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Poesia
 
Zolimpíadas do sertão
Por: Papagaio

Sonhei com as Zolimpíadas

Chegando no meu sertão

Foi o maior espetáculo

Que se viu na região

Tinha gente que só a peste

Lá das brenhas do nordeste

Chegando de caminhão

No desfile de abertura

A bandeira nordestina

Toda feita de retalhos

Pelas mãos de Severina

E eu ali, de camarote

O bode virou mascote

A tocha era a lamparina

A nossa delegação

Para conquistar os louros

Desfilou de guarda-peito

Gibão e chapéu de couro

E enfrentando a batalha

Conquistou muitas medalhas

de bronze, de prata e ouro

Quem carregou a bandeira

Foi Ritinha de Zé Bento

Já a pira foi acesa

Por Tonin de Livramento

Nosso atleta principal

E recordista mundial

Do hipismo de jumento

Antes das competições

Um lanche bem reforçado

Com buchada, cajuína

Rapadura e milho assado

Fava verde com galinha

Sarapatel com farinha

Angu com bode guisado

Nas águas do Velho Chico

As provas de natação

Os pulos ornamentais

De cima de um paredão

Ginástica num terreiro

Remo e vela num barreiro

E judô num palhoção

A maratona, seu moço

Era por nossas estradas

Atravessando os riachos

Nas veredas, nas quebradas

Da paisagem nordestina

Ao som do galo-campina

E da patativa golada

Na competição de tiro

Os velhos de bacamarte

Pé-de-bode, granadeira

Vestimenta de zuarte

E davam cada pipoco

Do sujeito ficar môco

De se ouvir em toda parte

A prova de atletismo

Conhecida por carreira

De cem e duzentas léguas

Com barreira e sem barreira

Foi por dentro do cercado

Atravessando um roçado

Pelo meio das capoeira

Os saltos, lá no sertão

Eram provas de “pinote”

De riba de uma barreira

Num pedaço de caixote

O cabra de lá pulava

Num açude tibungava

Caindo feito um caçote

O jogo de futebol

Se jogava sem chuteira

Num campo de chão batido

No alto de uma ribanceira

As traves de barandão

O campo sem marcação

No calor e na poeira

Levantamento de peso

Quem ganhou foi Sebastião

Cinco sacos de Farinha

Três arrobas de algodão

Com esse peso todinho

Ele se ajudou sozinho

E se sagrou campeão

O arremesso de pedra

Quem ganhou foi Expedito

No tiro com baladeira

Carmelita fez bonito

E Já na queda de braço

O ouro foi pra Inaço

E a prata pra Benedito

Fizeram de três batentes

Pódio pra premiação

Com uns ramos de onze-horas

Era a coroação

E numa latada de lona

Asa branca na sanfona

Completava a emoção

E assim eu me acordei

Com orgulho do sertão

Desse povo vencedor

De tão grande coração

De história tão sofrida

Que nas batalhas da vida

Nasceu pra ser campeão

(Edson Francisco)
VIVA A CRIATIVIDADE NORDESTINA.
Rima enviada por Audisio Alves da Costa, direto da Paraíba.

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