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Coronavirus
 
A QUARENTENA DEIXA LIÇÕES
Por: Afonso e Silva

Na minha modesta opinião a quarentena não é um sacrifício tão grande assim. Penso que sacrifício maior são os pobres trabalhadores serem aterrorizados vinte e quatro horas por dia, por governantes, empresários e puxa-sacos irresponsáveis ameaçando-os a voltarem ao trabalho sob pena de serem dispensados. A alegação dessa corja de que essa Covid-19 (embora já tenha matado milhares de pessoas), não passa de “uma gripizinha”. Acresce-se a isso o fato de essa cambada ficar aterrorizando insistentemente toda a sociedade para o caos que será instalado, caso os empregados não retornem ao trabalho. Segundo eles, aí sim todos serão prejudicados, já que as prateleiras ficarão vazias, alegam essa corja.

Podemos até concordar em parte com a alegação. Acontece que esses canalhas querem obrigar que os trabalhadores arrisquem suas vidas apenas para garantir seus indecentes lucros e um mísero salário ao trabalhador no final do mês que mal dá para se alimentar decentemente. Para eles, pobre não tem qualquer problema de morrer: morre um, amanhã o empresário repõe como fardos de papel higiênico nas prateleiras. Pelo que eu saiba até o presente, apenas a Luiza Trajano, do Magazin Luiza teve postura diferente e pediu à categoria para não dispensar empregados. Os demais ameaçam, mas não adotaram nenhuma medida de segurança para protegê-los e nem propuseram qualquer seguro em a seu favor. Pior é que, se o pobre adoecer terá que concorrer a sorteio para uma quase impossível vaga na fila do SUS para atendimento. Se por acaso ocorrer um milagre poderá até ser atendido numa UPA qualquer, mas se precisar de uma vaga em CTI é menos provável. Quiçá mais difícil que acertar a mega-sena acumulada.

Além do mais, o governo ao invés de universalizar ajuda ao pobre pelo menos nessas horas, está é se aproveitando dessa pandemia para raspar o fundo do cofre e distribuir com os patrões. Como se não bastasse isentá-los de impostos, nós, os contribuintes teremos que arcar com 50% do valor da folha de pagamento das empresas desses abutres. Evidentemente que os banqueiros não ficaram fora dessa mamata. O país injetará soma exorbitante de recursos para empréstimo aos patrões a juros subsidiados, equivalente a empréstimo a fundo quase-perdido. Os recursos são provenientes do Tesouro. Reservas que o país economizou ao longo de vários anos, cuja destinação deveria ter sido aos investimentos em saúde, saneamento, educação, moradia, cultura, transportes, laser, infra-estrutura e outras ações para o bem da população. Só que agora, assim como em outras oportunidades, está se dirigindo para os ralos que jamais retornarão. Contudo, se a destinação fosse a correta certamente a Covid-19 traria menos sofrimento.

Em suma, é certo que o Brasil, assim os demais países almejam liquidar urgente e integralmente essa pandemia provocada pela Covid-19. Contudo, se me perguntarem se gostaria que tudo voltasse à normalidade, eu categoricamente responderia que NÃO. Creio que a quarentena ajudou-nos a pensar um pouco mais sobre os valores da vida, da família, do próximo, da solidariedade, da união, da justiça e injustiça, da riqueza e da pobreza, do emprego e do desemprego e do dinheiro. Depois desse sofrimento ficou uma questão no ar: para que serve o dinheiro? E ainda: qual o limite da ambição dos empresários?

Creio que essa pandemia abriu, pelo menos em parte, o horizonte e iluminou a mente do trabalhador. Pressinto que num espaço de tempo não muito distante a dissimulação do capitalismo começará a ser desvendada e suas contradições percebidas por todos trabalhadores. Certamente depois da Covid-19, o trabalhador brasileiro fará uma leitura mais acurada de seu papel e valor na sociedade e derrubará os frágeis argumentos da elite. A pandemia deixou cristalino que sem a contribuição do trabalhador, nada se produz, nada se movimenta. Nenhuma riqueza é gerada. Está claro agora para o trabalhador que dinheiro é papel e quem gera riquezas é o trabalho. Claro também ficou que os ricos são os mesmos desde longas gerações. Evidenciou-se que os pobres são pobres porque os ricos não permitem que eles saiam de onde está. E, ainda, que a elite seqüestra o Estado para manter a situação inalterada. Só que agora, durante essa quarentena o trabalhador pode compreender que a riqueza deles vem exatamente do assalto aos pobres. De um lado, o patrão fica com a maior parte do seu salário, do outro o Estado rouba-lhe o resto nos impostos, taxas, emolumentos, etc.

Pensemos em um trabalhador que ganha um salário mínimo e vai ao supermercado juntamente com seu patrão. Os dois compram as mesmíssimas mercadorias. O preço que os dois pagam é igual. Não há diferenciação nenhuma, o preço do arroz é o mesmo, a incidência do ICMS e demais impostos também. Nas tarifas de água, luz, IPTU, IPVA... a mesma coisa.

Por tudo isso é que não gostaria da volta à normalidade. Gostaria sim, que saíssemos dessa pandemia com um novo viver em sociedade. Gostaria que houvesse uma mudança significativa no Brasil a partir de um povo mais preocupado de se manter informado por fontes fidedignas, envolvido mais com as questões políticas e menos com futebol. Mais preocupado com o seu salário de que o dos jogadores, pilotos, atores... Uma mudança que pode até ter um pouco turbulência no início, mas no final o resultado será certamente satisfatório para todos os brasileiros.

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