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Crônica
 
Justiça e paz, lados da mesma moeda
Por: Afonso e Silva

Por: Afonso e Silva

Nada é tão oportuno como o tema desta Campanha da Fraternidade. Hoje só se fala em crise. Na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, em todos países ricos só se falam em crise. Crise? Que crise? Essa crise é provocada pelos poderosos que detêm o meio de produção. Fazem isso para assaltar o Estado. Com isso buscam justificar perante a sociedade a inversão de prioridades. Desviam toda a arrecadação de impostos e taxas pagos por todos os cidadãos para salvar empresas falidas. Passam para o segundo ou terceiro planos os projetos de abrangência social. E que se danem o povo. Até os mais ferrenhos defensores do liberalismo, quem diria, estão de pires na mão implorando ajuda do erário público. Vale tudo, eles só não podem é deixar que suas supermega-hiper empresas entrem no buraco, pois isso seria a pá de cal no capitalismo.

Quem ontem com toda arrogância distribuía cartilha neoliberal aos quatro cantos do mundo. Hoje bradam alardeados e até num tom de ameaça que é hora de todos, pobres e ricos se juntarem para salvar as empresas-ícones que até ontem eram propaladas como exemplo de solidez e de orgulho nacional dos poderosos.
O que vem ocorrendo não é uma crise, mas a falência de um modelo injusto que tornam os pobres cada vez mais pobres e os ricos ainda mais ricos. A injustiça é geral. É a ‘mercadoria’ mais globalizada da face da Terra. O pior de tudo isso é que a distância entre pobres e ricos se torna bem mais acentuada nos países periféricos como o Brasil, cujos resultados e reflexos desta nova ordem constata-se na eliminação das parcas e parciais conquistas da classe trabalhadora; no enfraquecimento sistemático dos sindicatos; na infiltração, cooptação, interferência e desarticulação dos movimentos sociais; na permanente redução dos salários; no contingente assustador de pessoas que mensalmente perdem seus empregos e vai se juntar à assustadora massa existente, formando um verdadeiro exército de miseráveis. Conseqüência do desemprego por um lado e a correspondente amplificação da violência, da transgressão, da perversão, do tráfico e consumo de drogas, por outro. Resultado de tudo isso é triste, mas verdade, a cada dia aumenta ainda mais a crescente e indecente da concentração de renda.
Estes, portanto, são apenas alguns traços desta nova sociedade que emersa nos países do terceiro mundo, que chegaram a essa situação porque são vergonhosamente explorados pelos países ricos, independentes, centrais e que agora, pobrezinhos, estão em crise.

Nesta oportuna Campanha da Fraternidade não poderia deixar este alerta à nossa insaciável elite que é também um chamamento aos homens de bem e formadores de opinião dessa imensa Nação para repensar essa sociedade onde o quê uns jogam fora é banquete para a maioria. A injustiça é tamanha que salta aos olhos. Para se ter uma pequena ideia do que estamos falando, tomemos o exemplo da maior autoridade da justiça do País, nosso meritíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes que afirmou que o atual Governo não age corretamente ao destinar verbas aos projetos do “Movimento dos Sem Terra”, cujos membros, para nós, tem um único defeito: nasceram pobres e não tiveram coragem de enriquecer praticando atividades ilegais. O Movimento é legítimo e seus componentes pessoas de bem e só querem espaço para produzir. Esta mesma autoridade ‘o grande excelência’, recentemente foi às câmeras para denegrir a imagem dos agentes da Polícia Federal por estarem cumprindo sua função ao prender corruptos declarados e pegos em flagrantes. Pede a prisão dos “Sem Terra”. Exige que a justiça (justiça minúsculo mesmo) acelere os processos contras os trabalhadores. Por outro lado, ele vem distribuindo ‘habeas corpus’ para pessoas como o banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, para o ex-Prefeito de Juiz de Fora, entre outros e permitindo que políticos com pilhas de processos e contas rejeitadas possam concorrer eleições.

Urge que nossa sociedade se volte para o redescobrimento de suas identidades e potencialidades, organizando sua auto-estima e reconstituindo seus patrimônios, ainda que cheio de contradições e conflitos. Que nós cidadãos que construímos essa Nação, exijamos a correção do mal-estar social instalado através de políticas de valorização da vida, de inclusão de todos os cidadãos, de geração de empregos, de desconcentração da renda, entre outras injustiças, diminuindo o gap entre os destituídos e detentores de fortuna, que só vem alargando há mais de 500 anos para que possamos falar e viver em paz.

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