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Crônica
 
O recado está dado
Por: Afonso e Silva

Por: Afonso e Silva

Quando o assunto é meio ambiente o que mais se ouve é falar em ‘salvar o planeta’. Nesse início de abril reúnem-se em Londres o Grupo dos 20 e a primeira manchete dos jornais foi no sentido de que poderá sair desse encontro a “salvação do planeta”. Precedeu à reunião, no último dia 28 de março, o ato simbólico promovido pela ONG WWF – WoldWide Fund for Nature, ‘APAGUE AS LUZES PELO PLANETA’. O movimento consistiu em desligar as luzes a partir das 20h30 minutos durante 1 hora. O ato foi abrangente, repercutiu em mais de 80 países. O mote da iniciativa foi um apelo contra as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Tanto as discussões em Londres quanto à iniciativa da ONG são válidas, mas insuficientes. Pior que isso, nem beiram o problema. Comparativamente é como um jogador chutar a bola no gol e atingir a bandeirinha do córner. O cerne da questão é outro. As mudanças climáticas são frutos de nossa ganância, do eterno querer ter, do consumo em larga escala. A grande maioria do que é oferecido pelo deus 'mercado' hoje, não serve para nada, mas para ser produzido causa um estrago irreparável ao meio ambiente e não será desligando as luzes por 1 hora é que iremos consertar o inconsertável. Muito menos vinte ou cem pessoas decidindo o destino da humanidade numa reunião em que o tema principal é justamente o incremento ao consumo em função de uma crise econômica. Crise, aliás, diga-se de passagem, provocada.

E tem mais, evocam os ganhos da exploração a não mais de 5% dos viventes, aumentando infinitamente o patrimônio pessoal e dividem, em partes iguais aos 95% restantes, as responsabilidades pelos estragos. Pior, tudo devidamente legitimado pelo Poder Público sob a alegação de que estão promovendo o desenvolvimento do país, gerando riqueza e renda. Mas no final das contas o que geram é destruição ao meio ambiente, trabalho aos 95% da população para geração de renda aos 5% eleitos.

Enfim, dizem uma coisa, mas agem de outra e as campanhas nada mais fazem do que desviar nossas atenções para ocultar os verdadeiros culpados. É muito comum o empresário patrocinar eventos dessa natureza enganando a sociedade, dizendo-se preocupado com o meio ambiente quando, na verdade, são os maiores destruidores. Não são raros os casos de mineradoras recuperarem praças, casarões antigos, ou outros, expondo placas gigantes dizendo ser uma empresa com responsabilidade social. Qual nada, não passa de uma migalha se comparado ao que é retirado da natureza, patrimônio da humanidade.

A natureza é um presente Dele e no pacote está incluído tudo o que for imprescindível à vida na proporção correta: nem mais, nem menos. Ele é de uma sabedoria ilimitada. Ele nos deixou água e ar suficientes para nossa manutenção em vida. Deixou-nos alimentos, espaço e inteligência para cultivá-los. O Planeta foi-nos entregue com tudo que necessitamos para viver nossos dias saudáveis e felizes, mas isso só não bastou. Queremos mais. E nesse eterno querer ter, hipnotizados pelo fetiche da mercadoria, vamos, literalmente, cavando nossos destinos. E olhe que Ele tem nos mandado vários recados de que não anda lá nada satisfeito conosco. É uma tsunami aqui, uma tempestade ali, um vendaval acolá, tornados, furacões, etc. Ele está se manifestando, mas fingimos não ver.

O que resta da flora arde em chamas. Os remanescentes da quase extinta fauna que caberia numa Arca de Noé e sobraria espaço, agonizam. As chagas das escavações estão por toda parte. Nossos rios se esforçam o que podem para arrastar do alcance das vistas a nossa podridão.

Nesse sentido volto a afirmar que reuniões ‘dos grandes’ ou campanhas no formato da WWF de ‘salvar o planeta’ só tendem a incutir em nós o sentimento de culpa, mas sem qualquer possibilidade de realização, pois na verdade o planeta não precisa ser salvo. Quem precisa de salvação somos nós. Precisamos de salvação enquanto habitante da Terra, pois a continuar nesta toada seremos dizimados, assim como os dinossauros no passado. Só que com uma diferença: eles foram objetos da História, nós os sujeitos. E como sujeitos ainda temos a chance de optar entre o suicídio coletivo e a salvação de nossos corpos, evitando a destruição do planeta consumindo o necessário, e de nossa alma impedindo que os bens materiais nos mantenham enfeitiçados.

Contudo, se as rédeas do destino da humanidade forem entregues aos 95% da população e esse contingente fizerem a opção de continuar neste ritmo, não é consolo, mas pelo menos o suicídio coletivo seria uma decisão democrática.

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