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Humberto Pinho da Silva
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Crônica
 
O PRAZER DA LEITURA
Por: Humberto Pinho da Silva




Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.
Como a maioria dos idosos, vivo em silêncio e solidão; e em solidão e silêncio, decorrem as minhas horas.
Verdade é, que todos os dias, vou tomar o cafezinho, acompanhado de minha mulher, na cafetaria da nossa avenida; e passeio, quase diariamente, pela baixa, observando tudo: casas, montras, viaturas, pessoas…
Possuo, todavia, nas minhas estantes punhado de bons amigos mudos, prontos a revelar-me novos horizontes.
Passo horas esquecidas a lê-los, a dialogar, a refletir, a anotar os pareceres, que me transmitem.
São ilustres amigos, escolhidos na floresta dos livros: famosos cientistas, sociólogos, historiadores, evangelistas, filósofos, psicólogos, escritores e poetas, que abrem-me janelas ao pensamento, que só por si, não podia alcançar.
São companheiros fiéis, de infinita paciência. Ensinam-me, como professores, alimentando-me espiritualmente; tão bondosos são, que admitem discórdia, sem enfado, por duvidar da sapiência.
Em companhia de tão ilustres, dia e noite, vou-me enriquecendo, em conhecimento, fornecendo elementos, para exprimir-me melhor e com mais clareza.
Por vezes, sentado comodamente, na banca de trabalho, delicio-me com a prosa saborosa e vernácula, de clássicos; ou embebido nos fabulosos enredos de novelas, vivo outras vidas e outros mundos.
Outras ocasiões, fico em silêncio, refletindo e divagando num proveitoso monologar. Chegando a pensar, se sou eu ou eles, que falam por mim.
Não há, para mim, nada que se compare ao prazer da leitura. O livro, dá-nos o que o cinema e TV, não nos dão.
O romancista, sugere, permitindo ao leitor, fantasiar: cenário, a luz, a beleza da paisagem, a cor…
No cinema, a participação do espectador, é passiva. O prato é servido pronto. Não há imaginação!
Criar, fantasiar, adivinhar a fisionomia das personagens, as reações, os sentimentos, dos que se encontram encerrados no livro, concede-nos liberdade e encanto.
Como disse, não tenho muitos amigos, mas, nas minhas estantes, encontro uma imensidade de intelectuais, que me permitem horas de prazer, revelando-me conhecimentos e experiências de vida.
A todos estou grato; a todos sou devedor.

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