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Mário Francisco de Morais
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A ALIANÇA PARTIDA
Por: Mário Francisco de Morais

A ALIANÇA PARTIDA

Mário Francisco de Morais



As duas irmãs conversavam sentadas, cada uma em suas camas, sobre o que ia acontecer após o casamento de uma delas. Adélia e Adelaide eram gêmeas e as únicas irmãs que ainda restavam na casa. Adélia dizia:
__ O que vai ser de mim minha irmão quando você se casar? Tenho que arranjar um homem de qualquer maneira para me casar e ou amigar. Não posso ficar pra titia e ficar nessa casa sem você.
__ Casar eu admito minha irmã, mas amigar papai e mamãe não podem ouvir essa palavra nem de brincadeiras. Demais disso, não vou morar longe, nos fins de semana você pode passar comigo em casa. Acho que uma semana é pouco para pôr as fofocas em dias.
__ Mesmo assim minha irmã, vendo você casada tenho inveja e acho que eu sou mesmo sem sorte, pois nem namorado arranjo. Os namorados que me aparecem, não me interessam. Vou acabar pegando qualquer um que aparecer na reta.
__ Você não tem medo de estragar sua vida casando com qualquer um?.
__ O importante é estar casada. Não há um ditado que mulher não casa com sapo por que não sabe qual é o macho? O importante é ter aquilo funcionando, o resto a gente se vira.
__ Você pra mim não é certa Adélia, deixe mamãe ouvir isso.
Nesse instante a mãe entrou e colocou as duas em aperto.
__ Ouvir isso o que meninas? Agora quero saber o que tanto conversavam.
__ Nada mamãe, falava sobre o noivado de Adelaide e seu casamento pra logo.
__ Conversa fiada, vai falando logo e deixe de arrodeios.
__ Nada mamãe é bobagem minha.
__ Pois eu quero saber dessa bobagem mesmo, vai falando senão vou chamar seu pai e vocês vão falar tintim por tintim.
__ Tá mãe, se a senhora quer saber , eu disse que se Adelaide se casar, eu não vou ficar pra titia, que me caso logo nem que for o primeiro que me aparecer.
__ Tem certeza que foi isso mesmo que falou que deixasse eu ouvir? Foi isso mesmo Adelaide.
Diante do aperto que ficou, Adelaide não teve alternativa senão confirmar a mentira da irmã.
__ É bom vocês procurar o que fazer do que ficar aí conversando bobagem e pondo pra fora o que vem na cabeça.
__ Mãe, não temos mais nada a fazer, o que tem a gente conversar, daqui três meses essa casa vai ficar vazia sem Dé.
__ Por que daqui dois meses se o rapaz nem a pediu em casamento?
__ A senhora sabe muito bem que ele já avisou que quando vier pedir o casamento já vem com as alianças e quer marcar logo o casamento.
__ Como que marcar casamento menina, você sabe que somos pobres e não temos condições de aprontar o enxoval assim às carreiras.
__ José Paulo disse que não quer pompa e vai ajudar no que puder.
É, mas você sabe como seu pai é orgulhoso e não vai querer ajuda de genro nenhum.
A mãe saiu deixando as duas irmãs no aperto que passaram e a mentira de Adelaide que salvou-as
No domingo seguinte José Paulo pediu Adelaide em casamento, mas não levou as alianças. Deixou para ficar noivo oficialmente depois que as alianças ficassem prontas e perto do casamento que marcaram para três meses depois. O pai de Adelaide não conformava com um casamento às pressas sem se preparar como queria. Convidar a família que era grande, os amigos, sem lhes oferecer uma festa, como era tradição da família

Os meses transcorreram rápidos no corre-corre para aprontar as coisas. Na véspera do casamento Adélia pediu a irmã a aliança para experimentar em seu dedo, que entrou um pouco apertada, sendo mais gorda uns quilos a mais que a irmã, e saiu à rua exibindo-a como se dela fosse e dizia pra todo mundo exibindo o dedo com a aliança.
__ Minha irmã desistiu do casamento e quem vai casar com José Paulo sou eu. Vejam minha aliança. Vocês serão convidadas muito breve pra meu casamento.
Evidentemente que as pessoas que conheciam Adélia não acreditaram, sabendo que era alegre extrovertida e brincalhona, mas outros acreditaram e saíram espalhando pelo pequeno lugar, e as notícias corriam longe. Logo chegou aos ouvidos do noivo que quis se inteirar do boato
Adélia ficou na rua até mais tarde exibindo o dedo com a aliança quando chegou em casa a irmã já havia dormido cansada da lida do dia. Tentou retirar a aliança, mas que saiu. Ficou preocupada e tentou retirar passando sabão. Mesmo assim a aliança não saiu. No tira e sai o dedo inflamou um pouco. Como todos já haviam deitado, Adélia também foi deitar. O dedo ardia e ela sentia uma pequena dor na junta. O sono veio logo e ela dormiu. Na manhã seguinte ao casamento Adélia amanheceu com o dedo inflamado e roxo e aliança não saía. Todos entraram em pânico. Diziam que a aliança era amaldiçoada e que o casamento ia se transformar em tragédia, principalmente a mãe que não conformava com o fato. __Como retirar a Aliança do dedo inflamado? Eram perguntas que todos faziam.
Essa era uma pergunta que ninguém sabia responder. Alguém chegou até sugerir levar a moça para hospital para o médico operar o dedo, sugestão logo rechaçada. Sugeriram chamar o ferreiro seu Joaquim funileiro para serrar a aliança com a segueta ou uma lima fina, mas se serrasse a aliança não poderia realizar o casamento naquele dia. O noivo queria o casamento de qualquer jeito, mesmo sem a aliança. Alguém sugeriu que podia serrar e o funileiro fazer uma pequena emenda com um material parecido com ouro até levar ao joalheiro na cidade, após o casamento. A noiva recusou e o impasse foi criado. Enquanto isso as horas iam passando, o dedo de Adélia ia crescendo mais ainda e ela gritando de dor e com ânsia que parecia querer arrancar tudo por dentro. Diante do impasse chamaram o funileiro e com uma pequena serra foi serrando a aliança. Quando terminou Adélia desmaiou e por mais que tentassem fizê-la recobrar os sentidos era inútil. Mastruz, cachaça canforada, nada fazia a moça voltar os sentidos. Vendo a coisa cada vez pior arranjaram um carro e a levaram para o hospital mais próximo. Os médicos imediatamente aplicaram uma injeção e em poucos minutos ela voltar abrir os olhos. A infecção do dedo já havia passado para a mão e ela estava sujeito a perder o membro por uma gangrena. Aconselharam os médicos ela ficar internada para observação e uso de remédios que dentro de dois dias ou mais a mão e o dedo voltaria ao mormal. Com tudo que aconteceu o casamento foi adiado. Não podia realizar a cerimônia sem a aliança e com a filha no hospital com risco de perder a mão ou mesmo morrer. Adelaide caiu em prantos e não se conformava com o acontecido, por mais que as pessoas tentassem lhe consolar e não perdoava a irmã por haver provocado tamanha confusão e atrapalhado seu casamento.
No terceiro dia, como os médicos haviam previsto, o dedo de Adélia voltara ao normal e a aliança foi retirada. Adélia não queria voltar para casa e não estava em condições de enfrentar a família, principalmente a irmã. Entrou em depressão e estado de pânico que os médicos tiveram que aplicar calmante e aconselharam ela não voltar para casa enquanto não tivesse em condições, pois falava em se matar e os médicos temiam que acontecesse diante de seu estado. Foi aconselhado a presença dos pais na cidade para os médicos ter uma conversa com eles e com a irmã. Adelaide se recusava intransigentemente em ver a irmã e não quis acompanhar os pais. José Antônio foi com eles para conversar com a cunhada e tentar fazê-la voltar para casa, mesmo sob protestos da noiva.
No hospital Adélia estava calma, mas sob efeito de tranqüilizantes.
A família foi introduzida no quarto e Adélia os recebeu em prantos pedindo perdão ao noivo.
__Adélia, não perdão, tudo não passou de um pequeno incidente e o casamento vamos marcar para outro dia. Aquilo foi apenas uma criancice sua, ninguém vai te condenar por isso,nem tão pouco eu.
__ Você não, mas minha irmã jamais vai me perdoar por haver desmanchado seu casamento na hora. Por que ela não quis vir para eu pedir perdão de joelhos pra ela?
__ Ela está revoltada na verdade, mas isso passa quando eu marcar o casamento para outro dia
Os pais começaram recriminar a filha, mas José Paulo pediu-os que tivessem calma que ali não era lugar para recriminações.
__ Não adianta dona Lúcia e Seu Firmino, isso só vai piorar as coisas, em casa com calma vocês vão conversando com ela. As coisas já aconteceram e agora vamos procurar consertar marcando o casamento pra logo e assim consertar esse mal entendido.
José Paulo passou a mão no rosto da cunhada em sinal de carinho e apertou sua mão. Adélia deu um sorriso de agradecimento por aquele ato que esperava de todos e não recriminação constante.
Dias depois recebeu alta e foi para casa. Não sabia como encarar a irmã que não conformava com o ato de Adélia e nem tão pouco a perdoava. Em casa Adélia entrou chorando para pedir perdão a irmã, mas ela recusou qualquer aproximação com.
__ Minha irmã me perdoe pelo amor de Deus, por tudo que você ama, por papai, mamãe seu noivo, não fiz com intenção de te prejudicar minha irmã, me perdoe mais uma vez senão não vou ter paz na vida, eu te amo tanto e se você não perdoar sei que minha vida daqui pra frente vai ser um tormento.
__ Pois é o que quero que você sofra e passe o que passei esses dias e você vai sofrer para o resto de sua vida. Não adianta me pedir perdão que não vai consertar o que você fez.
Adélia chova convulsivamente sem parar. Vendo que não conseguia o perdão da irmã, arrumou suas coisas despediu da mãe e do pai.
__ Mamãe, papai, aqui não há mais clima pra ficar, vou passar uns dias na casa de tia Olegária. Quando minha irmã me perdoar eu volto.
__ Minha filha isso não vai resolver nada, vocês irmãs não podem carregar esse ódio uma da outra, vocês geradas juntas e nasceram da mesma placenta, por que agora vão se separar.
__Antes não tivéssemos nascidas juntas, não sabia a peste que ela era.__ Disse Adelaide.
Adélia saiu com a sacola com as poucas peças de roupas que levava, aguardou uma carona e foi para casa de sua tia que morava na cidade. José Paulo remarcou o casamento contra gosto da mãe de Adelaide, pois temia que o casamento não ia dar certo. Dizia que aquela aliança era maldita, embora todos tentassem demove-la da idéia que aquilo era pura superstição . O casamento foi realizado debaixo de um clima fúnebre. Os parentes que foram no dia não participaram e poucas pessoas foram à igreja.
Dias depois Adélia retornou à sua casa. Adelaide jamais visitou os pais. Dizia enquanto a irmã permanecesse na casa que lá não pisava os pés. Os pais quando sentiam saudades iam visitá-la, mas jamais tocavam em assunto relacionado à irmã.
Quatro meses depois, contra os protestos dos pais Adélia arranjou um viúvo sem filhos e foi morar com ele. As duas irmãs jamais se falaram. Quando iam na casa dos pais, era em dias que sabia que a outra não ia. Adélia logo se engravidou e Adelaide também. A gravidez das duas foi complicado e os médicos aconselharam que fossem ter as crianças no hospital. Adélia estava muito feliz na esperança de ter um filho e terminar um trauma criado pela aliança e o ódio da irmã que pareciam terem laços indissolúveis.
O parto das duas irmãs foi marcado para o mesmo dia sob protestos de Adelaide.
__ Dr. meu parto não pode ser marcado para outro dia? Não quero ter meu filho junto com minha irmã.
__ Quem é sua irmã dona Adelaide? No hospital não há discriminação, aqui todos são tratados iguais, brancos, negros, gordos magros, todos têm tratamento iguais. Os partos são marcados de acordo com o acompanhamento da parturiente, demais não conheço sua irmã.
__ Não tem jeito de eu ficar em outro quarto Dr.?
O médico vendo a intransigência da moça, respondeu num ar de quem não cede à chantagens.
__ Não senhora, o hospital somente tem uma maternidade. Ninguém pode ter o privilegio de ficar em quartos separados.
Adelaide não conseguiu convencer o médico e as duas irmãs foram internadas num só dia. Adélia teve o parto às onze horas nascendo uma linda menina. As duas horas da manhã Adelaide também deu a luz uma menina. Os recém nascidos foram colocados em berços paralelos.
A filha de Adélia nasceu com problemas respiratórios e ficou no balão de oxigênio até ver se o pulmão reagia. Os dias passavam e a criança não dava sintomas de melhora. Três dias depois Adélia recebeu alta, mas a criança continuou internada. Sem poder regressar para casa, aguardou na casa de sua tia até poder levar a filha para casa. Dias depois a criança faleceu. Adélia não conformava com a morte da filha, mas tinha esperança de ter outros filhos. As duas irmãs retornaram para suas casas, Adélia com sua dor e Adelaide feliz por ter uma linda menina que encantava a todos. Por incompatibilidade de gênios meses depois Adélia de separou do viúvo e voltou para casa dos pais.
Para que os avós vissem a neta, tinham que ir à casa da filha ou José Paulo levá-la em sua casa, sob protestos da esposa. Todas as vezes que o marido saía com a criança se formava uma grande discussão entre o casal. A criança já estava com seis meses, e assustada quando via a mãe, mas Adelaide não mudava de posição e sempre dizia:
__ Se papai e mamãe quiser ver sua neta que venham aqui. Onde estiver aquela peste, minha filha não vai.
__Adelaide você passou dos limites, o episódio da aliança já se passou, nós estamos casados, temos uma filha e você continua com esse ódio infundado de sua irmã. Ela não fez com intenção de te prejudicar, foi apenas uma criancice. Você vai terminando adquirindo uma doença por causa desse ódio. Você sabia que o ódio é fruto de uma doença que pode se transformar num câncer? Digo outra; o ódio é pecado mortal e Deus pode te castigar por isso.
__ Deixe de falar bobagem. Se Deus quiser me castigar, que castigue, vou morrer com essa mágoa daquela infeliz.
__Adelaide, mede suas palavras e não vou ficar aqui ouvindo baboseira suas, vou levar neném para ver os avós.
__ Você vai é pra ver sua amante, você acha que não sei que vocês andam flertando!
__ Adelaide pelo amor de Deus pare de falar besteira, você está precisando é de um tratamento de cabeça, você não pode estar pensando uma coisa destas, respeito sua irmã como minha irmã. Até logo e não vou ficar aqui ouvindo tamanhas besteiras.
José Paulo saiu com a filha, uma linda menina que encantava os avós e a tia
A criança ficava mais nos braços de Adélia que da avó e não queria de maneira alguma desgarrar da tia hora alguma, desde que chagava. Os laços entre tia e sobrinha foram se estreitando que algo de sobrenatural acontecia.

Chegou aos ouvidos de Adelaide o apego da criança com a tia e jamais deixou o marido levar a filha na casa dos avós. A criança chorava sem parar, mas não se descobria o motivo de tanto choro. A mãe foi perdendo a paciência e começou espancar a criança para fazê-la calar a boca. Levavam-na aos médicos, mas não descobriam doença alguma. No auge do desespero com a criança chorando desesperadamente José Paulo resolveu levar numa benzedeira e dizia invocar os espíritos, apesar dos protestos da mãe. Chegou com a criança ainda em prantos de choro e foi logo ao caso.
__ Mãe Narcisa, não sei o que mais faço com minha filha. Ela chora o tempo todo, já levamos em todos os médicos da cidade, mas dizem que a menina não tem nada. Já pediram alguns exames, mas os resultados foram negativos, queria que a senhora benzesse-a, quem sabe resolve.
A velha ficou alguns minutos calada mascando seu fumo e disse.
__ Meu filho os médicos tem razão, sua filha não tem nada.
Interrompeu o pai:
__ Não tem nada como, Mãe Narcisa, se ela chora o tempo todo.
__ Faz o seguinte meu filho, passe na casa de sua sogra e depois você volte aqui. Se a criança não parar de chorar, aí sim você tem que procurar outro recurso fora daqui que nem benzeção dá jeito.
__ Mas por que passar na casa da minha sogra Mãe Narcisa?
__ Faça o que mando meu filho. Depois volte aqui para eu benzer para tirar algum quebranto
José Paulo saiu pensativo no que estava acontecendo com sua filha e foi à casa da sogra conforme conselho da benzedeira..
Quando chegou perto da casa a criança começou parar o choro e apontar para a casa da avó e gugunar.__ Ti... ti dé.. dé. Certamente a criança queria dizer Tia Adelaide, na linguagem de criança.
Ao entrar na casa e a menina ver a tia parou o choro estendendo os braços para ir para seu colo e passou a brincar como se nada sentisse.
__ Meu Deus o que pode ser isso? Há muitos dias que essa menina chora, e agora de repente pára de chorar- Exclamou o pai.
Adelaide vendo o marido demorar com a filha saiu pela rua do pequeno lugarejo procurando pelo marido e a filha e tomou conhecimento que o viram seguir pelo rumo da casa da mãe. Sai como louca desvairada para buscar a filha. Chegando em casa da mãe, que jamais pisara os pés, entrou porta à dentro, foi aos braços da irmã e arrancou brutalmente a filha de seus braços, blasfemando e xingando o marido. Nem os pais deu a bênção. Saiu com a crianças aos berros com o marido tentando acalmá-la, mas foi impossível. A menina entrou em estado de choque e não parava de chorar. A mãe no ato do desespero começou espancar a filha, o que fazia somente aumentar os gritos da menina. O cabo do destacamento vendo aquele de selvageria Todos no pequeno lugar comentavam que Adelaide estava perturbada da cabeça voz de prisão Adelaide e tomou a criança de seus braços entregando o pai que vinha logo atrás.
__ Sinto muito Seu Paulo, mas é minha obrigação, isso não pode acontecer com uma criança. Sua senhora deve estar sofrendo de algum distúrbio psíquico O senhor deve procurar um tratamento para ela. Vou levá-la para a delegacia e lavrar a ocorrência e enviar ao delegado para ser aberto o inquérito.
Sem saber o que fazia com a criança, o pai retornou à casa do sogro e foi deixar a filha com a tia e prestar socorro a esposa.
Os pais vendo o estado da filha aconselhou-o de imediato ele procurar um tratamento para Adelaide. Chegando em casa dos avós a criança voltou a sorrir e tomou a mamadeira que com a mãe recusava. A criança já dava sinais de desidratação e subnutrição diante dos acontecimentos.
Adelaide foi liberada e retornou para casa sem se conformar com a filha nos braços da irmã. Insistiu com o marido buscar a filha, mas ele recusou.
__ Adelaide, espere um pouco até ver o que o acontece, essa menina não pode ver sua cara que começa chorar, você já meteu tanto medo nela que não pode te ver.
__ Pois eu vou buscá-la nem que eu tenha que matá-la de pancada
__ Me diz uma coisa Adelaide, você quer nossa filha viva ou morta? Do jeito que você está tratando uma criança de seis meses, você vai acabar matando-a mesmo. Deixe ela ficar na casa de seus pais uns dias até descobrir o que está acontecendo.
__ Eu quero minha filha aqui. Vou lá buscá-la agora.
Adelaide você quer ser presa novamente e agora ficar de uma vez. Você vai ser processada por maus tratos à crianças e sujeita a anos de prisão, acalme-se, vamos encontrar uma solução.
Dias depois o casal foi intimado a comparecer perante o Juiz da Comarca para depor. Os pais , os avós e a tia. O Juiz pediu que levassem a criança para ver o comportamento dela diante da mãe e tia.
No dia da audiência todos estavam presentes. Iniciada a sessão, foram introduzidos no salão a criança nos braços da tia. Depois de ouvir as partes o Juiz pediu que a mãe pegasse a criança das mãos da tia e sentasse com ela num canto do salão do júri. Logo que a mãe se aproximou a criança se recusou ir para os braços da mãe e começou a chorar batendo os braços se negando em altos prantos sair dos braços da tia. Mesmo assim o Juiz insistiu que ela tirasse a criança mesmo sob protesto. A criança se debatia estendendo os braços para a tia, em prantos de choro. O Juiz pediu que a mãe voltasse com a criança novamente e a entregasse a tia. Naquele momento o Juiz usou a lei de Salomão o mais sábios dos reis judeus. A criança estendeu os braços e foi para a tia agarrando-se a ela como se estivesse com medo da mãe.
A justiça de Salomão. Conta-se que duas mães brigavam pela posse de uma criança e chegaram ir aos tapas, cada uma segurando uma parte da criança. As duas foram à presença do rei Salomão para decidir qual das duas tinha direito na criança.
Em sua sabedoria, Salomão mandou levar até suas mãos uma adaga( arma de corte espécie de facão) e mandou levar a criança até ele. Como as duas não chegavam a um acordo sugeriu partir a criança ao meio e cada uma das mulheres ficarem com uma parte. A que não era a mãe disse:
__ Que o faça, assim nem ela nem eu.
A outra que era a mãe verdadeira disse:
__ Majestade, se é para ver meu filho morto, que ela fique com a criança, me contento em vê-la viva.
Salomão mandou entregar a criança, a verdadeira mãe.
Nesse instante entrou aos prantos no salão uma senhora vestida de branco que logo se identificou como sendo uma das enfermeiras do hospital.
__ Dr Juiz, mande me prender, eu sou a culpada de tudo isso. Não foi por meu gosto Dr. Troquei as crianças no berçário a que morreu era de dona Adelaide, essa criança é filha de dona Adélia.
O Juiz interrompeu:
__ Espere dona que história é essa, quem é a senhora?
Um dos assistente que conhecia a senhora cochichou em seu ouvido.
Voltou ele a falar:
__ A senhora trabalha como enfermeira no hospital e estava no dia que as crianças nasceram?
__ Sim Dr. Juiz. Vim descobrir a confusão esses dias quando soube por minha vizinha que é tia das duas, mas fiquei com medo de ser mandada embora e guardei o segredo, mas não posso levar esse peso pelo resto de minha vida. Sou evangélica e posso ser castigada por meu Deus e Senhor.
Adelaide estava ouvindo tudo e gritou:
__ Não; é mentira, não pode ser Dr.; ela está mentindo, a filha é minha, não vou deixar minha filha com ela.
__ silêncio minha senhora, senão vou mandar retirar a senhora do recinto. Pediu o Juiz batendo na mesa.
A sessão foi encerrada o Juiz entregando a guarda da criança para Adélia até que se resolvesse o caso. Marcou para os pais retornar à cidade dentro de dez dias e a tia levar a criança para retirar o sangue e fazer o exame de DNA. Mandou intimar o ex- marido de Adélia para comparecer em juízo para também retirar o sangue. Adelaide não se conformava com a decisão e prometia se a criança não fosse dela, da irmã também não seria. O juiz mandou interná-la
Num hospital psiquiátrico até que se soubesse os resultados. Adelaide esteve duas semanas internada recebendo tratamento e foi liberada. Dias depois saíram os resultados do DNA. A criança que havia morrido era filha de Adelaide e não de Adélia. Adélia não sabia como se conter de felicidade. Sua filha estava em seus braços e ninguém mais a tirava, nem mesmo a irmã. Adelaide não se conformava e novamente se desesperou. Quando se preparava para interná-la novamente ingeriu um vidro inteiro dos comprimidos que os médicos receitaram. Na manhã seguinte encontraram em estado de coma. Correram com ela ao hospital, mas no caminho ela faleceu. A aliança se partira para sempre das duas irmãs. Adélia estava contente por um lado, mas pesarosa por outro por haver provocado um ódio mortal de sua irmã que tanto amava, mas por uma brincadeira desencadeou todos os episódios. Acompanhou o enterro da irmã debaixo de muito choro.
José Antônio não se conformava do vazio naquela casa e quando chegava do serviço ia direto à casa da sogra ver a criança que teve como sua filha durante meses e já a amava como sendo fruto da união com Adelaide. Pediu permissão a Adélia e os avós para visitar a criança quando quisesse. Teve a permissão e começava um novo relacionamento entre ele Adélia e a criança que chamava papai quando ele não aparecia. Para todos efeitos José Paulo era o pai da criança pelo vínculo que haviam adquirido desde quando nasceu. Adélia por seu lado tinha um sentimento pelo cunhado que não mais escondia dos pais nem dos vizinhos. José Paulo pediu Adélia em casamento e aceito pelos pais, se casaram dentro de meses. Desta vez fizeram uma grande festa com a presença de Marildinha, como chamavam a criança, já com dois anos de idade.
A seguir Adélia se engravidou e teve um menino para completar a felicidade do casal.

Plagiando um pequeno trecho de “ O Grande Campeão” de Danilo Horta,
um escritor mineiro que já o conhecemos no fim de sua luta contra o câncer de pulmão, mas que logo veio a falecer citamos abaixo.

As histórias são como a vida: nunca se acabam enquanto houver alguém para continuar a construção de ambas. As histórias serão sempre contadas acrescentando novos fatos a ela, e a vida perdurará eternamente, enquanto a construção moral dela servir como exemplo.

Seria impossível nas histórias não haver mortes, nascimentos, lutas, vitórias, choros, risos, tristezas e alegrias Assim aqueles que escrevem romances, contos, poesias, vão escrevendo os fatos, ficção, realidade, realidade e ficção juntos, para apreciação dos amantes da Literatura, como fizeram os escritores do passado.

O Autor

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