A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

Mário Francisco de Morais
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Conto
 
ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE
Por: Mário Francisco de Morais

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.

Seis meses haviam se passado da morte de Ludmila Aos poucos Túlio ia se adaptando a nova vida. Elba continuava na casa cuidando das crianças durante o dia e, á noite, ia para o colégio. Os mexericos na rua eram que os dois tinham caso e estavam morando juntos, mas negavam veemente as fofocas.
Há muitos dias que Elba estava querendo ter uma conversa com Túlio, mas lhe faltava coragem, ela tinha que tomar uma decisão em sua vida, não poderia ficar morando na casa dos outros e tomando conta de filhos que não eram seus, embora amasse os sobrinhos como se os fossem. Depois do jantar as crianças foram para cama e, como de costume, ficaram conversando amenidades, quando ela criou coragem e abordou o assunto que vinha aguardando há dias.
__ Túlio, está chegando o fim do ano e termina meu curso. Preciso tomar rumo de minha vida, você precisa arranjar uma mulher que venha amar seus filhos, não posso continuar aqui deixando o tempo passar e perdendo as oportunidades que o mundo me oferece. Aqui com você, não arranjo namorado porque comentam que já moramos juntos, e muitos me perguntam se sou sua esposa. Você sabe que sempre te amei, mas respeitei minha irmã. Sofria quando via vocês brigando e Lude naquele desespero todo. Eu sofria por ela e por você, agora é diferente, sei que seu coração ainda está amarrado a ela, mas você precisa tocar sua vida.
__ Você tem razão, mas arranjar outra mulher que me ame como amei Mila, vai ser difícil e as crianças não vão aceitar com facilidade outra substituta. Você se casaria com um homem sem que ele te ame? Eu sei que não vou encontrar uma mulher que goste de meus filhos como você, que é uma mãe para eles e, sei também que eles te amam até mais que a mãe. Se você não estivesse aqui conosco, eles iam sentir demais a morte da mãe, no entanto nem no dia da morte manifestaram tristeza.__ Ela voltou a falar para responder a pergunta dele:
__ Eu me casaria sim, quem ama sujeita tudo, sei que aos poucos você vai me amar como amou minha irmã, só não quero é ficar aqui vendo a imagem dela todos os dias e você apegado a tudo que foi dela, assim jamais vai me amar.
Túlio deu um sorriso de carinho, pegou em sua mão e apertou forte, beijando a seguir. Elba sentiu um calafrio por dentro e um êxtase frenético que não conseguiu segurar a emoção. Levantou-se foi até onde ele estava e deu-lhe um beijo prolongado. Túlio retribuiu, mas ela sentiu um beijo frio, o beijo do corpo sem vida, mas sabia que era o começo de um relacionamento, e que aos poucos ela ia conquistando-o. Os dois foram deitar, e Elba radiante de felicidade por haver dado o primeiro passo para conquistar o amor de Túlio.
No final do ano Elba se formou e Túlio foi o padrinho. Após a confraternização entre colegas num barzinho, voltaram para casa muito alegres, tanto pela conquista e pelo copos de bebida que haviam ingerido. Quando entraram no carro ela aconchegou-se a ele e disse carinhosamente:
__ Esta conquista devo a você que me deu todo apoio desde o início, vou ficar eternamente grata, jamais vou esquecer esse dia. Muito obrigada.
Pegou em sua mão e deu um carinhoso aperto.
__ Não precisa me agradecer, fiz por que você merece, você também foi meu esteio esse tempo todo, sem você não sei o que seria de mim e de meus filhos , gosto de você como se fosse minha irmã.
Elba calou-se quando ele pronunciou a palavra irmã, esperando uma outra, que fosse realizar suas esperanças. Ele notando em seu semblante sinal de tristeza e que falara algo que a magoara perguntou:
__ O que foi que eu disse, você calou-se e parece triste.
__ Nada, não foi nada.
Para fazê-la voltar a sorrir, carinhosamente tocou seu rosto angelical de criança mimada e ela voltou a sorrir para sua tranqüilidade.
Em casa após as crianças deitarem foram conversar como de costume e ela voltou a falar.
__ A partir de agora vou ter que procurar outro rumo de minha vida, vou procurar um emprego, ou mesmo ir-me embora para outro lugar. A partir de agora você começa procurar uma empregada para tomar conta das crianças. Sei que vou sentir demais suas faltas, pois as amo como se fossem meus filhos, mas não posso ficar presa aqui o resto de minha vida, e você logo vai arranjar outra mulher, por que não pode ficar preso à imagem de Lude pelo resto da vida.
__ Você tem razão, mas por mais que eu procure esquecê-la, ela está sempre presente em minha vida, a vejo em toda parte me seguindo, até na cama vejo-a a meu lado, vejo-a à beira do berço de Tatá colocando o bico em sua boca, não sei se isso é uma alucinação, mas ela quando disse em vida que não ia se separar de mim de maneira alguma, e que ia levar-me junto com ela, ela não estava brincando e vai acabar acontecendo, pois essa alucinação está me levando à loucura. Lembra-se que quase morri de infecção pegando friagem no cemitério e os médicos não descobriram nada? Aquilo não era normal e, de repente melhorei sem tomar nenhum medicamento. Você pode ter certeza, eu tenho um sentimento por você que não sei explicar, sinto vontade de abraçar e te beijar, tocar em seu corpo, extravasar nossos desejos que sei que você também sente, mas não está em mim, meu coração ainda está fechado, nada me entusiasma e, demais, se tiver que arranjar outra mulher, não há outra melhor que você, que é mais que uma mãe, como já lhe disse, mas me dê um tempo, isso não pode continuar eternamente.
Foram deitar e Elba esperançosa que Túlio lhe desse uma resposta logo, para tomar sentido em sua vida, mas uma resposta positiva.
Como havia combinado, na Sexta feira foi ao centro espírita e aguardou o início dos trabalhos. Manifestaram vários espíritos, mas nenhum conhecido. De repente baixou um que não quis se identificar com voz rouca como se estivesse muito longe e perguntou:
__O que esse moço está fazendo aqui? Ele é persona non grata nesse recinto, quem ele procura não está mais aqui e já se foi.
O guia falou:__ deixe de ser mal educado, diga logo por que veio, ninguém lhe perguntou nada, deixe o espaço para gente de bem
Fizeram algumas orações e o espírito que parecia estar pagando ainda suas culpas desapareceu. Túlio voltou para casa e encontrou Elba entregue à seus pensamentos. Quis dizer alguma coisa, mas calou-se. Sentou-se junto à mesa esperando o sono para entrar para seu quarto. Na mesa estava o caderno de Camila ao lado de uma caneta. Algo o impelia para apanhar a caneta e rabiscar alguma coisa. Abriu o caderno e começou folhear. No final observou que era um caderno usado sem mais uma folha limpa. Fechou, e quando ia levantar para ir para o quarto, uma brisa soprou da janela, ainda aberta e duas folhas de papel limpas, flutuou no ar e caíram sobre a mesa. Ficou curioso, pois não havia nada por ali que pudesse trazer aquelas folhas. Fechou a janela e voltou a sentar. Como um autômato apanhou a caneta e começou escrevendo palavras desconexas. Aos poucos foi adormecendo e Orféu o levou para os mundos dos sonhos.
Pela manhã Elba o encontrou debruçado sobre a mesa dormindo.
__Túlio, acorde, o que aconteceu, não foi para sua cama?
__ Não sei, cheguei do centro espírita e sentei-me aqui e peguei no sono.
Ela voltou a falar:__ Vá para sua cama, dorme um pouco.
Foi á janela abriu, e novamente um vento soprou e as folhas caíram no chão. Ela apanhou-as e curiosamente perguntou.
__ O que você escreveu nessas folhas? Para quem é essa carta?
__ Não escrevi nada pra ninguém, não sei de nada.
__ Se não foi você quem as escreveu?
__ Deixe-me ver.__ Olhou atentamente e voltou a responder.
__ Não é minha letra nem tão pouco a sua e de Camila.
__ Ontem não havia essas folhas aqui- __Voltou a questionar Elba.
__ Agora me lembro, elas voaram vindo não sei de onde e aterrissaram em cima da mesa e, lembro-me que peguei na caneta para rabiscar algo e não vi mais nada.
Para tirar as dúvidas, chamaram Camila que se aprontava para ir à escola.
__ Camila vem aqui filhinha, me diz uma coisa! Essas folhas são suas e foi você que escreveu isso aí?
__ Não papai, essas letras não são minhas, parece a letra de mamãe.
__ Deixe de falar besteira filha, sua mãe já faleceu quanto tempo!__ Disse Elba assustada com a insinuação da sobrinha.
__ Espere aí, vamos tirar a duvida agora.__ Disse Túlio. Foi ao quarto e apanhou um caderno de anotações de Ludmila guardado na gaveta e começou ler a carta e comparar as letras.
__ Meu amor, estou perto de desencarnar desse mundo, mas antes quero lhe deixar livre para tomar a decisão que for melhor para você e nossos filhos, sei que minha irmã te ama, mas seu coração ainda está ligado ao meu. Eu prometi não deixar você em paz e buscar você para estarmos juntos na eternidade, mas era egoísmo demais de minha parte, eu só pensava em mim e não pensei nas crianças e nem em você. Não era chegada ainda minha hora, mas tive que vir para lhe deixar livre. Tentei lhe segurar e tive quase lhe trazendo para junto de mim, mas aquele que comanda o Universo me chamou á realidade. Não tenho o direito de satisfazer meus desejos aqui em outra dimensão. De qualquer maneira não íamos ficar juntos mesmo. Você ia para uma dimensão e eu para outra. Você tem o coração bom e sabe fazer a caridade, é incapaz de matar uma mosca, por isso você iria para uma dimensão superior, eu embora não fizesse mal a ninguém, era egoísta e não fui capaz de ser caridosa e fazer o bem. Por isso não merecia você. Fiz muito mal a você e a meus filhos querendo voar alto e até me separar de você. Fui mesquinha e somente voltei para você por que perdi tudo e não consegui galgar os degraus mais altos. Ainda vou vagar uns tempos até pagar purificar minha alma.
Quando fizemos amor na véspera de meu casamento, foi o dia mais feliz de minha vida, casei-me sabendo que fora você meu primeiro homem. Á princípio imaginei que Camila era filha de meu marido, mas agora fique sabendo que ela é sua filha legítima. A primeira vez que fiquei com um homem, me engravidei. E esse homem foi você, pai de nossa filha.. Por intuição coloquei meu nome e o seu. Ca de Carlos, seu primeiro nome, e Mila do meu nome. Meu marido já desconfiava e sabia que eu o amava, por isso, tratava Camila com grosseria. O sangue não nega, pois desde quando fomos morar juntos que vocês dois se deram certos e ela te amava como pai e você a amava como filha.
Túlio terminou de ler a carta chorando abraçado aos filhos e a Elba dizendo:
__ Veja Binha, a resposta que você esperava está nessa carta e nessas linhas, você ainda tem dúvida que foi sua irmã que escreveu? Convicta da pergunta Elbe respondeu:
__ Não, não tenho mais dúvida, agora acredito em tudo aquilo que não acreditava e supunha que tudo não passava de alucinações da cabeça de um homem apaixonado.
Chamando Camila disse:
__ Venha aqui mais uma vez minha filhinha, deixe eu te beijar como minha filha de verdade.
A menina estranhou a palavra e respondeu:
__ Mas eu sou sua filha papai, quem disse que você não era meu pai era aqueles meninos da escola.
__ Sim filha, paixão da minha vida, você sempre foi minha filha do coração, agora você é minha filha de sangue, de verdade. Quando você for mais adulta vou te contar a história de como sua mãe arriscou pelo um grande amor, se eu já te amava, agora é que vou te amar mais ainda. Vou olhar pra você como fruto de um grande amor de sua mãe, ainda mais se parecendo muito com ela. __ Dizendo isso abraçou-a forte por um longo tempo chorando.
Túlio agora se sentia aliviado de um peso. Seu coração batia descompassado de emoção, um sentimento diferente agora nutria por sua cunhada e pela filha que a amava, mas com olhar de desconfiança, sabendo que era filha de seu rival. O mesmo amor que sentira por Ludmila agora nutria por Elba. Ela acabava de operar um milagre em seu coração. Olhava para ela e aguçava um desejo antes reprimido de possuí-la e suas energias pareciam reconstituídas. Em outros dias talvez se sentisse ofendido quando as más línguas insinuavam que já eram amantes, agora não, os fluídos carnais compeliam para um sentimento de amor e de satisfação carnal.
Diante da realidade que acabava de acontecer, não lhe restava outras palavras se não dizer:
__ Agora que tudo está esclarecido posso lhe fazer um pedido?
__ Se não for um pedido difícil.
__ Você quer casar-se comigo de livre e espontânea vontade até que a morte nos separe?
__ É o meu sonho, mas nós não pedimos permissão a quem de direito.
Dirigindo-se aos meninos: __ Vocês aceitam papai casar-se com tia Binha?
__ Oba! Oba! queremos sim papai. Quando vai ser o casamento, eu quero uma roupa nova_ Eu também quero_ Disse o outro.
Um mês depois os dois estavam casados e um ano depois Elba dava a luz um filho para Túlio.






 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: CNge (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.