A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
Senso de urgência com os cartões postais do turismo?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Nada a fazer se não é nossa responsabilidade


A maioria dos brasileiros sabe que o litoral nordestino é um dos destinos preferidos do turismo interno e de alguns europeus que fogem do inverno rigoroso deles. São quilômetros de praias para todos os gostos e bolsos, onde o diferencial é a temperatura agradável das águas cristalinas, além da gastronomia farta em frutos do mar. Um paraíso, segundo alguns que visitaram e gostaram do que viram e da forma hospitaleira que foram recebidos. Por isso muitos estrangeiros até resolveram ficar por essas bandas. É uma atividade que movimenta a economia da região.
Num dos discursos do presidente Bolsonaro ele convidou os estrangeiros a fazer turismo no Brasil, conhecer suas belezas naturais e culturais. Mas a omissão nas providências quanto às manchas de óleo que chegaram às praias nordestinas causou estranheza na população brasileira e em especial aos que vivem e dependem das condições saudáveis deste litoral. Primeiro ele insinuou que era originário da Venezuela. Depois falou que era uma ação proposital criminosa, sem explicar o porquê de achar isso. Finalmente disse que não era responsabilidade nossa.
O fato é que ninguém viu, pelo menos a mídia não mostrou, pessoas ligadas ao governo, principalmente do meio ambiente, em algum local atingido ou dando explicações oficiais sobre a solução do problema. Traduzindo para o português claro: o governo disse que não era responsabilidade dele tomar medidas para resolver a situação. Como sempre, igual às queimadas na Amazônia, o senso de urgência fica em segundo plano. O importante é achar o culpado, como se isso fosse mudar alguma coisa para os atingidos. Como ainda bater palmas ouvindo isso?
Talvez o revanchismo por causa das eleições tenha influenciado o presidente a adotar uma postura de indiferença quanto ao grave crime ambiental ocorrido nas praias nordestinas. Como ele perdeu nesta região, exigiu que as placas de obras realizadas nos estados deixassem explícito que tinham o apoio do governo federal. Isso não é a velha política que ele tanto combateu? Mas para quem tem memória curta, ele disse que os nordestinos merecem comer capim. Isso mesmo, comer capim! Portanto, o povo desta região não deve esperar nada dele.
Curiosamente a mídia foca os noticiários nas desavenças entre os que disputam o poder no PSL, o partido do presidente Bolsonaro. Num mundo onde o meio ambiente sempre ganha posição de destaque... manter os holofotes sobre um assunto político doméstico soa muito estranho. Mas o espírito separatista do presidente, assim como a indiferença com algo tão grave ecologicamente, ganhou adeptos planeta afora. Os grandes jornais estrangeiros também não deram muita importância aos vazamentos que atingiram as praias do litoral nordestino. Por quê?
Mas entre comer capim e lutar pelos seus interesses, as pessoas que dependem das praias livres da poluição causada pelo óleo, resolveram fazer um esforço e cuidar daquilo que garante os seus sustentos. Retiraram, com as próprias mãos, toneladas de sujeira sem qualquer ajuda significativa do poder público, uma atitude exemplar para quem se omite de assumir as responsabilidades diante de uma situação emergencial. Para elas e para o contribuinte, a utilidade de todo o aparelhamento da máquina pública é terrivelmente questionável. Como não achar isso?
Para os fãs incondicionais do Mito, torcer o nariz para isso e viajar para a Ásia é muito mais produtivo e importante que se preocupar com as praias dos “paraíbas”, uns insignificantes comedores de capim. Certamente essas viagens para o Japão e China serão fundamentais, estrategicamente, para os nossos interesses comerciais no futuro. Afinal, um líder deve estar à altura do cargo que ocupa e superar às expectativas dos seus comandados. Mas o breve histórico dele na presidência já provou como ele está preparado para as boas relações internacionais.


J R Ichihara
22/10/2019

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: KFUb (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.