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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Fechando o ano com índices positivos manipulados?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Empurrando a melhora goela abaixo


Os termômetros da recuperação na economia são o aumento nas vendas divulgado pelo comércio, no movimento dos bares e restaurantes, na ocupação dos hotéis, na procura por viagens, na compra e aluguéis de imóveis, na extensão do horário nas fábricas e prestadoras de serviços. Isso é facilmente compreensível porque está diretamente ligado à disponibilidade de dinheiro por parte do consumidor. Normalmente quem está desempregado, ou passou a receber salário menor, corta os supérfluos do orçamento ou adiam aquisições para reduzir os gastos.
Todos sabem que na época do Natal a tendência das pessoas é comprar um pouco além do habitual, usando uma parte do décimo-terceiro salário. Neste ano, em especial, o governo brasileiro liberou o saque do FGTS como uma válvula de escape para injetar dinheiro na economia. Mas, certamente, nem todos direcionaram este recurso extra para comprar presente ou os produtos usados nas ceias familiares. Provavelmente a quitação de dívidas funcionaram como um freio no consumo. A percepção da maioria indica que as vendas ficaram abaixo do ano anterior.
A mídia divulgou o aumento de 9,5% nas vendas natalinas em relação a 2018, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), contestado pela Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), sob a alegação da falta de dados para sustentar o crescimento citado. Para esta, numa sondagem, 70% dos seus associados disseram que as vendas foram iguais ou piores. Apenas 30% confirmaram um aumento nas vendas. A publicação também informa que se aplicar o IPCA, o aumento seria de 6,23%. Caso seja o IGP-M, o valor seria de 2,2%.
Cálculos e otimismo à parte, o cidadão que analisa o crescimento nas vendas de Natal, sem paixão político-partidária, desconfia do crescimento anunciado pela Alshop. Se tudo aumenta de preço e o salário oferecido é menor, além do crescimento da informalidade por causa do desemprego, como a população deu prioridade às compras natalinas? Admitir que houve um aumento é razoável, mas que este foi de 9,5%, na atual situação de crise, sem fonte de dados confiáveis, abre um espaço considerável para os questionamentos. Otimismo ou manipulação?
Postagens nas redes sociais, onde os comentários são duvidosos em tempos de fake news e robôs, mostram que as opiniões estão claramente divididas sobre a lotação dos shoppings em algumas cidades. Enquanto alguns confirmam que viram muita gente fazendo compras, outros dizem que uma grande maioria estava apenas fugindo do calor e aproveitando o ambiente refrigerado desses estabelecimentos. Da parte dos lojistas, que também podem ser pessoas que não atuam nesta atividade, surgem os que falam do aumento e da redução nas vendas. Então...
Mas será que alguém é tão radical a ponto de desejar a queda nas vendas e o fechamento de lojas somente porque discorda do governo Bolsonaro? O que se ganharia com isso? Por outro lado, na hipótese da Alshop estar inflando os números propositalmente, com o intuito de demonstrar confiança na atual política neoliberal, quais benefícios chegariam à população carente? Talvez as declarações do atual presidente e da sua equipe contribuam para aumentar a desconfiança que os excluídos nutrem por eles. Por isso o país está visivelmente dividido.
Se tudo melhorou, comprovado com dados inquestionáveis, não seria uma opinião contrária, motivada apenas por divergências políticas, que tiraria o brilho de um bom desempenho. Zero de corrupção? Quantos acreditaram?. A quem se quer convencer que a inflação baixou se os preços aumentaram e o salário estagnou? Qualquer trabalhador sabe que o seu poder aquisitivo é o verdadeiro indicador da inflação. O resto é conversa para boi dormir. Não seria melhor jogar um salva-vidas, ao invés de desejar Feliz Ano-Novo, para quem está se afogando?


J R Ichihara
31/12/2019

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