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Crônica
 
Não podemos perder o que nunca foi nosso
Por: Milena Aragão

O sentimento de perda dói, é uma dor no meio do peito, como se trancasse a respiração, pressão, vazio... Quem disse que as dores precisam vir de algo físico? Não! Elas também são fruto de uma vivência emocional, e como são! A diferença é que na dor física, visível, ocasionada por um objeto, por exemplo, quase sempre basta um curativo ou remédios para saná-la. Já a dor emocional não! Essa realmente é avassaladora! Não há esparadrapo ou medicamento que cure! Precisa vir de dentro! Na dor física, as pessoas observam, perguntam-nos o que houve, estimam melhoras e nós nos sentimos acolhidos pela preocupação alheia. Na dor emocional, as pessoas não sabem ao certo o que fazer ou dizer, além dos mesmos clichês: “não fique triste”, “vai passar”, “é assim mesmo”! Então, muitas vezes escolhemos não dizer nada e seguimos a vida com dor e um sorriso para camuflá-la. A dor emocional não é tão bem vista socialmente. Não somos uma cultura que aprendeu a lidar com esse tipo de dor, nem para acolher em nós, nem para acolher no outro. Considero a perda uma das grandes dores emocionais, e por assim considerá-la, penso muito sobre ela. Perder...perdemos o que é nosso, correto? Mas sofremos, muitas vezes, pelo que nunca foi nosso. De fato sofremos pelas expectativas perdidas, essas sim são nossas! Os sonhos que criamos sobre o objeto “perdido”. Perdi a chance! Só se eu achava que era minha....mas era realmente? O que posso considerar meu? O que é objeto de minha posse se não meus sonhos, desejos, expectativas? Será que sofreríamos menos se depositássemos menos expectativas nas situações e pessoas? Pois é... caso a se pensar...A perda também tem outra vertente: a culpa. Se perdi, de quem foi a culpa? Ora, mas a culpa vem quando fazemos algo errado! Perder é ruim, mas é errado? Se considerarmos que sim, então partimos do princípio que certo é vencer e então transformamos o mundo na polaridade ganhar X perder. Como não se ganha sempre, o resultado é uma legião de culpados por não ter suprido a expectativa cultural da dualidade. A culpa nos leva a punição, e então nos punimos por ter perdido algo que sequer – na maioria das vezes – era nosso. Punimo-nos pelas expectativas não alcançadas: nossa e do outro sobre nós. Seria tão melhor se nos desapegássemos da necessidade de polarizar o mundo e conseguíssemos vê-lo como ele realmente é: múltiplo, sistêmico, oferecendo-nos apenas experiências, as quais não devem ser julgadas, mas vividas. Quem sabe a vida assim seria mais tranquila? Quem sabe...

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