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Crônica
 
Morreu de frio!
Por: Paulo Elias

Em uma noite gelada de São Paulo,lá na São João com a Ipiranga,lá estava ele duro,morto,gelado...Bem que ele tentou pedir ajuda no farol,mas ante a aproximação daquele mendigo sujo e maltrapilho,os vidros logo se erguiam,os rostos viravam para o lado oposto com aquela indiferença hipócrita que só o ser humano consegue exprimir.Tentou pedir para os passantes,mas fugiam dele como o diabo da cruz...Pediu até para as autoridades,afinal é dever do estado cuidar dos seus cidadãos,mas a viatura que passava, logo desviou o caminho para evitar aquele pedinte maltrapilho.Morreu de frio no começo da noite,depois de praguejar contra todos que passavam,depois de chorar e gemer muito com o frio cortante.As horas passavam,e lá estava ele sentado encolhido junto de um poste,morto...Ainda assim ninguém o notava,evitavam passar perto,torciam o nariz,rezavam baixinho para que aquele pária não levantasse dali e começasse a pedir,a amolar,incomodar...Durante toda a noite ali ficou,imóvel,morto como se já fizesse parte da paisagem e só de manhazinha ,quando a cidade acordava para mais um dia,os carros passavam apressados ,com seus vidros ainda fechado,ônibus cheios de trabalhadores,escritórios com suas secretárias bonitas,os bares exalavam aquele cheirinho de café fresco,e só então ele foi notado.Os comerciantes gritavam com o homem morto para que saísse dali,pois espantava a freguesia.Praguejavam,mas ele nem ligava;estava morto mesmo.De frio!Um passante mais corajoso ousou tocá-lo com a ponta do pé.”Acho que está morto”comentou.Logo a curiosidade mórbida arrastou vários passantes em volta do defunto.”Coitado”,diziam uns.”Deve ter ficado bêbado e morreu de frio”diziam outros.”Alguém chamou a polícia?”Não,ninguém havia chamado.Logo todos olhavam para os relógios se dizendo atrasados e partiam com a curiosidade satisfeita.Quando o sol estava a pino é que veio os guardas,mau humorados ,e logo depois o carro de defuntos pegou o pobre morto, e numa caixa de zinco toda encardida, ele foi acomodado e levaram-no para algum lugar.No relatório dos guardas foi escrito:MORREU DE FRIO.

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