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Músicas de Lá e Músicas de Cá
Por: Valdir Pedrosa

MÚSICAS DE LÁ E MÚSICAS DE CÁ

A reunião no Posto de Socorro[1] vinculado à colônia “Campo da Paz” transcorria em ambiente de lídima fraternidade, sem o mínimo espaço para a hipocrisia e as convenções aviltantes, infelizmente tão comuns em alguns encontros na nossa esfera.

Em dado momento, anfitriões e convidados se dirigiram ao Salão da Música, um enorme recinto, muito bem iluminado, no qual “um coro de pequenos musicantes executava harmoniosa peça, ladeando um grande órgão, algo diferente dos que conhecemos na Terra. Oitenta crianças, meninos e meninas, surgiam, ali, num quadro vivo, encantador. Cinquenta tangiam instrumentos de corda e trinta conservavam-se, graciosamente, em posição de canto. Executavam, com maravilhosa perfeição, uma linda barcarola[2] que eu nunca ouvira no mundo”. [1]

Ao término da apresentação, Ismália pediu à Cecília que tocasse uma canção. A esposa de Alfredo se lembrou de seus tempos de infância e juventude, bem como seus queridos pais que muito estimavam as composições europeias. A senhora Bacelar recordou que a música que o pai de Ismália preferia e sugeriu sua execução. A jovem, acompanhada pelo coro das crianças, entoou de forma magistral a “Tocata e Fuga em Ré Menor”, de autoria do genial Johann Sebastian Bach. Como não poderia ser diferente, todos os presentes ficaram bastante emocionados, principalmente Ismália, cujos pensamentos pareciam passear pelo antigo lar terrestre.

Em seguida, a nobre senhora pediu que Cecília executasse uma canção de sua própria alma. “A jovem sorriu, voltou ao teclado, mas permanecia, agora, fundamente transfigurada. Seu belo semblante parecia refletir alguma luz diferente, que vinha de mais alto. Começou a cantar, de maneira misteriosa e comovedora. A música parecia sair-lhe das profundezas do coração, mergulhando-nos em sublime emotividade. Procurei guardar as palavras da maravilhosa canção, mas seria impossível repeti-las integralmente, no círculo dos encarnados na Terra. (...) Como se fora rodeada de claridades diversas daquela em que nos banhávamos, Cecília cantou com voz veludosa e cariciante”.[1]

Ao desferir as últimas notas, a senhora Bacelar informou que a canção executada pela filha retratava seu amor por Hermínio, um Espírito que vivia de queda em queda. Por isso Cecília não poderia contar com o amado por um bom tempo, mas não desanimava e continuava trabalhando, cheia de esperança em um futuro venturoso para ambos. Quando se desculpou junto à Ismália por ainda ter o coração ligado à Terra, a nobre esposa de Alfredo a abraçou, compreendendo-lhe o sofrimento íntimo e disse: “Devotar-se não é crime, minha boa Cecilia. O amor é luz de Deus, ainda mesmo quando resplandeça no fundo do abismo”. [1]

Em outras obras de André Luiz fica evidente a importância das músicas de boa qualidade, canções que externam os melhores sentimentos que possuímos. Além disso, estudos e a própria observação demonstram o quanto as músicas influenciam ambientes e seres. Como exemplo podemos citar o fato de que belas melodias oriundas das oficinas onde trabalham os habitantes de “Nosso Lar” atravessam o ar e são ouvidas nas ruas. O Governador reconheceu que a música intensifica o rendimento do serviço em todos os setores de esforço construtivo. Ninguém trabalha na colônia sem esse estímulo de alegria.[3]

Há uma outra passagem em que André Luiz estava feliz e já totalmente integrado às atividades das Câmaras de Retificação, quando foi convidado por Lísias para um passeio ao Campo da Música. O local é de uma beleza exuberante. Em suas extremidades estão os espaços que atendem ao gosto pessoal dos grupos que ainda não conseguem entender a arte sublime, enquanto que o centro é reservado para manifestações musicais de ordem universal e divina. Com muita beleza, simplicidade e alegria, Espíritos da colônia conversavam sobre o amor, a cultura intelectual, a pesquisa científica, a filosofia edificante e, sobretudo, a respeito da vida e dos ensinamentos de Jesus. Enquanto André se maravilhava com aquela sociedade otimista e com a música sublime, Lísias comentou: “Nossos orientadores, em harmonia, absorvem raios de inspiração nos planos mais altos, e os grandes compositores terrestres são, por vezes, trazidos às esferas como a nossa, onde recebem algumas expressões melódicas, transmitindo-as, por sua vez, aos ouvidos humanos, adornando os temas recebidos com o gênio que possuem. O Universo, André, está cheio de beleza e sublimidade. O facho resplendente e eterno da vida procede originariamente de Deus”.[4]

Eis então alguns pequenos apontamentos sobre as canções de lá. Quanto às de cá, não nos cabe muitos comentários. Basta sintonizarmos qualquer rádio para percebermos que as músicas atuais, em geral, são muito diferentes do tipo de música que mencionamos nos parágrafos acima. As melodias e as letras deveriam remeter as pessoas aos píncaros da espiritualidade superior, abordando assuntos que elevem a alma e que as auxiliem no processo de reflexão, compreensão, assimilação e vivência das Leis Divinas, culminando no trabalho incessante de aperfeiçoamento de si mesmas.

Temos o livre-arbítrio de optar entre as músicas de lá ou as de cá. É só escolher onde queremos sintonizar a mente e o coração, de acordo com nossos gostos e tendências, lembrando-se, porém, que muitos outros, sejam encarnados ou desencarnados, estarão também na mesma sintonia.

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 31 (Cecília ao órgão).
[2] Barcarola – a) Canção romântica dos gondoleiros de Veneza, em compasso binário composto. / b) Poesia cuja cadência do verso sugere o compasso dos remos quando batem na água. / c) Cantiga medieval, de influência italiana, sobre assuntos marítimos. – Fonte: Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa.
[3] Nosso Lar – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 11 (Notícias do plano).
[4] Nosso Lar – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 45 (No Campo da Música).

Valdir Pedrosa – Junho/2017

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