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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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A gravidade do infeliz “ainda bem”
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O vento só leva as palavras depois de ouvidas e memorizadas


A declaração do ex-presidente Lula sobre as consequências das privatizações e dos cortes nos investimentos nos serviços públicos essenciais, foi comemorada pelos apoiadores do governo atual e dos negacionistas radicais. O problema de tudo, à parte ser uma verdade incontestável, foi o emprego do “ainda bem”. Não adiantou os defensores dele tentarem justificar, muito menos explicar, que o contexto mostra que ele apenas queria criticar o desmonte da rede de serviços públicos. O mal estava feito – nem o pedido de desculpas do Lula amenizou o fato.
Felizmente a mídia não está interessada no que o ex-presidente fala, entendendo que isso é apenas uma opinião pessoal de alguém que não exerce qualquer cargo ou influência na atual administração pública. O alvo do momento é o presidente Mito. As palavras ditas e escritas por alguém formador de opinião, entretanto, permitem a interpretação pessoal, gostem ou não os críticos e defensores. Os opositores e desafetos do Lula e do PT têm todo o direito de comentar as declarações da forma que melhor lhes convier. É assim que as notícias irrigam a democracia.
Mas o deslize de Lula suaviza os outros acontecimentos que podem ter influência no futuro? A proposta do superministro Paulo Guedes é reduzir gradualmente o auxílio emergencial, de R$600,00 para R$200,00, segundo informações do jornal O Globo. Não se falou em alteração no auxílio de R$1.200,00 pago às mães solteiras. Inegavelmente essas questões têm muito mais importância que a “escorregada” do ex-presidente Lula, já que o poder de decisão e ingerência dele na atual gestão é zero. Isso ficou restrito ao seleto grupo que gosta de futricas improdutivas.
Um outro assunto que ficou meio esquecido pelos ávidos por lenha na fogueira é o caso que envolve o filho do presidente Bolsonaro, o senador Flavio (Republicanos-RJ) e as investigações sobre o ex-assessor dele, o Fabricio Queiroz, pela Polícia Federal. Segundo as denúncias que surgiram, vazou informações para que ele sumisse do mapa. Na mesma época, houve vazamento das delações premiadas da Operação Lava Jato, que atingiam o PT. Por ser um período de eleições, o sigilo sobre o Flávio e o vazamento sobre o PT ficaram malvistos.
Como a vida tem de seguir em frente, apesar das crises e divergências de opiniões, mas com um rumo confiável, seguro e responsável, falta ao país um entendimento harmônico e respeitoso entre os Três Poderes. O Centrão do Legislativo (Câmara de Deputados) recebeu o afago palaciano com o imortal “toma lá, dá cá” da Velha Política, na forma de cargos. Mas o Judiciário, a outra pedra no sapato do Mito, ainda é o alvo dos fãs incondicionais do presidente da República porque não cedeu aos seus caprichos. Sobra de independência ou falta de respeito?
O fato é que a permanência do atual presidente da República no cargo, apesar das inúmeras manifestações e pedidos de impeachment, mostra que as polêmicas geradas que vêm à público atingem o objetivo de desviar a atenção do que interessa passar despercebido. A nomeação de mais militares para o Ministério da Saúde é minimizada diante das denúncias de compras superfaturadas pelos governadores dos estados sob a pandemia. Por que ceder cargos estratégicos para Carlos Marun e Costa Neto? Mais preocupante é a saída da Regina Duarte!
Portanto, usar o inoportuno “ainda bem” veio a calhar, apesar da pouca repercussão que isso gerou. A situação desconfortável do Mito em nada melhorou por causa disso, mas que sirva de lição para quem gosta de criticar publicamente, por qualquer meio da mídia, dar entrevistas ao vivo ou gravar conversas que podem vir à público facilmente. As palavras ditas não podem ser apagadas depois de ouvidas, muito menos voltar ao autor para a devida correção – e não adianta tentar negá-las. Ainda bem que foi o vice-presidente Mourão que disse “se gritar pega Centrão” ...


J R Ichihara
21/05/2020

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