lá fora, nas ruas, nos lugares nas coisas mais simples que temos no dia a dia, gostava de pegar caronas com caminhoneiros, viajar sem destino, pescarias, acampamentos... Não havia atrativos para ele na escola, então abandonou-a e dava longos passeios passando dias fora de casa, voltando ainda mais cheio de sonhos e promessas. Era duramente criticado por seus pais que tentavam a todo custo torna-lo igual a Eva, que a cada dia, mais e mais se aprofundava em seus estudos. Mas Levi não queria saber de escola. Adorava visitar seus tios e tias , que eram vários, e encantava a todos com seu bom humor e companheirismo. Fazia pequenas tarefas para se manter e ia cada vez menos pra casa. De sorriso fácil e coração aberto, fazia amizades muito rapidamente e logo começou a andar também com malandros. Um mundo sombrio e obscuro se abria para ele que, sem contar com apoio da família que se afastavam cada vez mais, foi se envolvendo em pequenos delitos até que se viu preso naquele emaranhado de intrigas e maldade. Reconheceu seus erros, viu o quanto envergonhara seus pais e decidiu recomeçar do zero para honrar sua família. Mas já era tarde demais. No crime é muito fácil entrar, porém sair é quase impossível. Levi, ainda jovem, foi morto por seus antigos parceiros.
Seus pais sofreram muito, seus tios choraram, Eva chorou neste dia...dizem que foi a única vez que ela manifestou um sentimento. A partir deste dia, se enclausurou mais ainda em seu mundo particular. Com seus estudos conseguiu ótimos empregos e ganhando cada vez melhor, já podia ajudar seus pais em tudo que precisassem. Assim foi sua vida. Sucesso poder e prosperidade foram uma constante em sua jornada que teve seu fim após noventa longos anos. Então, Eva também teve que prestar contas com nosso Criador.
Católica fervorosa, se viu assim que morreu, em um grande salão no paraíso cercada de pessoas amáveis e simpáticas. Um homem alegre e gentil mostrava todo o lugar para ela falando com voz doce e firme:
---Eva, minha querida, seja bem vinda! Aqui você passará algum tempo para recuperar suas forças, aprender o que não pode na Terra, e acredito que em breve já poderá ir para o nível de cima, aonde ficam as mentes mais brilhantes deste lugar.
Eva sorriu alegre, pois sabia que com sua garra e tenacidade logo estaria entre os melhores dali. Lembrou-se de repente do seu irmão desafortunado, as dificuldades que estaria passando sabe-se lá onde, e perguntou ao seu anfitrião o que podia fazer para ajuda-lo.
---Seu irmão Levi já está no nível de cima desde que aqui chegou, minha cara Eva! É um dos espíritos mais puros que temos aqui! “
Eva sentiu-se um pouco frustrada:
--- Mas como é possível ele ter vivido uma vida desonesta e ainda ser recompensado por isso?
--- Tudo se resume de como enxergamos as coisas, minha querida Eva --- disse o homem bondosamente --- Você enquanto viva, enxergava somente com os olhos do rosto, cuidou muito bem de seus pais até o fim, porém virou as costas para todos os outros parentes. Somente aquelas pessoas que poderiam contribuir para seu sucesso eram aceitas por você, o restante era sumariamente ignoradas. Já o seu irmão, enxergava com os olhos do coração; aonde ele via tristeza, compartilhava alegria... Aonde ele via solidão, doava um pouco de companhia, quando Levi não podia aliviar a dor de alguém, ele sofria junto, seus pequenos delitos eram aprendizados que ele cumpriu resignado até o fim!
Uma pequena lágrima aflorou no olho de Eva e escorreu até seus lábios, o gosto salgado fazendo com que se lembrasse daquele distante dia em que seu amado irmão partira deixando dor e saudades... Agora Levi estava esperando por ela para dar um abraço... Esperando que ela evoluísse espiritualmente... Uma segunda lágrima ainda mais salgada percorreu o mesmo caminho e então ela murmurou uma frase:
---Somente com o coração é que enxergamos com clareza... O essencial é invisível aos olhos!
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