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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Literatura, música, História ou um amontoado de besteiras
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O coveiro que cuide dos mortos!


Quando ouvimos que o nosso povo não tem memória alguns se aborrecem e criticam esta afirmação que se faz há décadas. Sabe-se que o dia a dia pode ser o palco de um horizonte que a maioria gostaria que fosse a chegada de uma longa corrida com obstáculos. Nada contra o foco, o objetivo, o tão desejado sonho de consumo. Mas certas pessoas deixaram um legado porque dedicaram a vida à literatura, a arte nas diversas formas e ajudaram a escrever a História do país, tentaram dar sentido às coisas além do simples valor tangível - e mereciam uma homenagem!
Ouve-se frequentemente, sabe-se lá por quais motivos, que o desenvolvimento de um país só depende de Ciência e Tecnologia, ficando as demais atividades em segundo plano. Alguns até dizem orgulhosamente que nunca precisaram de arte, mas talvez sintam um prazer imenso em citar que estiveram nos grandes museus do mundo, assim como nos teatros, exibindo um verniz cultural como privilégio de poucos. Quem sabe por isso que o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, ocorrido em 2 de setembro de 2018, pouco interessou aos brasileiros.
Talvez o momento tumultuado envolvendo política e saúde, uma queda de braço que nem deveria ser o centro da discussão, as autoridades de cada atividade tenham abandonado a prática de homenagear personalidades que ajudaram a escrever a nossa História. A morte de Rubem
Fonseca, um dos maiores contistas e cronistas que o país conheceu, passou simplesmente despercebida. Da mesma forma que do cantor Moraes Moreira, cuja música de sua autoria foi tema do Brasil na Copa do Mundo de Futebol de 1982. Por que dar importância a essas bobagens?
Um país que perdeu o rumo, segundo os fãs incondicionais do presidente Mito, precisa voltar aos trilhos com a mão de ferro dos sérios e honesto militares. Daí a manifestação para que as Forças Armadas fechem o STF e o Congresso, expulsando os corruptos que sugam os recursos do país desde que a Democracia foi restabelecida. Simples assim. A História contada pela gestão militar diz que a Revolução de 1964 livrou o país do comunismo, que só os vagabundos foram punidos e por isso reclamam até hoje. Quantos leram outra versão sobre a mesma História?
Mas um dos maiores homenageados deste 21 de abril, sem dúvidas, é o nosso herói da Inconfidência Mineira, o Tiradentes. Se o fato deste dia ser um feriado nacional pouco significar para a maioria, a História dedica livros, estudos e pesquisas sobre o movimento onde ele foi o único que pagou com a morte a ousadia de se indignar contra os abusos da Coroa Portuguesa. Daí o título de “Mártir da Independência” não se descolar da sua figura com a corda da forca em volta do pescoço. E pensar que o nosso presidente Mito já homenageou torturador e miliciano...
Vivemos momentos preocupantes pela ameaça invisível de um vírus mortal, mas isso não deveria ser motivo para esquecer dos que deixaram suas marcas na passagem pelo mundo. Se a mídia homenageia quem ela achar importante, mesmo que isso vise apenas a audiência no Ibope, paciência, mas que a História deste país, talvez até do mundo, não faça injustiças contra os profissionais que atuam na área de saúde – eles são os atores principais sem aparecer para o público. A medalha que cada um merece teria importância igual a de qualquer atleta olímpico.
O que esperar de um presidente, assim como de uma equipe, que detesta arte, ciência e democracia? Se os livros são uma inutilidade, um amontoado de palavras, na opinião do Mito... Por que se surpreender quando ele disse que não é coveiro, respondendo uma pergunta sobre o número de mortos na atual pandemia? As pessoas que respeitam os seres vivos, sejam humanos, vegetais ou animais irracionais, não entendem o porquê de cidadãos de bem idolatram e apoiam tanta falta de valorização com a vida no planeta. Mas se nenhuma morte até hoje valeu a pena...


J R Ichihara
21/04/2020

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