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Crônica
 
POR QUEM OS SINOS DOBRAM...
Por: SALETI HARTMANN

Esta crônica pretende ser um tributo à geração de Homens e Mulheres que, na graça de Deus, alcançaram a idade de 80/90 anos e, que estão nos deixando pouco a pouco, tecendo atrás de si um rastro de saudade e de admiração. Considero esta uma Geração muito especial, por sua fortaleza em ter sobrevivido às dificuldades do trabalho na roça e também pelo caráter moldado sobre princípios de convivência, que hoje, parecem ter se apagado da nossa sociedade.

Os sinos dobram por Homens e Mulheres que tiveram grandes famílias, muitos filhos, netos, bisnetos, e que foram esteio de verdadeiros clãs envolvendo as gerações mais novas, que hoje os veneram com amor, carinho e respeito. Parece que a era das grandes famílias chegou ao fim, com esta geração, e também a Família da forma como a conhecíamos transformou-se em tribos e grupos sociais que convivem a partir de interesses de trabalho, de lazer e não mais por laços de sangue, e de afetividade como o fizeram nossos pais e avós.

Os sinos dobram, saudosamente, pelas mãos calosas e pelos cabelos brancos daqueles que a vida fez curvar a espinha no conhecimento da plenitude, da humildade, e que, de uma forma muito especial, acreditaram e viveram a sua Fé, o seu Deus e viram o mundo se transformar, “da noite para o dia”, trazendo novos costumes, novas idéias e enfim, o paraíso artificial da tecnologia.... a geração da calma, da paciência e da simplicidade, viu nascer, estupefata, o novo ser humano, que vive com pressa, não conhece a serenidade e rodeou-se de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que parecem dominar todas as suas ações e pensamentos.

A geração que se despede da vida, com os cabelos embranquecidos e o corpo encurvado, deixou-nos alguns segredos, para uma longevidade generosa e para que a mente se conserve sã, mesmo num corpo envelhecido. Neste tributo vindo de dentro da alma, quero destacar o dom da paciência, e da oração, que trouxeram estes homens e estas mulheres até o século XXI. Quero dedicar às crianças e aos jovens das gerações atuais, o poder e a força que fez da paciência o elemento mais importante para que nossos pais e avós chegassem à longevidade.
Nossas crianças e nossos jovens estão desaprendendo a calma, o andar devagar, a perseverança nos sonhos e princípios sadios, que mantém a vida em constante movimento, porém sem o estresse que afeta o planeta de forma global, e que parece ser a única alavanca que dinamiza a vida. Crianças e jovens já conhecem o stress, o cansaço mental e são guiadas pela rapidez e pela fúria proporcionada pela tecnologia. Não precisa ser assim. A vida pode ser mais equilibrada, e a energia pode ser aplicada em objetivos claros, mesmo na era tecnológica.
Basta pensarmos na maneira simples como viveu a geração passada, e tirarmos as lições que precisamos para a modernidade.

A Vida, para quem tem hoje 80/90 anos, mesmo tendo os dias contados pelo trabalho constante, moldou-se na paciência de plantar a semente, cultiva-la até se fortalecer na planta, e depois colher os frutos, mantendo, no meio das dificuldades, a Fé nos Sonhos que os moveram. Assim, se sucedeu tanto na vida familiar como nas lides da roça.

Esta perseverança precisa ser aprendida pelas novas gerações, que parecem querer viver todas as emoções num só dia, experimentar todas as sensações em poucos momentos, e depois partir para outros objetivos, numa sede incontrolada, sem nem prestar atenção no tempo, que passa depressa, e os deixa sempre correndo atrás de novidades. Não parecem conhecer o sabor das coisas. Não têm tempo para conhecer o sabor das coisas.
Portanto, os sinos dobram por verdadeiros heróis e heroínas, que não revolucionaram o mundo de armas nas mãos, mas que mantiveram a vida pacífica, plantando, cultivando e colhendo, cujos filhos, netos e bisnetos aprenderam a honrar este espírito de luta que os acompanhará por toda a sua caminhada, como uma lição definitivamente aprendida.

Saudades.....

(Ao meu pai, F. H. (in memoriam), que faleceu aos 60 anos, e não pôde realizar o seu sonho de chegar aos cem anos. À minha mãe, Luzia (in memoriam), que alcançou a longevidade, ensinando o segredo da ternura e da paciência de plantar e colher os frutos da Vida

Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS

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