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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Usando os santos nomes em vão
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Deus e o diabo numa só pessoa?


Diz-se que o Brasil é o maior país católico do mundo, apesar da convivência com outras religiões, seitas e outras preferências que permitem a purificação do ser humano. Por isso a invocação do nome de Deus e Jesus Cristo na maioria das declarações das pessoas que veem nisso uma forma de ratificar as melhores intenções nas suas propostas. Em época de festa natalina essa prática ganha contornos de intensidade exponencial. Usam-se as divindades de forma tão corriqueira que os ouvintes chegam a duvidar da seriedade e do respeito com elas. Precisa disso?
Curioso é que de acordo com a nossa Constituição Federal, a Carta Magna que norteia a obediência das pessoas, o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não mistura as crenças religiosas com as Leis – trata indistintamente da fé individual quanto às preferências. Mas o que a população vê atualmente no comportamento das autoridades e dos que podem definir o destino do país? Uma insistência cada vez maior nos grupos religiosos arvorando o direito e o poder de classificar quem merece ou desmerece ser considerado do bem ou do mal. Banalizou-se os santos nomes.
A fé cristã causa controvérsia quanto ao comportamento dos representantes das Igrejas nos seus diversos segmentos. É cada dia mais comum denúncias e comprovação de atos que depõem contra a moral e os bons costumes de padres, pastores e outros líderes espirituais que se colocam acima dos pecadores. O objetivo de muitos passa muito longe da fraternidade. Quem desconhece os casos de pedofilia e abusos sexuais praticados ne meio religioso? Ou o acúmulo de bens materiais e a ostentação às custas da exploração da crença na salvação eterna?
O fato é que se tornou corriqueiro falar em nome de Deus e Jesus como se isso desse credibilidade a qualquer afirmação sem consistência alguma. Por que escolhem este caminho? Será que o medo de contrariar a vontade Divina é o argumento mais convincente para a maioria das pessoas? Ou a desesperança chegou ao ponto de apelarem para isso? Daí usar este meio para convencer os cidadãos que os resultados negativos são consequências da falta de qualquer proposta factível para tirar o país do atoleiro. Reforçam isso culpando as gestões anteriores.
Infelizmente os valores cristãos conhecidos pela maioria passam muito longe do os que vivem colocando mostram no dia a dia. Pregam o ódio, a discriminação, o racismo e tudo que foge dos ensinamentos do Filho de Deus. Surgiu até a desconfiança que juntar política com religião é proposital. Uma observação levantada por alguns meios de comunicação enfatiza o crescimento dos evangélicos nas Casas Parlamentares. O próprio presidente Bolsonaro anunciou há alguns meses que nomearia um ministro “terrivelmente religioso”. Qual seria o motivo dessa intenção?
Decepciona comparar os que exibem o santo nome em vão com as declarações que eles fazem publicamente. Atirar em manifestantes, fuzilar os adversários, negar auxílio aos pobres, desejar a morte de outra pessoa porque diverge politicamente... homenagear torturador e milicianos. Como acreditar que isso parte de quem coloca Deus acima de todos? Talvez a tentativa de colocar os valores cristãos como uma máscara para esconder tanta maldade esteja com os dias contados. Quantos continuam acreditando cegamente no que falam essas pessoas?
Um povo consciente aceita compartilhar o sacrifício pelo bem-comum, desde que o exemplo venha de cima. A autoridade máxima do país dizer que as dificuldades estão atingindo a todos é compreensível, mas tratar o sofrimento alheio com deboche e falta de respeito é inaceitável. Seguramente ninguém é pobre por escolha pessoal, muito menos a sua opção política dá direito a alguém lhe dispensar um tratamento discriminatório. O gestor de uma cidade, estado ou país não pode governar de forma seletiva com os cidadãos. Nem misturar política com religião.


J R Ichihara
28/12/2019

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