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Crônica
 
Exemplo é que não falta
Por: Afonso e Silva

“O que é o homem e para que serve?” (Eclo.18,7). “A duração da vida humana é quando muito de cem anos”. (Eclo.18,8). Refletindo sobre a Páscoa resolvemos discorrer sobre o tema ‘mudança’, passagem de um estágio a outro, assim como ocorreu com Cristo, passou da vida à morte reiniciando uma nova vida. Sentimos a Páscoa como essa oportunidade de começar vida nova. Nesse sentido, aproveitando o dia do trabalhador, resolvemos falar um pouco sobre aposentadoria. O tema é complexo e embora não detenhamos conhecimento nem autoridade para falar sobre o assunto, pois ainda não chegamos à sonhada aposentadoria, muito menos fizemos qualquer pesquisa sobre o tema, mesmo assim, baseado apenas na observação e convivência, vamos arvorar falar um pouco sobre isso. O quê isso tem a ver com a Páscoa? Tem tudo a ver, senão vejamos: nós trabalhadores vivemos quase que em função do emprego, pois é do trabalho que conseguimos tirar o próprio sustento e de nossa família. Passamos a maior parte do tempo de nossas vidas na locomoção casa-trabalho-casa-trabalho-casa-trabalho-casa..., não obrigatoriamente nessa ordem, de segunda à sexta-feira, de janeiro a dezembro, durante não menos que trinta anos, se, mulher e trinta e cinco, se homem, no cumprimento de uma jornada diária de oito horas, às vezes sem qualquer intervalo até completarmos as exigências legais para atingirmos à categoria de aposentado. Tomamos café no trabalho, almoçamos no trabalho, fazemos necessidade fisiológica no trabalho, nosso círculo de amizades rondam o trabalho. Nossas vidas foram construídas do e no trabalho. Somos movidos pelo trabalho. Nossa energia vem do trabalho.
Daí, conseguimos ver a aposentadoria como uma quase-morte ou mesmo um ensaio à morte, mas também uma vida nova, cheia de realizações, reprimidas que foram em função do trabalho. Com a aposentadoria morremos para o trabalho. Morremos para este tipo de trabalho que nos confunde com extensão de máquina. Este trabalho que realiza os patrões, não o trabalhador. Este trabalho que fazemos o que querem que façamos, não o que queremos. Este trabalho que nos leva à indignação, ao estresse, às diversas doenças.
Com aposentadoria nascemos para um novo tipo de trabalho. Um trabalho junto aos mais carentes, solidário, amigo, fraterno, sem a intolerância de chefes. Um trabalho prazeiroso e que nos faz sentir gente. Um trabalho que contribui para o desenvolvimento dos irmãos e nosso. Um trabalho que nos eleva e nos deixa um pouco mais próximo Dele.
Mas um alerta se faz necessário: a aposentadoria tanto pode se transformar num magnífico presente, quanto num eterno sofrimento. Vai depender de cada um de nós. Será um presente se nos prepararmos para recebê-lo, utilizar o tempo em nosso benefício, fazer alguma coisa de útil para nós mesmos, para nossos irmãos e para nossa comunidade. Praticar a solidariedade, pois a mudança será muito grande e pode acontecer com a gente o mesmo que ocorreu com os negros, quando os europeus descartaram seus serviços por imposição da Inglaterra. Ficaram literalmente sem rumo. Tiveram que se ajeitar num mundo que desconheciam e que não lhes oferecia condições de sobrevivência alguma. Junto com a aparente ‘liberdade’ dos negros, pois já que não eram mais escravos, veio à dificuldade. O que Isabel fez foi tirar um encargo dos latifundiários. Doravante o Estado isentou aos brancos de dar de comer e de vestir aos negros. Lugar para dormir? Que “se virem” de agora em diante. Os equipamentos já não precisam mais de manutenção e podem ir para o lixo, já utilizaram o suficiente para juntar a riqueza necessária à troca dos escravos por sucatas trazidas da Europa. Os pobres saíram escorraçados das fazendas. Emprego assalariado não lhes era permitido, sob a justificativa de que não tinham competência e sim, dificuldade de aprendizado. O promissor mercado de emprego remunerado, recém-criado, destinava-se exclusivamente aos imigrantes brancos. “Se fala o rico, todos se calam, e glorificam suas palavras até às nuvens; se fala o pobre, dizem: que é este homem?” (Eclo. 13,28-29).
É isso... Aposentadoria não pode ser sinônimo de domingos e feriados apenas. Ela é um enorme presente, mas a preparação é tão ou mais importante que ela própria. Daí nosso conselho, planejar muito bem antes da aposentaria chegar. Tem muita gente que já se encontra aposentado, libertou-se do relógio de pontos, dos ônibus, das marmitas, dos chefes insuportáveis, mas não sabe o quê fazer desta conquista. E aí é que mora o perigo. As doenças brotam como erva daninha. Começa por uma tristeza por ter perdido o contato com os colegas de trabalho, é abatido pela insônia, pela melancolia, pela depressão e outras doenças mais graves. Por fim, se sobreviver à etapa anterior, o caminho mais curto são os bares, as drogas, a prostituição, que, infelizmente, esses são os mais freqüentes. Caminhos muitas vezes sem volta. “A duração da vida humana é quando muito de cem anos”. (Eclo.18,8). Porque não aproveitá-la direito? Temos certeza que Ele ficará muito satisfeito conosco!

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