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Crônica
 
NESSE MATO TEM COELHO
Por: Afonso e Silva

Tem uma questão que não me sai da cabeça e para aliviá-la desse peso resolvi colocar no papel e torná-la pública. Qual seja: durante a campanha do então candidato à presidência da República em 2018, quem era o chefe da segurança do candidato Jair Messias Bolsonaro? Todos nós sabemos que foi o delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem Rodrigues.

Eleito, Bolsonaro insistiu nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal em substituição a Maurício Valeixo. Acontece que ele esbarrou no veto imposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O presidente recuou e nomeou Ramagem para a Diretoria-Geral da Agência Brasileira de Inteligência-Abin, órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência-Sisbin, mas não desistiu. Só deu um tempo. Sua intenção era a de ter sobre sua mesa, diariamente, relatórios de inteligência da PF, focando especialmente à Superintendência do Rio de Janeiro. Só que os braços da Abin não conseguem, por motivos óbvios, alcançar a inteligência da PF. Decepcionado com a abrangência da Abin, resolveu engendrar outra forma de ter a chefia da PF sob controle.

Passados alguns dias Bolsonaro voltou à carga. Dessa vez foi peremptório nomeou Ramagem. Chegou a afirmar à claque do cercadinho do Palácio da Alvorada que se o presidente pode trocar um ministro, poderia muito bem trocar qualquer diretor. Dia seguinte à nomeação Moro se demitiu atirando para todos os lados.

Acontece que Ramagem foi impedido de assumir. O STF entendeu que a nomeação arranhava alguns preceitos constitucionais. Então o presidente escolheu o número 2 da Abin, Rolando Alexandre de Souza para a Diretoria Geral da PF. No seu primeiro ato, Rolando fez o que o capitão mandou: trocou o Superintendente do Rio.

Vocês devem estar a perguntar, e daí, o que tem isso? Nada demais! No entanto, qual seria a obsessão de Bolsonaro em mexer no comando da PF? O alvo do presidente, segundo deixou transparecer pelos atos e fatos, era da necessidade de o presidente ter conhecimentos com detalhes das movimentações das investigações relacionadas ao seu clã, aos amigos e aos desafetos.

Dito isso, eu fico a me perguntar: o que Ramagem, sabe ou fez para ser considerado pessoa da cozinha dos Bolsonaros em tão pouco tempo? Sua competência enquanto chefe da sua segurança é um pouco duvidosa. Senão vejamos: o ocorrido em Juiz de Fora no dia 22 de dezembro de 2018 foi um episódio que mostrou competência do chefe de sua segurança? Então, porque tanta obstinação em premia-lo com cargo de tamanha relevância no executivo na PF? Será que Ramagem tem alguma informação relevante acerca do fatídico episódio e guarda como uma carta na manga para negociar ou chantagear? Vamos pensar: seria com a intenção de abrir um terceiro inquérito da facada, com intuito de se chegar a uma versão de seu agrado, acerca da participação de Adélio Bispo? Ou tem a ver com Queiroz? Ou com o porteiro? Ou com Marielle? Ou com a morte de Adriano? Ou com o processo das fakes news? Ou seria para perseguir alguns adversários políticos? Ou com tudo junto e misturado?

Se bem que tudo isso pode ser apenas uma alucinação. Contudo, não me parece crível, o mito fazer amizade ou depositar tanta confiança numa pessoa em tão pouco tempo.

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