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João Victor Vasconcelos de Matos
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Crônica
 
Hipócrito
Por: João Victor Vasconcelos de Matos

Hipócrito acordou cedo naquele domingo. Não iria à praia ou para a missa. Era dia de protesto. Sempre frequentava todas as manifestações porque não aceitava tanta corrupção que assolava o Brasil. Ficava indignado com os políticos que só sabiam roubar o povo. Foi para o ponto de ônibus. Ao avistar sua condução, não subiu pela porta da frente como seria normal, mas ao ver que alguém desceu pela porta do fundo, aproveitou e subiu por ali mesmo, economizando o dinheiro da passagem. No caminho, comeu um sanduíche que levara na bolsa e jogou a embalagem na rua, "pra garantir o emprego do gari", argumentava. Enfim chegou ao local da concentração do protesto, juntou-se aos outros e fez questão de erguer uma faixa bem grande: "CHEGA DE CORRUPÇÃO!" Enquanto marchava, achou um smartphone, muito provavelmente de algumas das pessoas que passaram por ali. Apesar de ter a possibilidade de procurar o dono, concordou consigo mesmo que levar aquele aparelho para sua irmã, que estava precisando, não seria má ideia. Voltou para casa, assistiu um filme que havia comprado na feira, postou algumas mensagens anti-governo no Facebook, e dormiu. Hipócrito trabalhava na Prefeitura de Aracaju. Era uma segunda-feira, dia de pedir material ao almoxarifado. Como fazia há muito tempo, aproveitava e incluía na lista o que faltava em sua casa, canetas, papéis, cola... Era ele o responsável por conceder alvarás aos estabelecimentos e aceitava descontos nos mesmos em troca de rapidez nos processos. Faltava constantemente ao trabalho, na maioria das vezes para passear com os colegas, mas, como ele mesmo se auto declarava esperto, conseguia um atestado no Posto de Saúde com um amigo que lá trabalhava. Viveu toda a sua vida assim, dando um jeitinho aqui, um jeitinho ali, mas sempre combatendo a corrupção existente em Brasília. Pobre Hipócrito. De tanto hipócrita que era não conseguiu perceber que ele era o principal responsável pelo mal que afeta, praticamente, todos os brasileiros e também a única pessoa capaz de mudar o país, antes de tudo mudando a si mesmo.

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