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Artigo
 
Nem Tudo é Belo e Fácil, Mas Tudo é Bom e Útil
Por: Valdir Pedrosa

NEM TUDO É BELO E FÁCIL, MAS TUDO É BOM E ÚTIL

“Depois de empregarmos o processo de condução rápida, atravessando imensas distâncias, surgiu uma região menos bela. O firmamento cobrira-se de nuvens espessas e alguma coisa que eu não podia compreender impedia-nos a volitação com facilidade. Creio que o mesmo não acontecia ao nosso instrutor, mas Vicente e eu fazíamos enorme esforço para acompanhá-lo.” [1]

André Luiz e Vicente acompanhavam o mentor Aniceto em excursão de aprendizagem à crosta terrestre. Tudo transcorria bem até que, após percorrerem grande distância, chegaram a uma região que não apresentava a mesma beleza daquelas paragens próximas à colônia Nosso Lar. Haviam grossas nuvens no local e algo incompreensível não permitia a livre volitação. Pesadas energias adensavam o ambiente e os impediam de se desprenderem do solo. André acreditava que Aniceto, devido ao seu grau evolutivo mais elevado, não sofria as mesmas dificuldades que ele e seu amigo.

Percebam que à medida que a pequena caravana se aproximava do mundo físico, ocorriam mudanças nas paisagens do plano espiritual, além de ficar claro a existência de baixas vibrações que permeavam aquelas plagas. É que ao nos distanciarmos das esferas superiores e nos aproximarmos das inferiores, topamos com sítios lúgubres, carregados de energias nocivas, reflexo das mentes enfermas que habitam esses lugares, expurgando o que lhes é prejudicial a fim de poderem ser socorridos futuramente. O contrário ocorre quando partirmos das regiões inferiores com destino aos planos mais altos, morada dos bons Espíritos, pois onde há concentração de entidades benévolas existe beleza, equilíbrio e paz, reflexo das mentes já despertas para as lições do Cristo.

Podemos aproveitar o texto em estudo e trazê-lo para o cotidiano, tendo como base as passagens evangélicas onde Jesus acalma a tempestade[2] e outra em que ele caminha sobre as águas[3]. A água é o elemento material por excelência, significando a reencarnação ou o plano físico que nos acolhe. O barco representa a posição que ocupamos no mar da vida; é a situação que ora vivemos em virtude de escolhas que fizemos no passado remoto ou mais recentemente. Por fim, temos a tempestade com seus raios, trovões e muita chuva, remetendo-nos às dificuldades que a Providência Divina nos proporciona, observando as carências evolutivas que ainda apresentamos. É importante ressaltar que, na verdade, as dificuldades ou obstáculos são desafios imprescindíveis, excepcionais oportunidades de progresso para o Espírito, configurando-se sempre na manifestação da vontade de Deus a nosso favor.

Com isso estamos dizendo que nem tudo na vida é belo e fácil; nem tudo são flores e alegria, nem sempre o Sol brilhará intensamente. As nuvens frequentemente estão por aí, rondando os homens, mas também impelindo-os a buscar a luz e o calor do Criador. Há momentos em que nos deparamos com situações tristes e complexas, com espinhos, tristezas e decepções que nos remetem às tempestades narradas pelos evangelistas. Entretanto, tudo é bom e útil, pois visa nosso crescimento.

A receita para vencer essas adversidades e aproveitá-las como benditos ensejos de elevação se encontra na Boa Nova. O comodismo, a inércia e até mesmo a má vontade que não raro cultivamos, faz com que os valores crísticos que existem em nós e precisam ser desenvolvidos através do trabalho e do amor, permaneçam enterrados. Eis o simbolismo do Cristo dormindo dentro do barco, isto é, dispomos de enorme potencial e simplesmente o deixamos adormecido por sermos relapsos e rebeldes às determinações da lei divina. É essencial atendermos conscientemente aos imperativos da evolução.

Destacamos a fé e a atitude de Pedro, que caminhou sobre as águas até o encontro do Mestre. No entanto, os ventos fizeram com que Simão tivesse medo e, consequentemente, perdesse sua fé e afundasse no mar. É o que acontece com a maioria das pessoas: possuem uma fé vacilante, fraca, irracional, exteriorizada verbalmente apenas nos momentos de tranquilidade. Basta, porém, uma vicissitude para afundá-las no desespero. Será que temos demonstrado fé raciocinada e atitudes coerentes com o Evangelho? Jesus já veio, mas agora a responsabilidade é nossa de irmos a ele. Quando encontrarmos o Cristo dentro de nós, todas as tempestades de nossas vidas serão acalmadas pelas doces vibrações de paz, compreensão e equilíbrio que passarão a permear todo o nosso ser. Para tanto não basta só acreditar, mesmo que racionalmente; é necessário ir, sair da teoria para a prática.

Torna-se, desse modo, indispensável dominar a situação, caminhar sobre as águas turbulentas e cessar as tormentas, adquirindo o controle sobre si próprio, anulando as causas dos distúrbios e abrindo o coração para as suaves brisas da renovação espiritual. Não há fé que, de tempos em tempos, seja testada, exigindo-nos redobrados testemunhos. Não há bonança sem que antes venha a tempestade. Nem tudo é belo e fácil, mas tudo é bom e útil. Consolador é o fato do Mestre estar conosco até o fim...[4]

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 15 (A viagem).
[2] Evangelho Segundo Mateus 8:23-27.
[3] Evangelho Segundo Mateus 14:23-33.
[4] Evangelho Segundo Mateus 28:18-20.

Valdir Pedrosa – Dezembro/2014

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