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Artigo
 
O Desculpismo Indesculpável
Por: Valdir Pedrosa

O DESCULPISMO INDESCULPÁVEL

O assunto sobre a assistência aos encarnados, apresentado pelo Sr. Bacelar, despertou o interesse dos presentes na residência de Alfredo e Ismália, no Posto de Socorro. Após breve explanação sobre os desafios de tão nobre atividade, André Luiz ponderou: “Tem razão; entretanto, vale por conforto a certeza de que há muitos cooperadores encarnados no mundo prontos a colaborar na tarefa.” [1] Ledo engano! No final da década de 1990, quando descobri a maravilha que é o Espiritismo, eu também pensava como André. Diante de todo o conhecimento e trabalho que a Doutrina Espírita nos proporciona, imaginei que havia inúmeros tarefeiros de boa vontade que, em uníssono com os pensamentos do Cristo, levavam a caridade a todos os cantos. Algum tempo depois, já estudando um pouco mais os postulados evangélicos, me deparei com a seguinte fala de Jesus aos seus discípulos: “Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”[2] Posteriormente, abracei com intenso amor a função de expositor espírita e, aos poucos, fui percebendo a veracidade do comentário do Mestre. Depois de mais de vinte anos percorrendo inúmeras instituições de nossa cidade e de sua região metropolitana, observei que na maioria delas há uma quantidade considerável de frequentadores, pessoas que buscam na Doutrina o consolo, a orientação e o esclarecimento para as mais diversas situações de suas vidas. Todavia, infelizmente, o número de tarefeiros quase sempre é muito pequeno. Faltam dirigentes, expositores e médiuns, dentre outros. Sobretudo, há uma grande carência de lidadores espíritas devidamente qualificados e comprometidos com a pureza doutrinária do Espiritismo.

Em resposta à colocação feita por André Luiz, o Sr. Bacelar comentou: “Nem sempre. A cooperação é outro problema. A maioria dos irmãos que se propõem ao serviço, partem daqui prometendo, mas gostam de viver descansados, no planeta. (...) Raramente encontramos companheiros encarnados com bastante disposição para amar o trabalho pelo trabalho, sem ideia de recompensa. A maioria está procurando remuneração imediata. Nessas condições, não percebem que a mente lhes fica como aposento escuro, atulhado de elementos inúteis. (...) Enxergam tormentas onde há paisagens celestes, montanhas de pedra onde o caminho é gloriosa elevação. De pequenos enganos a pequenos enganos, formam o continente das grandes fantasias.” [1] Essa é outra visão do mesmo problema: Espíritos que reencarnam trazendo sua programação de trabalhos edificantes, porém ao chegarem à Terra, se imaginam em uma verdadeira colônia de férias. Quando se dignam ao serviço benfazejo, exigem retribuição quase instantânea. Como se não bastasse, são incapazes de avistar o lado positivo das situações, pois só conseguem enxergar dificuldades e obstáculos, sem atinar que se tratam de recursos oportunos utilizados pela Providência Divina em nosso próprio benefício.

Ao citar enganos e fantasias que se tornam constantes na vida dessas pessoas, o Sr. Bacelar me fez recordar da preleção do instrutor Eusébio: “As facilidades concedidas aos espíritos santificados, que admiramos, são prodigalizadas a nós, por Deus, em todos os lugares. O aproveitamento, porém, é obra nossa. As máquinas terrestres podem alçar-vos o corpo físico a consideráveis alturas, mas o voo espiritual, com que vos libertareis da animalidade, jamais o desferireis sem asas próprias. (...) Não cobiceis o repouso das mãos e dos pés; antes de abrigar semelhante propósito, procurai a paz interior na suprema tranquilidade da consciência. Abandonai a ilusão, antes que a ilusão vos abandone.”[3]

E quanto ao desculpismo? O distinto Sr. Bacelar também nos chama a atenção para isso. Quantas pessoas alegam falta de tempo ou de condições, sejam lá quais forem, para abraçar uma atividade na seara do Cristo? Quantas ponderam em relação a inadiáveis compromissos familiares ou profissionais, nem sempre verídicos, para fugirem do trabalho no bem? Quantas até inventam enfermidades para se verem livres das tarefas de luz? O contingente não é pequeno, lamentavelmente. O que precisamos fazer é nos organizarmos, sermos disciplinados e definirmos as prioridades de nossas vidas. Esse trio, organização + disciplina + prioridades, nos colocará no caminho que conduz à seara de Jesus. Para finalizar, devolvo a palavra ao Sr. Bacelar: “Nesse terreno de assistência espiritual, verão, um dia, quantos pretextos são inventados pelas criaturas terrestres para fugir ao testemunho da verdade divina, nas tarefas que lhes são próprias. Os mordomos da responsabilidade alegam excesso de deveres, os servidores da obediência afirmam ausência de ensejo. Os que guardam possibilidades financeiras montam guarda ao patrimônio amoedado, os que receberam a bênção da pobreza de recursos monetários aconselham-se com a revolta. Os moços declaram-se muito jovens para cultivar as realidades sublimes, os mais idosos afirmam-se inúteis para servi-las. Os casados reclamam quanto à família, os solteiros queixam-se da ausência dela. Dizem os doentes que não podem, comentam os sãos que não precisam. Raros companheiros encarnados conseguem viver sem a contradição.”[1] Em outras palavras, o desculpismo é indesculpável! Avaliemos nossa conduta perante os convites que o Mestre nos envia.

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 28 (Vida social).
[2] Evangelho Segundo Mateus 9:37-38.
[3] No Mundo Maior – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 2 (A preleção de Eusébio).

Valdir Pedrosa – Março/2017

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