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Mário Francisco de Morais
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Crônica
 
DIALOGO DA HIPOCRISIA
Por: Mário Francisco de Morais

DIÁLOGO DA HIPOCRISIA

Andando pelas ruas cheias de gente, num corre-corre infernal, eis que de repente me vejo no meio da multidão e paro num aglomerado de gente, à espera do ônibus, sem saber propriamente onde era a fila, numa balbúrdia incontrolável para pegar condução, uns atravessando a rua, arriscando de serem atropelados, outros em altos brados anunciando seus produtos, defendendo o pão de cada dia, outros pedindo esmolas em nome de Deus, Esse mesmo Deus que os criou e o fez sua semelhança, tornando uns ricos, outros miseráveis, enquanto outros, em seu nome, em altos brados anunciavam a vinda de Seu Filho, prometendo o Céu para os bons e o inferno para os maus, eles, que em outras épocas cometeram as mais vis das ações, e agora se dizem arrependidos de seus atos. Na fila estavam minhas parceiras, Intolerância, Orgulho, Ódio e, por último, encolhidos, quase não dando para ver, o Amor, a Caridade e o Perdão, que mesmo como bonzinhos não foram capazes de salvar o Homem que os defendeu até a morte,vendo-o morrer de maneira cruel, enquanto elas de braços cruzados, nada puderam fazer. Na fila estavam outros abstratos que só identifiquei, a Preguiça , a Inveja e o Cinismo. Para aqueles que não me conhecem, quero me apresentar. Sou a Hipocrisia, estou em todas as partes e não ando sozinha. Sempre estou acompanhada da Intolerância, do Orgulho, do Cinismo e do Ódio. Sou o camaleão que se disfarça no meio da folhagem de cores variadas para se proteger dos inimigos, assim como faço, mudo de cor para me transformar em Bondade, Amor e Caridade. Divirto-me com a cara dos otários; enfim sou a Eva Pagã, a Pandora, sou a impetuosidade do desejo, o Pégaso gerado pela cabeça da Medusa, sou o Narciso, mas sou também o Héfestos. Meu reinado vem de longos anos desde que o Ser Supremo criou o Mundo e o homem, que não seguiu suas leis, matando, destruindo tudo à sua frente, criando a fome e a miséria. Mais tarde, enviou seu Filho, uma vez que não conseguiu dominar uma das maiores perfeições de sua criação “ O Homem “ através de seus profetas, mas nem Ele, o maior Deles todos, conseguiu o objetivo pelo qual foi enviado, pois prenderam-no, espancaram-no e crucificaram-no de maneira mais vil, trocando-o por um ladrão. Eu sou o espírito do mal, encarno em todo tipo de gente, mas gosto mesmo é de políticos, religiosos, Juizes, Desembargadores, Delegados e todos aqueles que agem em nome da Lei, mas para tirar proveito se enriquecerem, burlando essa mesma Lei que eles criaram e defendem. E, mais: Sou outros tipos que me divertem. Eu sou todos eles. Sou o evangélico que engana o incauto com malabarismo em nome de Jesus, usando truques para fazer as pessoas desmaiarem, chorarem e gritarem, levando-as ao delírio. Em nome Dele, uso os obreiros engravatados para arrecadar o meu quinhão de dez por cento do ganho de cada um, seja rico ou pobre. Em nome Dele vendo folhetos, bíblias, água do Rio Jordão, invoco o nome de água santa do batismo, mesmo que seja água do poço, e como um empresário de ilusões, vendo esse mesmo Cristo prometendo a salvação. Sou o dirigente católico que jurou seguir seu Mestre Supremo, ser humilde, caridoso e justo, no entanto fujo ás regras, dando uma de santo, preferindo bajular ricos, tratando pobres com desprezo imiscuindo-me em política, com palavras do púlpito que não passam de retórica e, orgulhoso do cargo que ocupo na paróquia, julgo-me juiz supremo dos males que cometo. Sou ele ou ela, que não sai da igreja bajulando o padre, mas olhando quem vai bem ou mal vestido, e saio cochichando, falando mal dessa ou daquela pessoa e critico os erros dos outros, me julgando acima de tudo como salvo do pecado, esquecendo da miséria em minha volta. Sou aquele fiel que com a Bíblia debaixo do braço interpreto da minha maneira e, me julgo salvo dos pecados que cometi no passado e condeno as pessoas à minha volta dizendo- me salvo. Sou o jornalista da imprensa falada e escrita que usa de artifícios mesquinhos para crescer o IBOP bajulando o rico ou usando o pobre como isca abusando da desgraça alheia. Sou a pessoa ou entidade que diviniza o revolucionário morto na Bolívia, e que nada legou de bom a humanidade, que se possa vangloriar e, se tivesse ganho todas as batalhas, o sangue teria jorrado, como jorra as águas de um riacho, como fez seu companheiro na ilha de Cuba, que matou tanto quanto Lênin e Stalin na Rússia e Sadam Hussein no Iraque Sou o político, que promete tudo o que pode, e o que não pode, e quando chego ao poder esqueço de meus eleitores, poso como um bode de gravata entronado numa cadeira de balanço, persigo meus adversários, passo três anos sem fazer nada e, no último ano de mandato, despejo dinheiro para ganhar as eleições. Sou o governo de uma grande Nação, que usa das armas poderosas, destruindo vidas em nome da democracia e da paz. Sou a mãe que quer que o filho seja o que ela não foi capaz, que seja o mais inteligente de toda classe, forçando-o acima de sua capacidade, acusando professores e diretores de incapazes. Sou tudo isso e mais: sou a menina pobre que não aceita sua condição de vida renegando os pais que a criou com carinho. Sou o feio que quer ser bonito á força, o negro que renega sua raça, o novo que despreza o velho, o bonito que se julga superior a todos. Sou aquele que está no poder e menospreza o mais fraco e se julga superior aos deuses do Olimpo, e que um dia pode cair desse Olimpo. Queria ser muito mais, mas não encontro espaço para me apresentar aos meus inúmeros amigos. Enfim eu sou a Hipocrisia, que na morte, sou como qualquer outro, vou exalar mau cheiro onde os abutres terão farto banquete, se não encontrar uma alma caridosa que possa me enterrar.



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