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Ensaio
 
MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS OU MÚLTIPLOS DONS?
Por: Ivone Boechat


RESUMO
A finalidade deste trabalho é apresentar a Bíblia como referência e conclusão de qualquer assunto em discussão na pauta científica.
Mesmo respeitando a Teoria das Inteligências Múltiplas por sua contribuição pedagógica, outros importantes pesquisadores ganharam espaço e credibilidade, principalmente, aqueles que se aproximaram dos ensinamentos bíblicos. Nesta Era, vive-se um kit de Eras que se condensaram para confirmar: “O que é já foi; e o que há de ser também já foi...” Ec 3:15.
A humanidade continua reproduzindo e recriando a eterna Era do conhecimento que se iniciou no Jardim, sob recomendação: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” Gn 2:17. Parece não ser condenação, mas advertência. A árvore do conhecimento do bem e do mal poderia ser traduzida como “árvore da inteligência”. O ser humano estava na classe de alfabetização emocional do Jardim da Infância do Éden, soletrando as primeiras letras para fazer a tarefa do lar sobre o uso da inteligência. A incompetência emocional o impediu de escolher racionalmente entre o bem e o mal. Foi reprovado. Contextualizando o diálogo Criador-criatura: no dia em que produzires a bomba atômica, o avião, o carro, a guerra, as drogas, a violência... certamente morrerás... O aluno Adão matou a aula, fugiu da escola e foi conferir a Internet do mal. O analfabeto virtual digitou rápido, escondido, a palavra desobediência, a senha do inimigo. Caiu a conexão com o Provedor, porém, o celular tocou: “Adão, onde estás?” Adão já estava “fora da área... do bem”.
A Bíblia ensina: “A sabedoria é árvore da vida para os que dela lançam mão”. Pv 3:18 “Uma língua suave é arvore de vida”. Pv 15:4. “O desejo cumprido é árvore de vida”. Pv 13:12.
Etz significa “árvore”, mas também “estrutura”. Portanto, etz chaiym pode também ser entendida como “estrutura da vida”. A estrutura da vida são as emoções. As emoções são frutos da árvore da vida. “O fruto do justo é árvore de vida” Pv 11:30.

PALAVRAS-CHAVE: inteligência – aprendizagem – Bíblia - árvore do conhecimento - emoções, dons, ciberespaço.
SUMMARY

The purpose of this paper is to present the Bible as a reference and completion of any matter under discussion in the scientific agenda.

While respecting the Theory of Multiple Intelligences for his contribution to teaching, other researchers have gained important space and credibility, especially those who came from biblical teachings. In this age, one experiences a kit Ages which condensed to confirm: "What's already been, and there has also been to be ..." Ecclesiastes 3:15.

Humanity is still replicating and recreating the eternal was common knowledge that began in the Garden, on the recommendation: "But of the tree of knowledge of good and evil you shall not eat, for in the day that thou eatest thereof thou shalt surely die" Genesis 2: 17. Seems to be no condemnation, but a warning. The tree of knowledge of good and evil could be translated as "tree of intelligence." The human being was in emotional literacy class of kindergarten, of Eden, the first letters spelling to make the task of home on the use of intelligence. The emotional incompetence prevented him from rationally choose between good and evil. He flunked. Contextualizing dialogue Creator-creature: the day that produced the atomic bomb, the plane, car, war, drugs, violence ... surely die ... The student Adam killed the class, fled the school and check the Internet was evil. The virtual illiterate typed quickly, hiding the word disobedience, the password of the enemy. Dropped the connection with the Ombudsman, however, the phone rang: "Adam, where art thou?" Adam was "out of area ... of good. "

The Bible teaches: "Wisdom is the tree of life to them that lay hold of it." Proverbs 3:18 "A gentle tongue is a tree of life." Proverbs 15:4. "The desire fulfilled is a tree of life." Proverbs 13:12.

Etz means "tree," but also "structure." Therefore, etz chaiym can also be understood as "structure of life." The structure of life are the emotions. Emotions are the fruit of the tree of life. "The fruit of the righteous is a tree of life" Proverbs 11:30.



KEYWORDS: intelligence - learning - Bible - the tree of knowledge - emotions, gifts, cyberspace.



1- INTRODUÇÃO
Etimologicamente a palavra inteligência vem do latim inter (entre) e legere (escolher). Inteligência é a habilidade de realizar de forma eficaz uma determinada tarefa. No Dicionário Aurélio , ser inteligente é: “... qualidade ou capacidade de compreender e adaptar-se facilmente”.
A Bíblia refere-se inúmeras vezes, de uma maneira muito clara à inteligência: "Como um homem pensa em seu coração assim ele é”. Pv 23:7. Davi conversou com Deus e suplicou: “As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para aprender os teus mandamentos”. Sl 119:73.
Sócrates (469–399 a.C), teve uma visão prevalente de inteligência como um raciocínio abstrato no campo da linguagem e da matemática. Platão – (428 ou 427 a.C), e Aristóteles (384 – 322 a.C) entenderam a inteligência como uma habilidade na lógica, na geometria e na argumentação.
Na sua Didática Magna, João Amós Comênio (1592-1670) propõe ensinar “tudo a todos, totalmente” (Omnes Omnia Omnimo). Isto encantou o filósofo René Descartes (1596-1650).
A partir da obra de Francis Bacon (1561-1626) Locke desenvolveu uma teoria para aperfeiçoar o uso do intelecto. Para Bacon: “A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que ele sabe.”
John Locke (1632-1704) ao escrever o Ensaio sobre o entendimento humano, dizia que “o homem nascia sem dominar nenhuma forma de conhecimento e, somente com o passar dos anos, teria a capacidade de acumulá-lo”.
O conceito de inteligência foi aperfeiçoado pelo filósofo Herbert Spencer (1820-1903), pelo estatístico Karl Pearsone, e pelo primo de Darwin, gênio mundialmente conhecido, Sir Francis Galton. Eles introduziram as noções de mensuração, evolução e genética experimental no estudo da inteligência. Herbert Spencer falava de uma hierarquia das funções neurais em que um tipo básico de atividades se desenvolve através de estágios regularmente definidos, em formas mais altas e mais especializadas.
Em 1968, Benjamin S. Bloom publicou na Universidade da Califórnia o artigo “Aprendizagem para o domínio”, mostrando que de 90 a 95% dos alunos têm possibilidades de aprender tudo o que lhes for ensinado, desde que se lhes ofereçam condições para isso, e que preencham os pré-requisitos mínimos.
Para Bloom o tempo não importava, pois cada pessoa aprende num ritmo próprio. Pela primeira vez foi quebrado o dogma da velocidade, típico do conceito de inteligência. Pessoas vagarosas agora podiam ser incluídas entre os inteligentes, desde que atingissem os objetivos de aprendizagem. Surgiu a década do movimento chamado “Ensino baseado em competências” Esse movimento introduziu o conceito de modulação no processo instrucional.
Jean Piaget (1896-1980) é o fundador de uma nova área do saber, a epistemologia genética, cujo objetivo passa pela compreensão da natureza e da origem do conhecimento. Piaget abre uma nova perspectiva sobre o conhecimento e o pensamento humanos: “Inteligência é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas”.
Para explicar o desenvolvimento intelectual, Jean Piaget, diz: “Os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio”. Piaget - pressupõe que todas as crianças de uma determinada faixa etária, têm, em geral, as mesmas características.
Robert Sternberg (1949) assegura que:
“A inteligência antiga privilegia pessoas que se adaptam ao ambiente em que vivem, recebem boas notas na escola, fazem tudo o que pedem a elas, são muito obedientes, seguem as regras, colorem dentro das linhas do desenho. Os empreendedores de sucesso serão capazes de transformar o ambiente em que vivem para atingir seus propósitos de vida...”.

Outras formas de revelar a inteligência vão desabrochando no universo da humanidade. Ao finalizar seu livro “O milênio da Inteligência competitiva” (2002), Jerry P. Miller e o Business Intelligence Braintrust, são descritas previsões e projeções, indicando rumos da profissão de inteligência para os próximos anos. Assim, Miller sublinha a atual fase: “A empresa que está preocupada com a competição, provou Inteligência Competitiva”. Nos Estados Unidos, Competitive Intelligence é o significado para a maioria das utilizações de Inteligência no mundo corporativo.
Hoje, nesse ambiente ecossistêmico, já se vê claramente a inteligência coletiva. O pesquisador, filósofo, sociólogo e escritor francês, Pierre Lévy diz que “os seres humanos são incapazes de pensar só e sem o auxílio de qualquer ferramenta”: “É do equilíbrio entre a cooperação e a competição que nasce a Inteligência Coletiva”. O conceito de inteligência coletiva (IC) é, basicamente: “A partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado por todos os meios de comunicação”. Para Lévy, inteligência coletiva não é um conceito novo, pois desenvolveu–se à medida que a linguagem evoluiu. “O mundo das idéias é o ciberespaço, que permite a interconexão”.
A Bíblia registra um diálogo entre Jesus e Pedro que o educador traduz como uma linguagem muito atual no ciberespaço: “Pedro, tudo o que ligares na Terra, será ligado no céu...” Mt 16:19.

3 - INTELIGÊNCIA OU INTELIGÊNCIAS?
A inteligência emocional, alicerce da vida, está relacionada a habilidades tais como: reconhecer e administrar as próprias emoções; reconhecer as emoções dos outros também; motivar-se; ultrapassar as frustrações; perdoar-se para perdoar os outros; controlar impulsos; praticar gratificação prorrogada; incentivar pessoas, ajudando-as a serem eficazes e a produzir frutos... “Pois será como a árvore plantada junto às correntes das águas que dá seu fruto na estação própria...” Sl 1:3.

A expressão “Inteligência Emocional” cresceu popularmente com a publicação do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, em 1995, mas esse conceito já é alvo de pesquisas desde a década de 90, com a publicação de dois artigos em jornais acadêmicos, por Peter Salovey e John D. Mayer. (Bar-on, Parker, 2002 p.81)
Salovey e Mayer definiram a inteligência emocional em termos de: “ser capaz de monitorar e regular os sentimentos próprios e os de outras pessoas e de utilizar os sentimentos para guiar os pensamentos e as ações”.
A idéia de definir e mensurar a inteligência tem pouco mais de um século. Alfred Binet (1857/1911), - médico francês, e seu assistente Simon, classificaram dois tipos de inteligências: a lógico-matemática e a linguística ou verbal.
O teste do Q.I., criado por Binet e Simon testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus franceses enfatizavam, sobretudo, o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Esse instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, desenvolvido por Terman, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale.
Os testes de Q.I. provêm de uma concepção de que o ser humano tem dimensões afetivas e cognitivas inatas que se mantém por toda vida como um software básico. Mesmo com a intervenção de Piaget (educador suíço, 1896-1980), ao afirmar que testes de Q.I. não permitiam pesquisa consistente sobre o desenvolvimento da mente. Durante anos e anos educadores discriminaram e privilegiaram inteligências.
Para o psicólogo americano, Howard Gardner, um dos mais importantes precursores da pesquisa sobre as inteligências múltiplas, a predisposição genética e as experiências vividas na infância podem favorecer os “computadores mentais”.
Gardner – diz que crianças de uma determinada faixa etária podem estar em diferentes níveis de desenvolvimento, nas diversas áreas do conhecimento. Professor da Universidade Harvard, Gardner é considerado um dos “demolidores” do conceito de quociente de inteligência – QI, de Alfred Binet. Gardner iniciou a formulação da idéia de "inteligências múltiplas" com a publicação da obra "The Shattered Mind”, 1975. Mais tarde conceituou a inteligência como: "Um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura".
Acompanhando o desempenho profissional de pessoas que haviam sido alunos fracos ou medíocres, Gardner se surpreende ao verificar que muitos obtiveram sucesso e viviam muito bem, o que não acontecia necessariamente com aqueles que haviam sido estudantes aplicados e tirado boas notas. Questionando o tipo de avaliação feita nas escolas, ele verificou que elas não incluíam capacidades que eram essenciais para a realização e a felicidade das pessoas.
Gardner demonstrou que as demais faculdades, desprezadas pela escola, também são produto de processos mentais. Para ele, “inteligência é uma capacidade de resolver problemas e elaborar produtos de valor num ambiente cultural ou comunitário”. Ele próprio, na ocasião, identificou as inteligências:
1. lógico-matemática - capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções;
2. lingüística - habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita;
3. espacial - disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais;
4. corporal-cinestésica - potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos;
5. interpessoal - capacidade de se relacionar bem em sociedade;
6. intrapessoal - habilidade para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo;
7. musical - aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais;
8. naturalista - traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza.

O professor Nilson José Machado, doutor em educação pela Universidade de São Paulo, onde leciona desde 1972, inclui a inteligência pictórica, presente em pessoas, como grandes pintores e artistas, que se comunicam com uma linguagem não-verbal.
Em 1964, Professor Luiz Machado, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi convidado a realizar estudos e pesquisas, na Universidade de Colúmbia, em Nova York, na categoria de visiting scholar (Professor/Pesquisador). Verificou o professor Machado que:
“A Bíblia, como outros livros sagrados para os religiosos que os seguem, pode ser encarada como um manual de uso do cérebro, ou melhor, de como mobilizar potencialidades humanas”. Podemos até dizer que são prescrições como, modernamente, a Emotologia, – que é a verdadeira ciência do Ser Humano, – faz para aqueles que a seguem. Assim, desse ponto de vista, a interpretação do conceito bíblico de fé é: firme fundamento das coisas que se esperam – indica que precisamos ter objetivos claramente definidos e não duvidarmos que eles se transformarão em resultados; a prova das coisas que não se vêem – temos aqui que os resultados esperados devem ser visualizados, sentidos, tocados com os sentidos da mente, pois o cérebro não distingue entre algo real de alguma coisa emotizadamente imaginada, isto é, empolgada com os sentidos da mente, com emoções”.

Luis Machado afirma que “Gardner parece ter confundido habilidade com inteligência”. Machado diz que “na verdade, o que Gardner chamou de inteligências são habilidades que estão englobadas nos dois grandes tipos de inteligência, a lógico-racional e a emocional, mas, não constituem, por si mesmas, tipos de inteligência”.
“A inteligência não é algo que existe pronto e, por isto mesmo, não tem sede. A inteligência é uma virtualidade, um virtualismo do organismo.”
Luiz Machado, Ph.D, Cientista Fundador da Cidade do Cérebro , pesquisador da inteligência, há mais de 40 anos, afirma que:
“Se fôssemos aceitar múltiplas inteligências, estaríamos regredindo às idéias do médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828), que criou a frenologia, segundo a qual o formato do crânio indicaria, logo abaixo, certas circunvoluções cerebrais (bossas) que dariam condições especiais de inclinações para determinados assuntos: lingüísticos (bossa para línguas), para matemática (bossa para matemática), para música (bossa musical) e assim por diante. A teoria de Gall foi bem aceita e, à época, eram poucos os médicos que não tinham em seus consultórios uma cabeça frenológica de porcelana. Essa teoria é mencionada hoje apenas para relato histórico, sem nenhuma validade científica.”

Daniel Goleman concorda com Machado e diz que temos dois tipos de inteligência: racional e emocional e que o desempenho na vida é determinado por essas duas. ... Goleman faz uma crítica:
“Gardner e os que com ele trabalham não investigaram com muitos detalhes o papel do sentimento nessas inteligências (Inteligências Múltiplas), concentrando-se mais na cognição sobre o sentimento” ...deixa por sondar tanto o sentido em que há inteligência nas emoções quanto o sentido em que se pode transmitir inteligência às emoções”. (Goleman, 1995 p. 52).


Quando Jesus contou a parábola dos dez talentos (Mt 25:14-18) Ele estava sublinhando a importância da educação e do esforço próprio para a mobilização das potencialidades humanas. São incontáveis! O homem pode desenvolver habilidades, valores individuais, dons, vocação, aptidões,... A contribuição fundamental da teoria das Inteligências Múltiplas, segundo Najmanovich (2001), foi a mudança da pergunta: “Quão inteligente você é?” para a indagação “De que modo você é inteligente?”.
Para Gardner (1994, p. 278): “Não deveríamos pensar nas inteligências como envolvidas numa situação de soma zero: nem deveríamos tratar da teoria das inteligências múltiplas como um modelo hidráulico, onde um aumento em uma inteligência necessariamente impõe o decréscimo em outra”. Gardner (2000), com base em sua perspectiva da multiplicidade da inteligência humana, organizou uma proposta educativa em torno de sete rotas de acesso:
a) narrativa - caracteriza-se pela aprendizagem por meio de histórias ensinadas por quaisquer veículos midiáticos;
b) quantitativa e numérica - quando as pessoas respondem com maior facilidade aos aspectos de um tema que convidam a uma consideração de ordem numérica;
c) lógica - está relacionada diretamente a capacidade de dedução, tradicionalmente por meio de silogismos e interpretações complexas de situações, fatos e conhecimentos;
d) existencial - examina as facetas filosóficas e terminológicas de um conceito ou assunto. Este enfoque é apropriado para aquelas pessoas que gostam de fazer perguntas fundamentais sobre o mundo, a vida e a humanidade;
e) estética - por meio desta rota as pessoas respondem a qualidades formais e sensoriais como: a cor, a linha, a expressão e a composição de uma pintura ou a métrica de um poema. A ênfase recai sobre os aspectos sensoriais ou superficiais que atraem e favorecem uma postura artística ou contemplação das experiências de vida;
f) experiencial - responder com o próprio corpo, numa atividade em que a pessoa possa se envolver completamente, construindo um projeto, manipulando materiais diversos ou em múltiplas vivências de movimento;
g) social - mais adequado às pessoas que aprendem melhor em grupo do que sozinhas. As linguagens utilizadas são variadas, exploradas e reconstruídas em equipe.

Nista-Piccolo (2005, p. 6-7) se apóia na orientação de Howard Gardner, para explicar o ato de ensinar um movimento, esclarecendo que:
“Ensinar alguém a fazer algo que ele ainda não sabe implica em diversos fatores, como por exemplo: partir do que ele já sabe fazer; descobrir o que ele sabe fazer com mais facilidade; perceber o seu nível de motivação para execução daquela tarefa; estar num ambiente apropriado para estimulá-lo a essa aprendizagem; saber quais são os meios facilitadores para ensinar tal fundamento” etc.

De acordo com Macedo (2005), a escola está pautada num modo de pensar calcado nas semelhanças. Para o autor, a “lógica das semelhanças” é a “lógica da classe”, e a “lógica das diferenças” é a “lógica das relações”. Na lógica da classe, explica o mesmo autor, “somos redutíveis ao critério que nos define. Na lógica da relação, somos irredutíveis no sentido de que não somos reduzidos a uma coisa ou outra, porque quem nos define é a relação” (MACEDO, 2005, p. 25).
Ranciere (2002, p. 72) provoca-nos, quando alerta que o nosso problema não é provar que todas as inteligências sejam iguais, mas: “ver o que se pode fazer a partir dessa suposição”. Defendemos que no processo de ensino-aprendizagem é preciso saber ver o que nos escapa. Aquilo que os nossos alunos emanam, “tudo aquilo que não se estampa no imediato” (PEIXOTO, 1992, p. 305), algo que não se deixa facilmente retratar. “O enfoque reside, então, no ato de aprender e não no de ensinar” (BICUDO, 2006, p. 96).
Como esclarece Najmanovich (2001, p. 23):
“Só podemos conhecer o que somos capazes de perceber e processar com nosso corpo. O corpo também pode revelar conhecimentos indizíveis. Para aprender, não podemos ignorá-lo. Assim, é importante que os professores percebam seus alunos em sua corporeidade para poderem ver outros sinais que anunciam a multiplicidade da inteligência humana“.

Estão, hoje, em pauta, inteligência (StvenJohnson) - "coletivos inteligentes" (Howard Rheingold) - "cérebro global" (Francis Heylighen) - "sociedade da mente" (Marvin Minsk) - "inteligência conectiva" (Derrick de Kerckhove) - "redes inteligentes" (Albert Barabasi) -"inteligência coletiva" (Pierre Lévy), são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma frequência que só faz crescer.
O conceito de inteligência proposto por Gardner (1994), inicialmente, era a “capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos, importantes em determinado ambiente ou comunidade cultural”. Duas décadas após a publicação de sua teoria, ele reformulou este conceito substituindo o termo capacidade por potencial biopsicológico, querendo distanciar-se da concepção mais biológica e ressaltar que as influências culturais e psicológicas desempenham um papel determinante. Segundo Marina (1995, p. 277): “A inteligência inventa novos problemas e procura resolvê-los”.


4- O ENSINAMENTO BÍBLICO SOBRE INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL E DONS.
Os filósofos gregos antigos, desde Anaxágoras (500-426 a.C) a Proclus (412-487 a.C) sempre apontaram para a intuição como inteligência espiritual, segundo eles “é algo que atua no interior para o exterior”, corresponde ao noús.
Plotino (205-270) distinguia três modos de percepção: “opinião, ciência e contemplação. A opinião é própria da inteligência passional; a ciência, da inteligência discursiva; a contemplação, da inteligência espiritual”.
A inteligência espiritual, também chamada de QS - do inglês spiritual quocient) já fora sublinhada no texto bíblico. Deus é o Pai das luzes (a palavra luz é usada também como sinônimo de inteligência). “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança”. Tg 1.17. A Bíblia se antecipa e ensina de forma clara: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” Cl 1:9. – “Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses...” Dn 5:11 - “Foi Ele quem deu dons às pessoas, escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja...” Ef 4:11-12 – “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo...” I Co 12:4-6.
Segundo a Filósofa americana, Danah Zohar: ”a consciência é a bússola moral que nos leva às escolhas certas e positivas da vida”. Autora do livro Inteligência Espiritual, lançado no Brasil, ela afirma que a inteligência espiritual produz:
“essa capacidade que se caracteriza pelos seguintes traços: capacidade de ser flexível; grau elevado de autoconhecimento; capacidade de enfrentar a dor; capacidade de aprender com o sofrimento; capacidade de se inspirar em idéias e valores; relutância em causar danos aos outros; tendência para ver conexões entre realidades distintas; tendência a se questionar sobre suas ações e seus desejos, com perguntas como “por que agir de tal maneira”? “Ou, o que aconteceria se agisse de outra maneira”?


4.1 - A BÍBLIA ESCLARECE E NOMEIA MÚLTIPLOS DONS ESPIRITUAIS:
“E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” Is 11:2
O Apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas (5:19:25) assegura que as obras da carne são conhecidas:
“prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.”
“Mas o Fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, caridade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivermos no Espírito, andemos também no Espírito”.

A palavra carne é também usada na Bíblia como sinônimo de emoções. Paulo relaciona as emoções sem administração e controle e as chama de frutos da carne. O Fruto do Espírito identifica a inteligência espiritual.
Nicodemos, mestre em Israel, príncipe dos judeus, mostrou-se analfabeto espiritual e foi aprender o a-e-i-o-u na Escola Supletiva de Jesus. Foi advertido.


4.2 - MÚLTIPLOS DONS
- emocional
Pv 4:23 - Sobretudo o que se deve controlar, controle as emoções, porque delas procedem as saídas da vida.
- visual
Mt 6:22 – A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
- auditivo
Hb 3:7 – Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações (emoções).
- musical
Sl 47:7 - Pois Deus é o Rei de toda a terra; cantai louvores com inteligência.
- cinestésico-corporal
I Co 9:24 – Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
- espiritual
Pv 2:3 - E se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz...
- espacial
Ef 3:17-19 – Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade...
- olfativo
II Co 2:14 – E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar o cheiro do seu conhecimento.
- táctil
Isaías 64:8 – Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos.

- linguístico
Lc 21:15 – Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem.
- lógico-matemática
Mt 10:30 – E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”
- naturalista
Mt 6:28 – E, quanto ao vestido, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam.
- intrapessoal
Gl 5:23 – A mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.
- interpessoal
Rm 12:10 – Amai-vos cordialmente uns aos outros, com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.


5 - A GRANDE INTELIGÊNCIA
A Bíblia esclarece definitivamente o assunto: Deus é a grande inteligência e dele emanam todas as manifestações de conhecimento e sabedoria: - ”Encheu-o de um espírito divino para dar-lhe sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras...” Ex 35:31. - “Dá-me, agora, sabedoria e conhecimento para que eu possa sair e entrar perante este povo”. II Cr 1:10. - ”... e todos os homens prudentes que o Senhor dotou de inteligência e habilidade, para saberem executar todos os trabalhos necessários ao serviço do santuário, conformaram-se inteiramente às instruções recebidas do Senhor” Ex. 36:1. Na experiência de Salomão ficou, mais uma vez, explícito o poder de Deus para aqueles que ainda tinham qualquer dúvida sobre a outorga de dons: Pelo que Deus lhe disse:
“Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem riquezas, nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento para discernires o que é justo, eis que faço segundo as tuas palavras. Eis que te dou um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual não se levantará”. I Reis 3: 10-12

Segundo a Bíblia, Deus é um Ser Triúno, perfeito, imutável. O homem foi criado à Sua semelhança, mas seu comportamento é mutável, imperfeito. O cérebro humano é triádico. Obedecendo à organização celestial, a Trindade se apresenta com Deus-Pai, Deus-Filho, Deus-Espírito Santo.
O homem se parece com Deus, mas o cérebro do homem é uma “máquina” composta de três computadores biológicos: a razão (hemisfério esquerdo) emoção (hemisfério direito) e o cerebelo, base do cérebro (ação).








“A teoria do cérebro triádico idealizada pelo neurocientista Paul MacLean, postula que o ser humano tem três cérebros formados por camadas sobrepostas, ou seja algo no formato, contemporaneamente pode-se dizer, três em um”. (Lambert, 2003).
Paul D. Mac Lean, Diretor do Laboratório de Evolução Cerebral e Conduta do Instituto Nacional de Saúde Pública de Califórnia, 1970 - concluiu que: “o cérebro do homem é triádico, complexo reptiliano: hipotálamo, sistema límbico e neocórtex, resultado da evolução do homem”, todavia, a Bíblia já revelara, muito antes de qualquer teoria, que à imagem de Deus, o homem tem três cérebros que se interagem com inteligência. Cada qual com suas potencialidades e funções interdependentes.
A Bíblia já revelara, muito antes de qualquer teoria, que à imagem de Deus, o homem tem três cérebros que se interagem com inteligência. Cada qual com suas potencialidades e funções interdependentes, Em Hebreus 4,12, está escrito: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. - “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. I Ts 5:23. Alma, coração, carne, são palavras usadas constantemente na Bíblia, como sinônimos de emoção. - ”Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração...” Pv 4:23. Contextualizando: Sobretudo o que se deve controlar, controle as tuas emoções... porque da administração das emoções básicas o homem depende para ser feliz: medo, amor, raiva, tristeza, alegria...
Jorge Cury, autor de vários livros sobre Inteligência Multifocal, garante que “Administrar a emoção é mais difícil que gerenciar uma grande empresa”. Em Dez Leis para Ser Feliz, o autor apresenta princípios para que a vida se torne um grande show. Um espetáculo de felicidade e sabedoria, a exemplo do que fez Jesus, ao escrever a tese da felicidade no Sermão da Montanha – Mt 5, 6 e 7.


6 - CONCLUSÃO
Tudo que o homem descobrir ou inventar, já está patenteado na Bíblia. As “muitas inteligências”, as que já foram nomeadas ou aquelas que o homem identificar, à medida que for se conectando na divina fonte, são concessões. “Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar” Rs 4:29. Sublinha-se o termo larga inteligência e não múltiplas inteligências, conforme o que já foi apontado neste trabalho. Na era das máquinas, dos computadores, da inteligência artificial, da pílula da inteligência, quando se estuda a expansão da consciência e do cérebro global, o ser humano pergunta: onde está o temor do Senhor? Quando Jó questionou a inteligência, perguntou também a Deus: - “Porém onde se achará a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?” E Deus respondeu: “Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência”. Jó 28:28.
Cada educador deve apresentar recursos, técnicas e métodos diferenciados para alcançar estilos de aprendizagem. Isso implica em diversas atitudes e procedimentos por parte dos professores, a fim de desenvolver currículos criativos, tais como usar de maneira inteligente as informações; aperfeiçoar os procedimentos de avaliação; incentivar técnicas de comunicação; estimular a produção do conhecimento; assumir lideranças; reforçar o treinamento e o aperfeiçoamento profissional. Na era da informação, em tempo real, a importância do educador se amplia, porque ele pode ajudar a organizar melhor as idéias e transformá-las em habilidades, para o homem conectar-se ao Portal da Graça e navegar na mídia celestial.

Ivone Boechat
PhD Psicologia da Educação

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