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Crônica
 
Criminalidade no Rio
Por: Milton Menezes

Residi no Rio de Janeiro apenas uns 10 anos.
Nesse tempo fui roubado apenas duas vezes (uma vez me tomaram o relógio apenas e a outra vez o carro).
Mais tarde, já como turista, fui assaltado também uma única vez, quando me depenaram bem (carteira, passaporte, celular, aparelho fotográfico, tudo o que não estava encadeado ao corpo foi para sempre embora).
No início alimentei aquele sentimento negativo de ódio, desejo de vingança e pensamentos macabros, que me acompanharam em noites de terror me destruindo o sono.
Hoje, passados anos, tenho mais pena que outros sentimentos para os ladrãozinhos da Cruzada de São Sebastião.
Choro esta história a propósito da discutida intervenção militar na segurança do Rio.
Minha opinião é clara e concisa: nunca vi algo mais inútil e infrutífero como esta intervenção.
Na verdade é até contra-produtiva e nociva à sociedade, pois tapa o sol com uma peneira.
O problema da criminalidade no Rio de Janeiro tem raízes coloniais, nasceu no desprezo pelos africanos que foram acorrentados como escravo na Bahia, no Rio e no nordeste também.
Os pobres foram espremidos como um limão, passaram séculos de opressão e vivem até hoje à margem da sociedade. A discriminação racial (sobre isto ninguém precisa discutir: ela existe no sangue brasileiro, pseudo-europeu) é o menor óbice na sociedade.
O pior é a degradação social, o abandono da parte da sociedade que mais contribuiu para o desenvolvimento do país. A cana-de-açúcar, o café, a agricultura dos séculos XVI até XIX foram trabalhadas com o suor da senzala.
Os criminosos não são os traficantes de droga de hoje, os ladrões de hoje, porém somos nós, a sociedade que desprezou quem a formou e a enriqueceu.
O problema da criminalidade no Rio de Janeiro não vai ser resolvido com violência.
Intervenção não ajuda nem os políticos demagogos (como este governo) pois antes mesmo de os militares irem embora a situação já estará de novo piorando.
Paliativos não são solução!
É necessário combater o mal na raiz, reconhecer que uma grande parcela da sociedade sofre com desemprego, analfabetismo, discriminação e desprezo em geral.
No dia (naturalmente uma miragem!) em que a sociedade se convencer de que somos todos seres humanos desenvolvidos dos mesmos macacos há 150.000 anos atrás e começarmos a nos respeitar como membros de uma única sociedade, aí a criminalidade vai se reduzir abruptamente.
Escolaridade para favelados, trabalho digno, cuidados médicos e sanitários, responsabilidade e respeito é a única arma que se pode usar contra a criminalidade, seja no Rio de Janeiro, na Cidade do Cabo, no Brooklin em Nova Iorque, ou na Lapa em São Paulo.

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