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Crônica
 
“Eles se conhecem, então não tem problema falar assim” Há justificativa para uma comunicação violenta?
Por: Milena Aragão

É comum na minha função como docente eu propor aos estudantes pequenos teatros onde são encenadas situações cotidianas, a fim de promover a reflexão sobre como agir caso a cena interpretada ocorresse no “mundo real”. Nesse caso há um peque roteiro, mas não há falas pré-estabelecidas, pois eles mesmos, com o conhecimento acumulado, deverão resolver a situação. Quando a cena interpretada envolve lidar com conflitos grupais, infelizmente é comum ouvir comunicações inadequadas, feedbacks grosseiros e ofensivos aos colegas de classe. Preocupa-me, em especial, por serem estudantes de psicologia!
Em meu trânsito cotidiano, também é comum ouvir pessoas emitindo opiniões sobre filho ou outros membros familiares recheados de ofensas, como se fosse normal falar com o outro de forma grosseira. Em sala de aula ouvi o relato de uma estudante cuja a irmã foi elogiada no trabalho por ser educada, sendo considerado este seu diferencial! Quando o diferencial da pessoa é a educação, traduzida em palavras como: por favor, obrigada, bom dia, boa tarde, boa noite... É um sinal de que precisamos olhar com muita atenção para os relacionamentos interpessoais e para uma palavrinha que faz toda a diferença: empatia.
Empatia é a capacidade de compreender emocionalmente o outro, de conectar-se com o outro, entendendo ser ele um sujeito que, assim como você, quer ser tratado com respeito, ser escutado e compreendido. Empatia é entender que na sua frente há outro ser humano, nem pior nem melhor que você, apenas diferente. A empatia proporciona expandir nossa capacidade de compreender o mundo que nos cerca, afastando-nos do individualismo.
Geralmente esforçamo-nos em sermos educados e até empáticos com desconhecidos, mas esquecemos que os sujeitos que nos cercam precisam – e muito – da nossa empatia. Necessitam do nosso respeito no falar e agir, da nossa compreensão. Já perceberam que justamente com as pessoas do nosso convívio é que falamos de forma mais hostil? “Ah! Mas é família, entende!” “É amigo, tá em casa!” Será? Será que devemos entender a grosseria como algo natural nas relações humanas? Será que é saudável? Vejo crianças e jovens reproduzindo a forma de resolver conflitos aprendida em casa ou na escola e, veja só, eles são castigados por copiarem os adultos do seu convívio!
Precisamos repensar a idéia de que posso falar de qualquer forma com o outro, de forma imperativa, impositiva, sem medir palavras, que as pessoas entenderão meu “jeitinho”!
Devemos desconstruir a idéia de que é correto ser rude e ofensivo com o outro, de que a família, amigos ou colegas entenderão nossa falta de habilidade para resolver problemas de maneira não violenta, seja verbal ou física! Que eles entenderão que meu jeito de falar é arrogante, grosseiro ou deixa o outro desconfortável e ofendido! Não, não entenderão!
Quando esse “jeitinho” está presente nos ambientes organizacionais, ele provoca graves conflitos, com decorrências para saúde do sujeito! Pensa-se tanto em treinamento e desenvolvimento para o saber fazer e conhecer, mas e quanto ao ser e conviver?
Ora, se minha forma de falar provoca dor e mágoa, está errado!
Da mesma forma que aprendemos a ser desrespeitosos no falar, é importante que aprendamos o oposto: a comunicarmos de forma não violenta! E isso é possível? Sim! Há formas positivas e eficazes de dizer, entender e fazer-se entender. O conflito só é resolvido positivamente quando abrimos as portas para o diálogo e a escuta, buscando os pontos em comum entre as pessoas, focando na conexão humana.
Engana-se quem acredita que a comunicação não violenta é falar baixinho, mansinho e evitar a todo custo o conflito. Não! Trata-se de comunicar-se – ouvir e falar - educada e respeitosamente, tanto para resolver os conflitos, quanto nos momentos mais simples do cotidiano, como pedir algo, informar algo ou fornecer um feedback sobre algo!
A primeira vez que tive contato com a perspectiva da comunicação não violenta como caminho para melhorar as relações humanas, foi ao ler o livro do psicólogo Marshall Rosenberg, intitulado “Comunicação não-violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais” (2006), o qual nos coloca frente ao que sentimos, pensamos, falamos e fazemos conosco e com o outro. Ele pontua como princípios fundamentais a capacidade de se expressar sem julgamentos ou críticas, tendo como base a empatia.
Deixo este livro como sugestão e finalizo com uma reflexão: será que precisamos ser rudes, grosseiros ou hostis na forma de falar com o outro, em especial com quem convive conosco? Que tal mudar a cultura da violência pela cultura da paz nos nossos relacionamentos? Fica a dica!!

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