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Crônica
 
Nem todo mundo gosta de mim... Sobre adjetivos e “autoconceito”
Por: Milena Aragão

Realmente nem todo mundo gosta de mim, mas sem dúvida muitos tem adjetivos para me qualificar. Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do sujeito. Eu tenho muitos adjetivos, sejam qualificando-me positivamente, sejam não tão positivos assim. Eu também teço comentários sobre outros, no entanto, sei que a pessoa que eu adjetivo como legal, também pode ser vista por outros como chata. É isso, somos percebidos de diferentes formas: podemos parecer arrogantes em um determinado momento, em outro somos vistos como humildes. Tudo depende do ponto de vista de quem está emitindo a opinião e do contexto no qual a pessoa – e nós – nos encontramos. Não podemos ser resumidos a um instante, uma foto, um olhar. Tenho clareza dos meus adjetivos, ao menos tento! Tenho feito um trabalho incessante de autoconhecimento, de modo que hoje levo mais em consideração o que penso sobre mim mesma, do que o que outros pensam sobre mim. Agradeço os elogios e reflito sobre as críticas como se estivesse “catando feijão”, isto é, separo aquelas que me identifico, deixo seguir as que não me acrescentam nada, e tem a ver mais com o outro do que comigo. Por isso, tenho muito cuidado ao criticar positivamente ou negativamente uma pessoa.
Certamente não é um movimento fácil! A cultura da crítica e o repertório dos adjetivos que nos desqualificam são imensos! Não importa o que façamos de bom, de adequado, de correto; não importa o quanto nos dedicamos a auxiliar, a fazer o nosso melhor, sempre haverá pessoas te julgando e, pior, rotulando! O rótulo aprisiona o outro em uma idéia. Não quero prender ninguém, tampouco sentir-me presa.
Esta sempre foi minha preocupação: não rotular! Assim, na minha função como psicóloga, em especial no campo educativo, busco estimular os docentes e pais a desenvolver um olhar positivo para com a criança e o adolescente, observando suas fragilidades, mas também potencialidades, além do contexto em que eles estão.
É importante conhecermos nossas potencialidades para não sucumbirmos à cultura da crítica, não pensarmos que somos resumidos há características negativas que o outro nos atribui, tornando-nos, portanto, refém delas. Recordo-me de um meme que li atribuído a Nelson Mandela o qual dizia: “[...] não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você [...]”. Em tempos não tão distantes eu buscava encolher-me, pois acreditava que a invisibilidade me protegeria das pedras lançadas. Hoje vejo que de nada adianta, os “granizos” virão, sempre vêm, mas quando construímos uma blindagem amparada em um autoconceito positivo e compreensão para com as nossas fragilidades, entendendo que somos seres em eterno desenvolvimento, alguns adjetivos negativos não nos machucam mais como antes. Procuro, acima de tudo, me amar, me observar, me acolher, ter paciência e perdão comigo mesma. Sou um sujeito em eterna aprendizagem, e os outros também!

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