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Crônica
 
Sobre as birras infantis: uma pitada de reflexão!
Por: Milena Aragão

Birras infantis podem ser desafiadoras não é mesmo? Mas veja, há possibilidade de lidar com elas de forma mais respeitosa para todos! O primeiro movimento que deve ser feito é buscar do fundo do seu ser a empatia. A birra não é só uma manifestação de frustração frente a algo que ela não ganhou, é uma manifestação do desenvolvimento da criança e das frustrações e temores desta fase. "Até outro dia" ela era um bebezinho completamente dependente, nem pedir as coisas podia, pois não tinha estrutura física para isto (fala); muito rapidamente ela tem um pico de desenvolvimento que a permite falar, caminhar, pular, interagir de uma forma totalmente diferente e inesperada, o mundo ganha novo sentido, o cérebro está a mil e o emocional também. É uma grande confusão na cabecinha da criança. Se ela está numa família que não estrutura rotina, que não olha o mundo a partir do prisma de uma criança (basta ler sobre desenvolvimento infantil), esse processo é ainda mais sofrido. Pense numa criança que está com as sinapses à todo vapor, que tudo no mundo é estímulo, que é preparada biopsicologicamente a experimentar esse mundo, sendo levada para um shopping, com tudo o que um espaço desse representa! Ela fica mexida mesmo! Ela vai querer experimentar as cosias, ela vai ter dificuldade em escolher o que quer e isso causa uma enorme frustração! Sabemos que é preciso ensinar as crianças a ter autonomia e, para isso, introduzimos objetos para que ela escolha, mas -nesta idade - ela deve escolher entre duas coisas e não entre uma loja inteira! Aí o comportamento de irritação, ansiedade, frustração aparece e ela ainda apanha por causa disso! Muitas vezes as crianças não são preparadas para lidar com esse processo, em casa, no conforto e segurança do lar e são levadas num espaço de grande estímulo visual! Claro que ela vai entrar no modo "birra"! As chances são grandes! Certo dia eu estava no médico e tinha uma criança de 2 anos já sinalizando que faria um pequeno "show". A avó imediatamente advertiu à mãe:"dá um tapa que ele pára". Eu, imediatamente, falei: "ele deve estar incomodado com alguma coisa" Pois bem: a criança já estava há 2 horas esperando atendimento, no calor, vestindo sapato e calça jeans (que esquenta ainda mais). A mãe saiu com ela e retornou falando: "você estava certa, ele não gosta de usar sapatos e já estava muito tempo com eles, tirei o sapato ele parou".

Aqui vão algumas dicas:

1. Tenha calma! Pense: não é pessoal! Ela está manifestando um descontentamento, identifique qual é!
2. Conecte com os sentimentos dela: eu entendo que você esteja triste, com raiva, chateada, brava...nomeie os sentimentos dela. O que não é nomeado, não é controlado
3. Não exploda! Gritar, bater, ofender, só pioram para ambos!
4. Crie alternativas para acalmar a criança: retire-o do espaço que incentivou a birra, ofereça um abraço, ajude-o a respirar. Diga que estará disponível para conversar quando ela se acalmar.
5. Se estiver muito difícil para você, dê seu tempo positivo: "Estou muito chateada agora, não vou conseguir falar com você, irei respirar um pouco (no banheiro, quarto...) e assim que eu me acalmar conversaremos.

É importante que nós, adultos, vejamos as crianças como pessoas em desenvolvimento e que precisam do nosso afeto, compreensão, paciência e conhecimento. A birra não é um comportamento para provocar os pais , é uma manifestação natural da vida. Ela passa! Façamos com que seja um momento acolhedor e de aprendizagem para todos!

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